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Vamos inventar o Dia de Ações de Graças

por Adília Belotti
Publicado dia 26/11/2004 12:56:35 em Espiritualidade

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Já importamos tanta coisa! Hambúrgueres, sons, jeitos, Halloweens, até aquela terrível compulsão pelos excessos... temos shoppings, temos fastfoods e, aqui e ali, uns toques daquele puritanismo WASP (White, Anglo-Saxon, Protestant ou brancos, anglo-saxões e protestantes: os “verdadeiros americanos”), tingem nosso tecido social, colorido com as cores mais ao sul do Equador....

Então, se é assim, se mesmo em tempos quase coloniais e, com certeza, pré-globalização nosso sonho irrequieto e escondido sempre foi Park Avenue, por que não importar mais um aspecto do american way of life? Só mais unzinho, vai?

É que está chegando o Thanksgiving Day, o Dia de Ação de Graças, feriado favorito dos americanos e que é celebrado na quarta 5ª feira do mês de novembro. Nós até temos este dia garantido na agenda oficial, mas é assim murchinho e nem de longe evoca a abundância e a generosidade que deveriam ser as convidadas de honra da festa.

Nos EUA, tudo começou com a chegada daqueles 102 colonos exaustos, fugidos da fome e das perseguições religiosas na Europa. Faziam parte de um grupo reformista da Igreja da Inglaterra e buscavam a pureza original da fé, daí o nome, puritanos. Chegaram num navio de nome alegre: o Mayflower, mas a vida no Novo Mundo não tinha nada de fácil. A história conta que no primeiro inverno, em 1620, muitos morreram. Na primavera, os índios da região que hoje é a Nova Inglaterra - Algonquins da tribo Wampanoag - ensinaram os recém-chegados a cultivar o milho e a pescar. A colheita do outono de 1621 foi tão boa que todos comemoraram juntos, colonos e índios, com um grande banquete dos frutos da terra. Estava nascendo o Thanksgiving, com seus perus e tortas de abóbora e milho. Pena que a paz entre colonos e índios não tenha durado muito, mas a idéia de um dia de trégua, dia de agradecer a Deus pela colheita farta, pela comida na mesa, pelas bênçãos recebidas, foi se impondo, apesar de tantos pesares...

Aprendo na Internet que nosso Dia Nacional de Ação de Graças foi instituído em 1949, pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. E que a lei que oficializou a quarta quinta-feira de novembro para a celebração é do presidente Castelo Branco. Mas como alegria não nasce de decretos e ofícios presidenciais não fazem brotar a tolerância e a gratidão no coração de ninguém, nós não celebramos o dia de Ação de Graças até hoje...

Mas ainda podemos mudar isto. Não seria bom aproveitar este nosso tempo de primavera para renovar o prazer de estarmos vivos? De olhar o mundo através dos desencantos e das feiúras e enxergar o núcleo luminoso que existe em todas as coisas, em todas as criaturas? "A verdade luminosa por trás das mentiras humanas", como disse o escritor peruano Mario Vargas Llosa...

Por isso é que na próxima quinta, -- não, na quinta não, que nem tem graça celebrar uma coisa assim desta importância num dia no meio da semana --, vou subverter e lei e celebrar na 6ª feira um dia especial de Ação de Graças. Não sei se não troco o famoso peru por uma galinha caipira ensopada com polenta mole e quiabos sem baba - como meu pai mineiro ensinava a fazer. E quem sabe usamos a palha do milho para embrulhar uns pedacinhos de queijo de minas meia-cura ou aquele queijo tão bom que se come no norte, queijo de coalho, colocamos os embrulhinhos no forno, só uns minutos, hummm, será que não ia ficar bom? Podemos fazer uma salada com delícias da terra, da nossa terra, da terra de todos, que hoje, todas as terras podem ser abençoadas, se a gente não enchê-las de minas terrestres, de bombas ou de lixo tóxico... E pra adoçar tudo, doces de avó: mamão-verde de rolinhos, goiaba, abóbora e coco... minha tia Loló fazia um doce de carambola que a gente apelidou de Doce de Estrelinha da Branca de Neve. Pois então vamos acabar nossa refeição lambuzados de estrelas... Quem aceita um cafezinho?

Depois de preparar a refeição, prepararíamos o espírito. Pensei na frase do monge cristão, Thomas Merton: “Seja como for, o Senhor brinca e se alegra no jardim de sua Criação e se conseguíssemos nos livrar da obsessão que temos em querer dar um sentido a tudo, talvez pudéssemos ouvir Sua voz chamando-nos e poderíamos segui-Lo então em seu misterioso bailado cósmico”.

Rindo e brincando, convidaríamos Deus para sentar-se entre nós e se fizéssemos um instante de silêncio ouviríamos o brinde que Ele proporia: Filhos Amados do Instante e do Sonho, alegrai-vos hoje na Minha música, porque “Escondido no coração mortal, o eterno vive; Ele vive recôndito na tua alma. Uma luz brilha lá que nenhuma dor ou sofrimento pode cruzar”. É claro que Deus não precisaria citar ninguém a não se a si mesmo, mas nós, aqui, pegamos emprestadas as palavras do filósofo hindu Sri Aurobindo para nos ajudar no brinde.
E assim apascentados, veríamos o dia nascer e, pelo menos por um dia, o universo inteiro se fazer puro encantamento.


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Sobre o autor
Adília Belotti é jornalista e mãe de quatro filhos e também é colunista do Somos Todos UM.
Sou apaixonada por livros, pelas idéias, pelas pessoas, não necessariamente nesta ordem...
Em 2006 lançou seu primeiro livro Toques da Alma.
Email: [email protected]
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