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Uma fantasia de estrela


Era uma vez uma estrelinha muito brilhante e que ficava horas e horas parada observando o horizonte... e pensando no que poderia estar além do que sua vista alcançava... e sua mãe falava...
- Filha .. coloca os pés no céu..
- Onde você acha que vai chegar assim... passando os dias com esse olhar perdido no horizonte...???

E a estrelinha não dava ouvidos e cada vez mais sentia que tinha algo além... algo que a chamava...
Um dia... ou uma noite.... em que ela brilhava com um brilho muito especial.. ela se sentiu movendo muito rapidamente.... se deslocando no espaço... ou no tempo.. ou no espaço tempo... em uma velocidade incrível... e seu corpo não tinha mais nenhum limite.. ela não se sentia uma estrela como sempre fora habituada a sentir... sentia-se uma consciência em movimento... e foi assim numa viagem alucinante que a estrela chegou a um lugar e parou....

Ela estava na água... e à medida que ia descendo no mar ela podia ver tudo com uma visão ainda não tão limitada...
E tudo ao redor parecia diferente e estranho....
Era um lugar com montanhas... um pouco vazio demais... um ar parado... tudo parecia estático... e rolos de fumaça avermelhados pairavam no ar... como se saíssem do solo... as montanhas tinham grandes buracos... e o silêncio era assustador...
Seria esse o além do horizonte?

Nesse momento a estrelinha se deu conta que não era mais a mesma estrela... ela não tinha mais a mesma forma nem a mesma sensação física de ser estrela... aliás era uma sensação muito mais física agora... antes o que era sensação física de ser estrela era uma coisa muito diferente do que sentia agora...
Antes ela não tinha contornos tão definidos... era fluida e iluminada...
Agora parecia presa em alguma coisa... algum tipo de roupa ou de veículo... essa sensação a princípio foi muito desconfortável e limitante... era estranho ser estrela agora... ou será que não era mais estrela?
Mas se não fosse estrela o que era então?

Enquanto pensava a estrelinha observou milhões de luzinhas que se aproximavam muito rapidamente e iam aumentando de tamanho e caiam por todo lado... parecia uma chuva de luz... ou uma chuva de estrelas...
E foi assim que Lúmina - esse era o nome da estrelinha chegou ...

As montanhas ao redor pareciam muito grandes e ela se sentia muito pequena diante de tudo... nunca se sentira assim antes... se comparando com alguma coisa... grande pequena... nunca tinha pensado nisso antes... agora novas sensações iam tomando conta do seu ser... e tinha sensações quentes... frias... parecia uma loucura a torrente de coisas novas que aconteciam no pequeno corpo...

Estava presa ali... além do horizonte... não era mais quem era... e tudo ali era estranho e ameaçador... essa foi a primeira sensação da pequena estrela que um dia saiu de casa pra conhecer o além do horizonte....
E foi assim que ela dormiu... dormiu e sonhou com sua mãe... seu pai... suas irmãs... e sonhou com uma reunião onde um grupo de estrelas escolheu fazer uma viagem... um trabalho muito especial... e ela estava lá nessa reunião e se via muito animada diante da possibilidade de conhecer... ajudar e aprender em um lugar além do horizonte...
E o tempo passou... passou... passou... passou... passou... passou tanto... que ela se esqueceu...

Em um lindo dia de sol de primavera, em uma maternidade de uma pequena cidade da região leste de um grande pais ela abriu os olhinhos pela primeira vez... ou não seria pela primeira vez?

Pela primeira vez nessa nova viagem...
O ambiente era agradável... mas a sensação de limitação era muito grande... queria expressar tantas coisas que sentia... e não tinha como... não tinha como... então ela chorava.. ela chorava e lhe davam alimento... ela chorava e lhe davam água... às vezes lhe davam alimento quando estava com sede e água quando estava com fome...

Era horrível não poder se comunicar... e ela chorava...
Mas, à medida que o tempo passava... porque aqui o tempo passava... Era incrível como as pessoas eram presas a um tipo de aparelho que eles inventavam e que media o tempo... como se tempo pudesse ser medido dessa forma...
Mas, eles acreditavam piamente que estavam medindo o tempo e controlando tudo dentro daqueles pedaços de tempo que eles inventaram...
E ela crescia.... e crescia.... e se esquecia.... e se esquecia....
Aprendia um monte de coisas...

Ensinavam coisas... que às vezes pareciam tão absurdas, mas tão absurdamente absurdas... que só mesmo fazendo muito esforço ela conseguia aprender...
E à medida que ela ia crescendo... ia esquecendo e aprendendo coisas...
coisas estranhas... mas, com o passar do tempo estranho iam se tornando normais...
Aprendeu a ver o mundo como lhe descreviam... aprendeu a controlar o tempo e a ter cada vez menos tempo dentro dos pedaços de tempo...
Aprendeu a colocar tudo dentro do tempo... podia até ser considerada normal...
Mas......
... mas ela adorava olhar estrelas... e ficava horas olhando o céu cheio de estrelas... ela era fascinada com as estrelas... tanto que até falavam que ela era meio avoada...
E sua mãe sempre dizia:
- Filha .. coloca os pés na Terra
- Onde você acha que vai chegar assim... passando os dias com esse olhar perdido no horizonte...???



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Rubia A. Dantés é Designer, cria mandalas e ilustrações em conexão...
Trabalhos individuais e em grupo, com o Sagrado Feminino, o Dom e o Perdão...
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