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Viagem espiritual no hospital extrafísico

por Wagner Borges

Sexta-feira, 03:30 da madrugada. Acabei de fazer um trabalho de exteriorização energética. Por causa disso, o meu chakra frontal está altamente energizado e pulsando bastante e os olhos estão cheios de energia branquinha fluorescente. Pego o livro "Krishna e Uddhava"(1), coloco no som um Cd bem relaxante (2) e deito-me tranqüilamente.

Leio um pouco e medito em cima dos ensinamentos atribuídos a Krishna e selecionados pelo sábio Vyasa (um dos amparadores a quem muito agradeço pela inspiração de escrever vários textos). Fico na posição de decúbito dorsal escutando a música suave de olhos fechados. Suavemente vou relaxando e entrando na hipnagogia (cochilo) (3).

Sinto-me leve e permaneço facilmente nesse estado alterado de consciência, suspenso entre a vigília e o sono.

Não sinto mais o corpo físico e apenas mantenho o foco da atenção no centro do meu chakra frontal branquinho.

Começo a desprender-me lentamente do corpo e a flutuar alguns centímetros acima dele. Porém, subitamente o Cd começou a pular no aparelho de som, provavelmente por causa de alguma partícula de sujeira aderida nele. Imediatamente fui tracionado para dentro do corpo com aquela característica repercussão física de solavanco e sensação de queda abrupta. Abri os olhos e rapidamente desliguei o aparelho de som e apaguei a luz do pequeno abajur ao lado da cama.
Fiquei novamente na posição de decúbito dorsal, mas não consegui relaxar como antes. Deitei-me para o lado direito.

Também não fiquei relaxado como antes. O corpo estava mais ativo - ondas cerebrais beta (4) e não permitia mais aquela leveza anterior. Quando é assim o melhor é não insistir e procurar cair no sono na posição mais confortável para o corpo. No meu caso, a posição de bruços favorece o aprofundamento do sono. Passei para ela e virei a cabeça para o lado direito no travesseiro. Como estava um pouco frio e eu estava com o corpo coberto só com um lençol, fiquei meio encolhido nessa posição e com um pé sobre o outro. Em determinado instante, percebi uma presença extrafísica perto da porta do quarto (eu estava deitado com a cabeça voltada para a direita, onde está a parede ao lado da cama). Só percebia o vulto de um homem ali postado.

Caí no sono assim. Momentos depois, despertei abruptamente em meio a um estado vibracional intenso (5). Ondas de energia percorriam o meu corpo de cima abaixo em alta velocidade. Fiquei quieto e preparei-me para decolar para fora do corpo. No entanto, como o pé direito estava cruzado sobre o pé esquerdo e prendendo a circulação, isso causou um forte desconforto e agitação no corpo. O coração acelerou e em segundos o estado vibracional parou.

Descruzei os pés e continuei deitado de bruços, mas virei a cabeça para o lado esquerdo do travesseiro. Fiz algumas respirações mais profundas e procurei acalmar mentalmente o corpo. Na verdade, sua agitação estava me incomodando.
Lembrei-me de um erro cometido e que era a verdadeira causa daquela agitação: eu havia tomado uma xícara de café por volta das 02:00 da madrugada para espantar o frio enquanto eu trabalhava em cima do material de um livro.
A cafeína estava fazendo o seu efeito e deixando o corpo alerta demais para uma soltura tranqüila.

Daí, novamente percebi aquele vulto perto da porta. Eu o via mentalmente pelo chakra coronário, pois naquela posição o alto da cabeça estava em linha reta com a direção da porta. Ele aproximou-se e fez um gesto de saudação a moda iogue. Então eu o vi claramente: era o sábio Vyasa.

Estava como de costume: turbante na cabeça, sem camisa e com uma fraldão daqueles que vários iogues ainda usam no interior da Índia. Mentalmente ele me disse:
"Há trabalho espiritual para fazer. Permaneça quieto e concentre mentalmente o nome de Krishna no centro do seu ajna chakra (6). Relaxe repetindo o nome do Senhor e pense no bem de todas as criaturas. Permeie a mente com energias amarelas clarinhas e sinta-se alegre de cantar espiritualmente o nome daquele que apazigua a angústia e ajuda os homens a cumprirem o seu dharma (7). Ponha a consciência na senda da viagem espiritual com Krishna guiando os seus pensamentos."

Só de ver o meu amigo de tantas jornadas espirituais ali presente com a sua serenidade e sabedoria encheu-me de grande alegria e rapidamente o corpo relaxou. Concentrei o nome de Krishna no chakra da testa e procurei elevar os pensamentos a favor de todos os seres. Lembrei-me particularmente de um rapaz viciado em drogas pesadas e que ontem ligou-me desesperado por ajuda, pois mais uma vez estava sendo assediado com ondas de suicídio em sua mente. Pensei nele envolvido pelas energias amarelas e projetei o nome de Krishna em sua intenção. Pedi por ele e pensei na humanidade tão sofredora e sem consciência.
Lentamente fui caindo no sono enquanto repetia o nome de Krishna no frontal (8): Krishna, Krishna, Krishna...

Algum tempo depois, despertei extrafisicamente num ambiente hospitalar. Lentamente fui tomando consciência da condição projetiva e procurei observar melhor o ambiente onde estava.
Era uma enorme saguão hospitalar cheio de médicos extrafísicos e diversas enfermeiras em intenso movimento de atendimento. Parecia um enorme pronto-socorro. Haviam muitos espíritos em condições lastimáveis deitados nas várias macas e alguns no chão. A minha lucidez era tão clara e a minha capacidade de observação tão ampliada naquele instante, que pude observar com detalhes o piso do lugar e ver que era de ardósia acinzentada.
Ao mesmo tempo, sentia uma presença extrafísica invisível junto a mim, mas não conseguia divisar quem era. No entanto, sentia as suas energias e uma sensação de segurança íntima advinda de sua presença sutil.

Por intuição (numa condição projetiva lúcida o projetor sabe por intuição segura, seja pela ação sutil do amparador extrafísico ou pela capacidade de sua própria mente na condição de liberdade em relação a limitação cerebral, o que se passa e o que deve fazer) eu sabia que aquele ambiente pertencia ao duplo extrafísico do hospital da Escola Paulista de Medicina, que é perto do meu apartamento e onde a minha namorada faz atualmente o quarto ano de Medicina.

O ambiente era bastante agitado e embora tudo fosse muito limpo havia uma certa névoa cinzenta no ar. Por experiências projetivas anteriores em ambientes assim, eu sabia que tratava-se de local de recepção extrafísica às pessoas que desencarnavam nos hospitais com o corpo espiritual (9) em condições pesadas. Esses locais ficam acoplados no duplo extrafísico dos hospitais terrestres e ali os médicos extrafísicos dissolvem as energias remanescentes do cordão de prata e do duplo etérico (10) ainda aderidas ao corpo extrafísico. Em seguida, eles transferem os desencarnados para os ambientes apropriados no plano extrafísico correspondente as suas vibrações (11).

Fiquei em silêncio observando os procedimentos daqueles amparadores que saem de suas dimensões extrafísicas tranqüilas para realizarem plantões assistencial nos níveis mais densos. Aprendi em muitas experiências anteriores que quando eles estão trabalhando em assistências pesadas não gostam muito de ficar conversando com projetores. O motivo é que projetores são naturalmente curiosos e ficam perguntando um monte de coisas. Porém, em meio ao trabalho assistencial eles não tem muito tempo para papo e priorizam absolutamente o atendimento ao paciente. É uma questão de responsabilidade: alguém acabou de "descascar" do corpo físico e não está bem. Precisa de ajuda precisa e rápida. É um momento crucial na vida daquela pessoa, o fim de uma condição existencial e a passagem para outra condição de vida em padrões vibracionais diferentes.
Ou seja, não é hora de ficar especulando sobre teorias, nomenclaturas, classificação de veículos de manifestação da consciência ou mecanismos projetivos diversos com projetores que estejam ali só passeando.
Quando o projetor está ali levado pelo amparador como doador de energias para os enfermos extrafísicos, a condição é outra e normalmente o mesmo está inconsciente devido a densidade das energias acopladas em seu corpo espiritual para a doação.

Sabendo de tudo isso, não abordei ninguém ali e fiquei quieto observando o que rolava no ambiente. Vi alguns dos médicos aplicando passes e colocando os enfermos para dormir. Outros portavam nas mãos alguns pequenos aparelhos extrafísicos que emitiam faíscas quando ligados. Esses artefatos energéticos funcionam como rompedores dos filamentos remanescentes do cordão de prata ainda presos na estrutura delicada do corpo sutil.
Algumas das enfermeiras portavam frascos contendo líquidos coloridos. Dependendo do problema elas abriam um deles e davam para o enfermo cheirar. Prestei atenção e consegui identificar dois odores: éter e sândalo.

Muitos dos espíritos doentes estavam apresentando a plasmagem igual a do corpo abandonado. Alguns se apresentavam ensangüentados ou com marcas de ferimentos diversos. Outros vomitavam uma gosma avermelhada que exalava um cheiro horrível. Muitos se retorciam no chão gemendo de dor.
Aquilo lembrava mesmo um pronto-socorro. Os médicos e enfermeiras corriam dando passes e massagens nos doentes. Observei-os melhor: suas roupas eram branquinhas e fluorescentes. Eram todos muito sérios e bem profissionais na ação. Não vi nenhum deles apresentar nenhuma reação emocional diante daquele quadro de sofrimento. Naturalmente que foram bem treinados para aquela tarefa. Entretanto, notava neles um imenso respeito por cada um daqueles pacientes. Eles não ostentavam isso, mas na condição de lucidez em que eu estava e com as percepções bastante aguçadas pude notar o amor e o respeito que os impulsionava internamente naquela tarefa difícil de lidar com a dor alheia.
A vontade que eu tinha era a de sair aplicando passes também, mas por intuição eu sabia que não era para me enfiar no trabalho deles naquele instante.
Continuei ali apenas observando. De vez em quando, alguns deles me olhavam com simpatia enquanto atendiam um paciente.

A maioria dos enfermos dormiu e o ambiente foi acalmando gradativamente. Os médicos começaram a conversar e as enfermeiras ajeitavam os pacientes adormecidos nas macas e no chão. Uma atmosfera verde-clara fluorescente apaziguadora encheu o ambiente. Era gostoso senti-la por todo o corpo, como se todos os poros inalassem aquela energia regeneradora.
Lembrei-me de olhar como é que eu estava plasmado. Nada muito elegante, é claro. Estava exatamente como o corpo estava vestido na cama: pijama completo - short e camisa azul-claro e descalço.
Repentinamente, uma luz começou a piscar no ambiente e vi o pessoal correr para um parte daquele imenso saguão. Fui junto para observar o que rolava. Os médicos e enfermeiras se posicionaram em forma de círculo e ficaram de olhos fechados e bem concentrados. Eu sabia que eles estavam fazendo uma prece e que alguém num estado muito ruim iria chegar ali em instantes.
No meio deles o chão começou a ficar esverdeado-fosforescente. Dali emergiu, como se viesse de baixo, uma plataforma metálica com três espíritos desacordados deitados nela. Eram homens e estavam ensangüentados e suas roupas em frangalhos. Imediatamente os médicos começaram a atendê-los ali mesmo naquela plataforma. Uma das enfermeiras correu e colocou vários frascos dentro de um aparelho extrafísico pendurado numa das paredes. Ela ligou o negócio e apertou algumas teclas digitais na tela. Ficou ali esperando por cerca de um minuto. O negócio parecia um microondas e sua tela estava toda acesa. Ela abriu, pegou os frascos e levou-os até os médicos. Eles escolheram três deles e verteram o seu conteúdo pelas bocas dos caras adormecidos.

A seguir, eles se afastaram e ficaram olhando. A plataforma com os caras em cima começou a brilhar e em instantes sumiu dentro de um aura esverdeada. Por intuição eu sabia que ela havia transportado os caras para uma dimensão extrafísica mais leve do que aquela onde estávamos. Aquela plataforma era operada por amparadores que estavam na parte física do hospital, abaixo de nós em nível mais denso, na própria crosta terrestre. Eles ajudavam o pessoal a descascar para fora do corpo físico e os colocavam adormecidos naquela plataforma de transporte dimensional. Ela os levava para cima, onde estávamos. Ali era feita a triagem e a seguir o pessoal era despachado para as dimensões extrafísicas correspondentes ao nível vibracional de seus corpos extrafísicos (lembrando que o corpo sutil porta o padrão vibracional de tudo aquilo que a pessoa pensou, sentiu e fez em vida. Logo, é a média de suas energias que determinará o plano correspondente por sintonia em que ela viverá no Astral).

Novamente o ambiente acalmou. Os médicos e enfermeiras conversavam e pareciam aliviados. Alguns até mesmo riam. Não pareciam amparadores naquele instante, pareciam mais é com um grupo de seres humanos batendo um papo depois de uma jornada difícil.
Um dos médicos se aproximou e pediu-me para olhar na direção de um imenso corredor escuro que ficava no fim do saguão.
Olhei e na mesma hora o meu parachacra frontal (12) começou a vibrar intensamente. Senti novamente a presença sutil do amparador que me acompanhava anonimamente.

O saguão onde eu estava era bem iluminado, mas o corredor que saia dele dava para um ambiente obscuro. Por intuição eu sabia que aquela área fazia contato vibracional com áreas do umbral (plano extrafísico denso). Calculei que do local onde eu estava para lá haviam uns cinqüenta metros aproximadamente. Recebi um comando telepático do amparador invisível para entrar no corredor e deslizei no ar até lá. Obedeci prontamente e entrei no corredor. A medida que eu seguia em frente a luz foi diminuindo gradativamente e uma espécie de vento começou a soprar contra a minha posição. Passei a ter dificuldade de deslizar e comecei a andar mesmo. Quanto mais eu me aprofundava no corredor, mais escuro ficava e mais aquele vento oferecia resistência a minha passagem. Olhei para trás e vi o saguão bem distante, como se a distância tivesse dobrado. Vi os médicos olhando-me de lá. Olhei para a frente novamente e parecia que o fim do corredor estava cada vez mais distante. Dentro de mim eu sentia que o ambiente era muito deletério e que para ir até lá, só mesmo com a assistência de um amparador bem competente. Foi então que eu percebi uma segunda presença acompanhando-me invisivelmente também. Sabia por intuição que era uma amparadora cheia de amor a alegria e que ela estava patrocinando a minha incursão por ali. Percebia sua luz amarelo-claro irradiando atrás de mim e atrás dela a energia branco-fluorescente do amparador anterior. O ambiente era obscuro, mas eu sentia uma energia poderosa ancorando a minha concentração.

O corredor parecia não ter fim e em dado momento, além daquele vento contra, pareceu-me que atravessava camadas de gosma energética, como se fossem sucessivas membranas invisíveis pelo ar. Comecei a perceber gritos horríveis e a sentir um cheiro nauseabundo de sangue.
Então, o corredor adentrou abruptamente num saguão acinzentado cheio de espíritos sofredores gritando. Um segundo corredor abria-se desse saguão para a escuridão à frente. Bem na frente dele, como se estivesse preso na divisória vibracional do saguão com esse segundo corredor, estava um sujeito magrinho gritando e me chamando, mas eu não ouvia o que ele dizia. Aproximei-me dele e o reconheci na hora: era o "Q.", um rapaz de rua que eu conhecia e que descascara há uns vinte dias antes.

O caso desse rapaz é o seguinte: 30 anos, sem família, viciado em drogas pesadas, alcoólatra, autor de pequenos furtos e que vivia nas ruas do bairro onde moro aqui em São Paulo. Desde que mudei para cá que o conhecia. Ele sempre me pedia dinheiro e eu ajudava e dizia-lhe: "só se for para você se alimentar." Daí, levava-o a padaria da esquina, onde eu almoço diariamente e bato papo com os amigos do bairro e os balconistas e pagava-lhe um lanche. Por vezes, pegava uma roupa usada em bom estado ou um tênis e dava para ele. O pessoal da rua não gostava dele, pois constantemente ele bebia ou se drogava e perturbava os moradores do bairro. Resumindo a história: o Q. gostava muito de mim e sempre me chamava de "gordinho carioca". Ele sempre dizia que aqui no bairro só eu e o pastor da igreja evangélica da rua (aliás, esse pastor é "gente boa" e meu amigo) é que o ajudávamos.

Há uns vinte dias atrás, saí para almoçar e vi o rapaz caído na rua bêbado. Estava muito frio e até comentei com a minha namorada que estava junto comigo: "o Q. ainda vai desencarnar uma hora dessas de tanto beber e ficar passando frio na rua e eu é que vou ajudá-lo do lado de lá."
Pois foi o que aconteceu naquela noite mesma: ele passou mal na rua e algumas pessoas o levaram para o hospital público da Escola Paulista de Medicina. Horas depois, eles descascou (segundo alguns conhecidos da rua, por causa de cirrose aguda. Segundo outros, por causa de uma infecção pulmonar).
E ali estava ele gritando: "gordinho, me tira daqui. Eles estão me batendo. Me ajuda!" (13).
Atravessei o saguão contra aquele vento e dei-lhe as mãos. Puxei-o fortemente e ele me abraçou gritando: "me tira daqui, me tira daqui, gordinho". Enchi o meu coração de amor e abracei-o irradiando energias do meu peito. Ele cheirava mal e babava. Sua aparência era horrorosa. Ele estava cheio de feridas plasmadas por todo o corpo e se debatia agarrado comigo. Sua agitação me agredia vibratoriamente. Puxei-o dali e voltei-me para o corredor na direção contrária, de volta pelo caminho de onde viera.

Levei-o em meus braços e cheguei rapidamente no saguão onde estavam os médicos. Eles o pegaram e lhe deram um daqueles frascos para beber. Ele acalmou-se, mas não adormeceu. Olhava para mim e dizia: "gordinho, os caras lá de baixo me bateram muito. Lá é muito ruim. Eu não quero voltar para lá. Não deixa eles virem me pegar de novo, tá?"

Estendi as mãos para ele e apliquei-lhe um passe tranqüilo. Ele ficou quieto. Daí, fui novamente pelo corredor e procurei olhar bem o ambiente. Por sua extensão haviam alguns quartos cheios de espíritos arrebentados após a morte. O cheiro de sangue era insuportável e a atmosfera de sofrimento incomodava espiritualmente. Ali era a pior ala do hospital extrafísico, onde ficavam os casos mais graves. E no fundo, a escuridão que adentrava no umbral (14).
Pensei: toda essa dor por causa da ignorância, da arrogância e do vazio consciencial de não aproveitar a vida para crescer e fazer algo bom. Tudo isso é conseqüência post-morten de vidas desperdiçadas ou de ter acalentado ódio dentro do coração. É nessas horas que agradeço a oportunidade do esclarecimento espiritual e de poder tentar praticar algo bom na vida.

Voltei pelo corredor e fui para o saguão novamente. O Q. me viu e começou com aquele papo novamente. Um dos médicos me disse: "pode ir, ele será atendido e melhorará."
No entanto, repentinamente a luz começou a piscar. Começou a correria e uma outra plataforma surgiu com mais desencarnados. Emanei energias na intenção de todos ali e ergui os pensamentos em agradecimento pela oportunidade, em especial aquela presença feminina sutil que me acompanhara pelo corredor e que até agora não sei quem é.
Senti um puxão na base da nuca (15) e em instantes caí vigorosamente dentro do corpo. Abri os olhos e levantei-me imediatamente para registrar a experiência. Escrevi rapidamente o relato e deitei-me novamente.

Quando comecei a cair no sono, vi a figura imponente do sábio Vyasa (16) com as mãos postas saudando-me em frente a cama. Sua aura era branca-fluorescente. Ele olhou-me profundamente e o seu olhar era só amor. Era ele um dos acompanhantes invisíveis do hospital. Dentro de minha mente, ele disse: "Durma e descanse, meu amigo. Ficarei aqui velando o seu sono.
Durma pensando nisso: o amor é o amparador de todos. Ele é o motivo de toda assistência. Ele é a língua universal que só fala de coração a coração. Ele á a luz e o sorriso que cura. É o essencial! É tudo! É a vibração mais linda que existe. É a inspiração dos mestres. É a alegria de Krishna.
OM KRISHNA DEVA OM."
Dormi sorrindo e pensando em Krishna, o amigo dos homens.

Paz e luz.

- Wagner D. Borges; São Paulo, Inverno de 2001.

Notas:

1. "Krishna e Uddhava"; Editora Kier (Buenos Aires).
2. Luna; Cd. "In Balance"; Gravadora Oreade Music (Série: orp - 58052).
3. Hipnagogia: É o estado alterado de consciência intermediário entre a vigília e o sono, popularmente conhecido como cochilo.
4. As ondas cerebrais beta (acima de 14 ciclos por segundo) são características do estado de vigília física normal.
5. O estado vibracional é característico da aceleração vibracional dos corpos sutis em relação ao corpo físico. Enquanto as ondas cerebrais e o metabolismo do corpo seguem reduzindo sua atividade durante o sono, o corpo espiritual acelera suas vibrações para escapar das energias mais densas do corpo físico e também para mudar o padrão vibracional das energias do duplo etérico e dos Chakras. Nesse caso, a pessoa tem a sensação de que ondas energéticas circulam em alta freqüência pelo seu corpo, muitas vezes com ruídos estridentes dentro do crânio. Esse é um dos sintomas pré-projetivos mais comuns.
6. Ajna (do sânscrito): "Comando" ou "Centro de comando"; É o nome iogue do chakra frontal. Obviamente que o nome em sânscrito refere-se esotericamente as funções da glândula hipófise (pituitária), considerada pela Medicina como a glândula de comando do sistema endócrino.
7. Dharma (do sânscrito): "Dever"; "Lei"; "Trabalho"; "Mérito"; "Benção".
8. O nome de qualquer um dos grandes mestres da humanidade funciona como um mantra que liga às vibrações da pessoa aquelas atmosferas espirituais superiores.
9. O corpo extrafísico é chamado por vários nomes, dependendo da doutrina ou grupo que estude o assunto: Corpo espiritual (Cristianismo; Cor. I; Cap. 15; Vers. 44); Corpo astral (Teosofia); Perispírito (Espiritismo); Corpo de luz (Ocultismo); Psicossoma (do grego: "psiquê": Alma; "Soma": Corpo. Logo, significa literalmente "Corpo da alma". Esse é o nome usado em Projeciologia); Corpo bardo (Budismo Tibetano); Thanki (Chineses); Corpo psíquico (Ordem Rosacruz).
10. O duplo etérico é o campo vibracional intermediário entre o corpo espiritual e o corpo físico. Para facilitar o entendimento, podemos fazer uma subdivisão energética da seguinte maneira: se classificarmos o corpo físico como 1 e o corpo extrafísico como 2, o duplo etérico é o 1,5 intermediário entre os outros dois veículos de manifestação da consciência. É o campo energético do corpo físico e suas energias são oriundas do duplo energético do próprio planeta. Todas as coisas que estão na Terra são revestidas pelas energias que envolvem o orbe. Ou seja, todos os seres e coisas terrestres estão imersos na aura planetária. Por isso, todo corpo denso apresenta uma aura. Seja uma pedra, vegetal, animal ou corpo humano, todos possuem um campo energético envolvendo-os. É o duplo energético irradiante e mantenedor vibracional da parte física. Os Chakras estão nesse duplo e servem de conexão entre o corpo extrafísico e o corpo físico. Dentro dos Chakras estão inseridos os filamentos energéticos do cordão de prata. Quando o corpo espiritual se desprende na projeção, esses filamentos energéticos se distendem de todos os pontos e formam em conjunto um conduto vibracional sutil que interliga os corpos durante a exteriorização. Essa ligação energética foi chamada pelos antigos de cordão de prata (Eclesiastes; Cap. 12; vers. 6) e é uma conexão 1,5 do duplo etérico para interligar os corpos 1 e 2. O nome duplo etérico (derivado de éter, como os antigos chamavam a energia sutil) vem da Teosofia, mas esse campo energético também é conhecido pelo nome de Holochacra (Conscienciologia); Corpo vital (Rosacruz) ou Pranamayakosha (Vedanta). Para muitos pesquisadores, o duplo etérico não é um veículo de manifestação, mas apenas um campo energético do corpo físico para prender o corpo extrafísico por toda uma encarnação terrestre. Ou seja, é uma estrutura energética que nasce com o corpo físico, algo como uma espécie de "algema vibracional" para segurar os princípios sutis nos níveis mais densos de manifestação. Na hora da morte esse duplo etérico perde a vibração e abre os centros vitais para o desprendimento final do espírito para fora da carne desativada. Ele é aquela névoa que flutua por cima do cadáver e que dissolve-se nas energias da terra do próprio cemitério. Porém, há alguns casos em que suas energias podem permanecer aderidas no corpo espiritual e dificultarem o seu desprendimento das dimensões mais densas. O exemplo mais drástico disso é o caso dos suicidas, que ficam muitas vezes aderidos ao próprios cadáveres em putrefação.
Eis aqui uma pequena bibliografia específica sobre o duplo etérico:
- "O Duplo Etérico"; Major Arthur Powell; Editora Pensamento.
- "Os Chakras"; Charles Webster Leadbeater; Editora Pensamento.
- "A Transição Chamada Morte"; Charles Hampton; Editora Pensamento.
- "Elucidações do Além"; Ramatís/Hercílio Maes; Editora do Conhecimento.
Obs: Da mesma forma que há Chakras no duplo etérico, há Chakras também no corpo espiritual. São chamados de parachacras e durante a vigília física, na condição de coincidência dos corpos, eles ficam integrados aos Chakras do duplo etérico. Quando ocorre a projeção, eles destacam-se integrados com o corpo espiritual e ficam ligados aos Chakras do duplo por intermédio dos filamentos do cordão de prata.
11. O corpo espiritual porta as energias oriundas dos pensamentos, sentimentos e ações da consciência durante a vida intrafísica. Quando desprende-se do corpo denso, seja na projeção comum durante o sono ou no momento da projeção final, ele apresenta um padrão vibracional compatível com tudo aquilo que houver em seu íntimo. Como semelhante atrai o semelhante, um corpo espiritual com vibração "X" será atraído para uma dimensão extrafísica "X" correspondente ao seu nível vibracional. Um corpo espiritual "Y" será atraído naturalmente para uma dimensão extrafísica "Y". E daí por diante...
Quem carregar um inferno em sua consciência, será atraído naturalmente após a morte para um inferno extrafísico correspondente ao seu mundo íntimo. Pelo contrário, quem carregar a luz a felicidade dentro de si mesmo como estado de consciência, será atraído após a morte para um ambiente compatível com a sua consciência.
13. Parachacra frontal: chakra frontal do corpo espiritual. Sua contraparte no duplo etérico colado ao corpo é o chakra frontal (ajna chakra).
14. Os ambientes extrafísicos densos são semelhantes as cadeias violentas. Alguns espíritos mais agressivos costumam agredir o pessoal novo que está chegando na área. É uma forma de intimidação para mostrar quem manda ali.
15. No clássico "Nosso Lar" (psicografado pelo ótimo Francisco Cândido Xavier) lançado na década de 1940 o espírito André Luiz já descrevia ambientes assim.
16. Esse puxão na base da nuca é bem característico da tração energética do cordão de prata. Tecnicamente é conhecido como "chamado admonitório". Alguns projetores o chamam de "fisgada energética do cordão de prata".
17. Há diversos textos com a participação do Vyasa postados na seção "textos projetivos e espiritualistas" de nosso site. É só clicar o nome dele na seção de procura por nomes e a lista com seus textos surgirá na tela.

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Atualizado em 27/07/2001 12:00:01

Wagner Borges é pesquisador,
conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia
e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.
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