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Relato Projetivo de Bozzano - IV


(Experiência Fora do Corpo e Mediunidade)

CASO XXVI - Antes de passar à quarta categoria, desejo citar ainda um exemplo pertencente, pelo seu conteúdo, à terceira, se bem que as modalidades do desenvolvimento dele se distanciem a ponto de dever ser examinado à parte, e isto pelo fato de ter-se produzido o fenômeno de "desdobramento", nesta circunstância, em virtude da intervenção de um espírito, ao mesmo tempo em que se realizavam outros fatos supranormais de ordem excepcional, circunstâncias todas que, do ponto de vista rigorosamente científico, tenderiam a anular o valor do fenômeno de "desdobramento" em si, visto que possível seria aventar a hipótese de auto-sugestão alucinatória atribuída à totalidade dos acontecimentos ocorridos. Daí a necessidade de classifica-lo à parte, sem prejuízo da fenomenologia aqui estudada, deixando aos leitores o julgamento da natureza, mais ou menos verídica, dos incidentes produzidos. Em todo caso, merece ser citado em razão da personalidade eminente e honesta que o relata.
William Stainton Moses*** narra como, em certo momento, sentiu-se irresistivelmente impelido a escrever automaticamente, coisa que não acontecia já havia vários meses. Sentou-se à mesa e perguntou:
"Sou impelido a escrever. Qual é, pois, um dos amigos que está aqui presente? Que deseja ele?"
E lhe foi ditado:
"Salve, amigo! Que a bênção de Deus esteja sobre ti. Desejamos tratar de uma questão de grande importância e, para fazermos em condições de transmissão segura, abriremos, ainda esta vez, os teus sentidos interiores, e fecharemos os teus sentidos corporais a toda influência, a fim de que permaneças separado do mundo. Em tais condições, poderemos utilizar o teu corpo para transmitir os nossos pensamentos, e tu, ao mesmo tempo, poderás conversar conosco - face a face. Conserva-te passivo e não perguntes nada."
Imediatamente, ele recebeu a comunicação anunciada e que pouco importa transcrever aqui. Eis em que condições a obteve. Escreve Moses:
"Enquanto era ditada a mensagem, meu espírito se achava separado do corpo****, de modo que eu examinava, à distância, minha mão a escrever. A importância dos fatos é tal que precisa de uma exposição minuciosa e atenta do que se passou.
Eram duas horas e trinta minutos da tarde e me achava sozinho em meu quarto. Repentinamente, senti vontade de escrever mediunicamente, coisa que já não me sucedia há dois meses. Sentei-me à mesa e a primeira parte da mensagem foi escrita rapidamente, depois do que passei provavelmente ao estado de 'transe'. Minha primeira recordação foi a de ter-me visto, 'em espírito', junto de meu corpo, que vi sentado à mesa, tendo a pena entre os dedos e a mão no papel. Observando tudo com imensa estupefação, notei que o corpo físico estava unido ao corpo espiritual por um cordão fino e luminoso***** e que os objetos materiais pareciam ser sombras, ao passo que os espíritos presentes pareciam sólidos e reais.
Por detrás de meu corpo material achava-se Rector (um dos espíritos-guias), com uma das mãos em minha cabeça e a outra superpondo à mão direita empunhando a pena. A pouca distância, encontrava-se Imperator, com alguns espíritos que há muito se comunicavam comigo, e depois ainda outros espíritos que eu conheci, dispostos em círculos e observando atentamente a experiência. Do teto - ou, antes, através do teto -, espalhava-se uma luminosidade infinitamente doce e, por intervalos, raios azuis dardejavam o meu corpo. Cada vez que tal se produzia, via o meu corpo fremir e se sobressaltar; era um meio de saturação e revigoramento dele. Observei, além disso, que a luz do dia era diluída e a janela parecia escurecida, e que a luminosidade que me permitia enxergar era de origem espiritual...
Imperator explicou-me que eu estava assistindo a uma cena real, que me era oferecida para me instruir sobre o modo de operar dos espíritos. Vi Rector ocupado em escrever, mas a ação não se produzia como eu imaginava, isto é, guiando-me a mão e impressionando-me o espírito; mas, sim, projetando um raio de luz azul sobre a pena - força que assim projetada provocava o seu movimento, que obedecia a vontade do espírito dirigente. Com o intuito de me provar que a mão não passava de um simples instrumento, não essencial à ação, foi-me a pena arrebatada da mão e permaneceu na mesma posição por efeito de um raio luminoso projetado sobre ela, que, para maior surpresa, continuou a se mover, escrevendo sozinha, maravilha que me arrancou uma espécie de grito, sendo logo advertido de que deveria permanecer tranquilo e não perturbar a gênese dos fenômenos.
Resultou daí, que grande parte da mensagem obtida foi efetivamente escrita sem o auxílio de mãos humanas e sem nenhuma intervenção de meu pensamento e de meu espírito, mas me foi explicado que não era fácil escrever assim, sem o auxílio do organismo humano, e que a ortografia das palavras escritas em tais condições seria incorreta. De fato, tive ocasião de verificar que tal acontecera com a parte da mensagem assim conseguida...
Passado certo tempo, ordenaram-me que eu reentrasse em meu corpo e imediatamente tomasse nota de quanto havia visto. Já não me recordo do instante em que tal aconteceu, presumindo que o meu espírito tornou a passar pelo estado de transe.
No momento em que redijo estas notas, só sinto leve dor de cabeça. Estou absolutamente certo do que aconteceu e o transcrevo lentamente, exatamente, sem o menor exagero. Posso ter omitido certos fatos, mas nada alterei, e nada acrescentei."
Depois de ter escrito isto, dirigiu o Rev. Moses a seguinte pergunta ao seu espírito-guia: "Desejo saber se tudo o que eu vi foi real, ou fui eu vítima de uma ilusão?"
E lhe foi ditado:
"O que acabas de escrever é verdade: tudo se passou tal qual escreveste. Quisemos ensinar-te que a matéria não é nada e que o espírito é tudo. Esforça-te por aproveitar a lição. Nada podemos acrescentar no momento. Aguarde!"
Tal é o relato de Moses, de onde emergem, entre outros, o fenômeno do "desdobramento com visão de seu próprio corpo", o da transferência do "corpo etéreo" ao plano da existência espiritual, com a visão de outros espíritos e, finalmente, o fenômeno da escrita direta produzido diante de Moses no estado de vigília normal (consciente).
Não obstante a sucessão de fenômenos tão extraordinários, ainda não é chegado o momento de formular induções científicas a respeito. O melhor que se tem a fazer é registrá-los para preparar materiais brutos para os futuros pesquisadores. No momento, como já expliquei, os investigadores de temperamento rigorosamente científico serão tentados a considerar o todo como um exemplo de auto-sugestão alucinatória e nada mais.Outros, mais versados nos fenômenos de exteriorização da sensibilidade, considerarão tudo isso como uma mistura de auto-sugestão e de verdade.
Nada, penso eu, porá em dúvida a boa fé de cada narrador. Por mim, limitar-me-ei a assinalar as concordâncias existentes entre as particularidades do "desdobramento" referido por Moses e as que foram precedentemente expostas.
Há de se notar o detalhe do cordão luminoso que ligava o "corpo etéreo" ao organismo corporal, detalhe já encontrado em relação anterior e que será repetido em alguns casos a seguir.

Por Ernesto Bozzano**
(Extraído do livro "Desdobramento - Fenômenos de Bilocação" - Ernesto Bozzano****** - Editora Calvário - 1972).

- Notas de Wagner Borges:
* Os três primeiros relatos projetivos de Bozzano podem ser acessados no site do IPPB - link -, nos seguintes endereços específicos: Parte I,
Parte II e Parte III.

** O italiano Ernesto Bozzano foi um dos maiores pesquisadores de fenômenos parapsíquicos e espirituais do século 20. Vários de seus livros abordaram o tema das projeções da consciência, principalmente estes: "Metapsíquica Humana" - FEB (há um capítulo específico sobre as experiências fora do corpo), "Animismo ou Espiritismo?" - FEB (nesse também há um capítulo excelente sobre a temática projetiva), e "Comunicações Mediúnicas Entre Vivos" - Edicel (é um dos melhores livros dele e a seleção de relatos projetivos inserida nele é muito interessante).
Um de seus livros é um clássico sobre vida após a morte até hoje: "A Crise da Morte" - FEB. Há um outro bem interessante sobre a imortalidade dos animais: "Os Animais Tem Alma?" - ECO. É dele, também, essas duas obras fantásticas permeadas pelos seus argumentos, sempre sensatos e ponderados: "Enigmas da Psicometria" - FEB, e "Xenoglossia" - FEB (livro sobre comunicações interdimensionais passadas em línguas estranhas ao receptor. Há duas experiências relatadas por dois projetores famosos da primeira metade do século 20: Vincent Newton Turvey - autor do primeiro livro de relatos de projeção do século 20: "The Begnings of Seership" - 1905; Inglaterra -, e William Dudley Pelley, escritor americano que, no início da década de 1930, teve um projeção incrível, narrada no seu livrinho "Sete Minutos na Eternidade").
Muitos pesquisadores modernos acham que os livros do Bozzano, escritos na primeira metade do século 20, estão obsoletos. Isso não é verdadeiro, pois as interpretações podem ser mais modernas hoje, mas as características dos relatos projetivos ainda são iguais em toda parte. As sensações de catalepsia projetiva (paralisia), estado vibracional, ballonement (dilatação da aura), presença de amparadores e tantas outras coisas referentes ao tema abundam nas obras de Bozzano. Embora a maioria dos livros do Bozzano sejam editados até hoje pela editora da Federação Espírita Brasileira (FEB), ele não era espírita e sua abordagem era bastante universalista.

*** William Stainton Moses (Inglaterra; 1839-1892) foi um dos grandes médiuns britânicos do século 19. Por intermédio de sua mediunidade prodigiosa, um grupo de espíritos amparadores começou a passar informações espirituais de alto nível. Nesse grupo se destacavam três espíritos guias, que se comunicavam respectivamente com os pseudônimos de Rector, Imperator e Doctor.
Originalmente, em sua juventude, ele exerceu o ministério religioso como cura na Ilha de Man. Posteriormente, com os lances mediúnicos se apresentando a sua revelia, foi obrigado a admitir a presença de inteligências invisíveis nos mesmos. Com o tempo, se acostumou e se adaptou bem a mediunidade, após intensas dúvidas, devido aos seus conceitos religiosos ortodoxos anteriores.
Anos mais tarde, já voltado inteiramente para o lado espiritual, publicou dois livros, sob o pseudônimo de M. A. Oxon: "Ensinos Espiritualistas" e "Aspectos Superiores do Espiritismo".
Além de ter sido cura, Moses também foi professor e diretor da famosa revista "Light" (sobre temas espirituais). Foi um dos fundadores da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, inaugurada em 1882.
Em 1884 foi eleito presidente da Aliança Espírita de Londres.
William Stainton Moses não foi só um grande médium, mas, também, um grande caráter, um homem sério e responsável, leal aos bons princípios e servidor da Espiritualidade Maior. Em suma: um grande homem e médium, digno de ser seguido como exemplo de vida e de dedicação ao bem comum.
Obs.: a Revista Espiritismo e Ciência (ano 2; número 9 - páginas 6-8; Editora Mythos) publicou um artigo sobre o trabalho e a vida de Moses. O mesmo pode ser acessado no site do IPPB - link -, no endereço específico.

**** Projeção da consciência - é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral - Ocultismo.
Projeção astral - Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo - Parapsicologia.
Viagem da alma - Eckancar.
Viagem espiritual - Espiritualismo.
Viagem fora do corpo - Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (desdobramento ou desprendimento espiritual) - Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.

***** Cordão de prata - Conduto energético que liga o corpo espiritual ao corpo físico; cordão astral, cordão fluídico; cabo astral, cordão de luz; laço vital; fio de prata; cordão perispirítico.
Obs.: para mais detalhes sobre o cordão de prata, favor ver o meu artigo "Descrições do Cordão de Prata", postado há alguns anos no site do IPPB, onde explano extensamente sobre as características do mesmo. O texto pode ser acessado no endereço específico.

****** Na década de 1980 saiu uma outra edição desse livro pela Editora Correio Fraterno do ABC, com o título: "Fenômenos de Bilocação - Desdobramento".



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Wagner Borges é pesquisador, conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.
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