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Trem noturno para Lisboa

Trem noturno para Lisboa

por Adília Belotti

Aos 50, um pouco antes, um pouco depois, você às vezes sente vontade de desvestir-se de si mesmo, mergulhar num outro eu e cair na vida, de preferência em algum lugar do lado avesso do planeta!

Pode surgir de repente. Pode ter sido alimentado em segredo durante anos. Mas esse ímpeto, de alguma forma, parece fazer parte dessa etapa do caminho.

Suzanne Levine, ex-editora da revista Ms. e autora do livro A Reinvenção dos 50, acha mesmo prudente aconselhar às suas leitoras que não se precipitem, a urgência, aparentemente, um dia passa…

Mas contra todas as expectativas, é exatamente isso que decide fazer um dia Raymund Gregorius, um erudito enrustido mais do que típico professor de línguas antigas num colegio de Berna, na Alemanha, já nas primeiras linhas do romance Trem Noturno para Lisboa, de Pascal Mercier, codinome de Peter Bieri, também um professor, mas de Filosofia, e em Berlim.

A cena do encontro do professor cinquentão com a moça desesperada no meio de uma ponte, numa manhã chuvosa e a frase casual em português, cuja melodia dá o comando da extraordinária decisão, é tão plausível na sua absoluta impossibilidade que ‘tomar o trem noturno para Lisboa’ virou expressão comum em Portugal para designar esses momentos de “virada’.

Gregorius vai a Lisboa e mergulha literalmente na história de um outro, o médico português, Amadeu de Prado. Percorre as ruas e visita os lugares, encantado pela língua estrangeira e suas modulações afetivas, saudosas de um não sei o quê…
O livro não é novo, novidade é uma obra tão apoiada nas acrobacias do discurso ter vendido mais de 2 milhões de exemplares no mundo! As belas palavras são sereias…

Lembro do poema Ode Marítima, de Fernando Pessoa:

Ah, seja como for, seja para onde for, partir!
Largar por aí fora, pelas ondas, pelo perigo, pelo mar,
Ir para Longe, ir para Fora, para a Distância Abstrata,
Indefinidamente, pelas noites misteriosas e fundas,
Levado, como a poeira, pelos ventos, pelos vendavais!
Ir, ir, ir, ir de vez!
Todo o meu sangue raiva por asas!
Todo o meu corpo atira-se pra frente!
Galgo pela minha imaginação fora em torrentes!
Atropelo-me, rujo, precipito-me!…
Estoiram em espuma as minhas ânsias
E a minha carne é uma onda dando de encontro a rochedos!


Fiz certa vez um curso sobre “A Morte e o Morrer”. Numa das palestras, a enfermeira insistia que é impossível morrer bem sem um acerto final de contas com a vida. Felizes os que conseguem partir com a sensação de “valeu!”, como diria a Regina, aqui mesmo neste blog. Partir é um chamamento poderoso demais para a gente fingir que não ouve: “Ir para Fora, ir para Longe, ir para a Distância Abstrata”, assim mesmo, com as maiúsculas a sugerirem distâncias impossíveis de transpor.

Não custa nada abrir uma frestinha nas nossas bem organizadas defesas para deixar entrar a aventura, novas melodias, horizontes apenas adivinhados. Nem que seu ‘trem noturno para Lisboa’ seja uma passagem de ida e volta, num final de semana para uma cidade qualquer, desde que você não conheça e, sem reservas, sem vouchers, sem bagagem! Ou um ótimo livro para ‘galgar pela imaginação fora em torrentes’!

A reinvenção dos 50 - Suzanne Levine Editora Rocco
Trem Noturno para Lisboa - Pascal Mercier Editora Record
A imagem da gare recém-saída de um sonho é de Trey Ratcliff, fotógrafo pro do Flickr, que também é um aventureiro e tem um blog com o nome sugestivo de Stuck in Customs.

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Atualizado em 20/05/2010 16:51:05

Adília Belotti é jornalista e mãe de quatro filhos e também é colunista do Somos Todos UM.
Sou apaixonada por livros, pelas idéias, pelas pessoas, não necessariamente nesta ordem...
Em 2006 lançou seu primeiro livro Toques da Alma.
Email: adiliabelotti@gmail.com
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