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Pitágoras e os números sagrados


Quando falamos em Números e Numerologia, precisamos necessariamente nos reportar à vida de Pitágoras.

Pitágoras nasceu no século VI a.C. em Samos, uma grande ilha grega, que ficava muito próxima da costa da Ásia Menor (Jônia). E foi na região da Jônia (atual Turquia), de colonização grega, que surgiu um movimento de renovação religiosa que marcou o pensamento do mundo.

Os gregos tinham, até aí, uma concepção religiosa marcada por uma visão mitológica dos fatos – os acontecimentos da vida eram explicados a partir das relações com os deuses do Olimpo, com seus humores, paixões e conflitos, muito semelhantes aos humanos.

Mas nesta fase, surgem na Jônia os primeiros filósofos, que deram um novo enfoque à busca do conhecimento do universo. Os amantes da sabedoria (pois Filos significa, em sua raiz grega - amor e Sofia – sabedoria; filosofia se traduz, portanto, como “amor à sabedoria”) passaram a buscar uma Causa Primeira Universal para todas as coisas, que chamavam de Arké. A grande questão era: “de onde viemos”? “De onde surgiu o universo e tudo que conhecemos”? Os filósofos tinham a convicção de que, sob a aparente diversidade, existe uma lei unificante, um princípio do qual tudo deriva e do qual todos participamos. A busca do conhecimento passa a ser marcado pela Metafísica - a Ciência dos Princípios Primeiros, que se pergunta o que o mundo é, na sua essência.

Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito e vários outros filósofos desenvolveram teorias sobre qual seria este Princípio Criador, do qual tudo provinha. A água (Tales), o ar (Anaxímenes), o Apeiron (ou o Indeterminado, uma substancia anterior aos 4 elementos conhecidos, segundo Anaximandro) e o fogo (Heráclito) foram considerados neste sentido.

Em sua juventude, Pitágoras viajou muitas vezes até a Jônia, e teve um contato estreito com alguns dos filósofos da época. Assistiu às palestras públicas de Anaximandro e buscou contato com Tales, que era considerado um dos 7 Sábios da Antiguidade. Essa convivência marcou profundamente seu pensamento filosófico.

Pitágoras também buscou a Arké - não na água, ar, fogo ou Apeiron - mas nos Números. Ele foi matemático e estudioso de Geometria, mas considerava o número matemático - como o conhecemos - somente um traço externo de um elemento muito mais profundo - o Número Sagrado. Quando ele diz: “Todas as coisas são números”, ele mostra o Número como um Princípio Universal e Divino, fonte de toda a realidade.

Theon de Smyrna fala sobre o Uno a partir da visão de Pitágoras:

“O Uno é o princípio de todas as coisas, e o mais dominante de tudo o que é; todas as coisas emanam dele, e ele não emana de nada. Ele é indivisível e todo-poderoso; ele é imutável, e nunca se afasta de sua própria natureza através da multiplicação (1 x 1 =1). Tudo o que é inteligível e ainda não criado existe nele: a natureza das Idéias, Deus Ele mesmo, a Alma, o Belo e o Bom, e toda essência inteligível, como a Beleza em si, a Justiça, a Igualdade, pois concebemos cada uma destas coisas como sendo Uma e existindo em Si mesma”.

Afirma ainda:

“...Pode-se ver a natureza do número e sua potência em atividade, não só nas coisas sobrenaturais e divinas, mas ainda em todos os atos e palavras humanos, em qualquer parte, em todas as produções técnicas e na música.”

Pitágoras elaborou um método em que utilizava os Números para representar qualidades e idéias abstratas. Acreditava que uma mente purificada podia entrar em contato com esse conhecimento simbólico e divino contido nos Números. Nas Escolas de Conhecimento que fundou, primeiro em Samos, sua cidade natal, e mais tarde em Crotona, uma cidade colonizada pelos gregos no sul da Itália, Pitágoras desenvolveu, não só uma teoria de conhecimento sobre os Números, mas também um sistema de vida, com rituais de purificação e iniciações, que preparasse seus discípulos para se colocarem em harmonia com os Números e compreende-los.

Acreditava ainda que havia uma ordem no universo, e utilizou a palavra Kosmos (“mundo ordenado”), para refletir este conceito. Ela está também implícito numa outra afirmação de Pitágoras que chegou até nossos tempos: "Deus geometriza.”

Dessa forma, os pitagóricos estudavam, não só a Matemática, mas também a Geometria, pois tentavam representar essa ordem cósmica através de diagramas geométricos.

Grande parte desse conhecimento se perdeu, não só pelo voto de silêncio que seus discípulos faziam a respeito do que lhes era ensinado, mas também porque a sua transmissão era oral, e muito pouco foi escrito, restando apenas pequenos fragmentos destes textos (alguns autores questionam até mesmo se Pitágoras deixou algo escrito). Mas estes, assim como os relatos de filósofos posteriores a Pitágoras - como Jâmblico, Diógenes Laêrtius, Porfírio, Aristóteles, e seu discípulo Filolau, além do conhecimento preservado por algumas sociedades pitagóricas secretas que existem até hoje - são a base fundamental para que os atuais pesquisadores possam resgatar os seus ensinamentos

Finalizo com uma estória relatada por Cícero, que descreve como Pitágoras criou e utilizou pela primeira vez o conceito de filósofo. Em visita a Leão de Fliunte, importante governador helênico da época, este lhe perguntou que arte ele mais conhecia. Pitágoras respondeu que nenhuma, mas que era filósofo. E, para explicar o que isto significava, comparou a vida às Olimpíadas, dizendo que alguns iam para lá em busca da notoriedade que as competições podiam trazer; outros, com o objetivo de comprar e vender, buscando o lucro. Mas havia ainda aqueles que iam apenas para observar como as coisas aconteciam. Da mesma forma, muitos buscam na vida a fama e os aplausos; outros vêm em busca de riqueza e bens materiais. Mas há alguns que querem, acima de tudo, contemplar e compreender o universo. Esses são os filósofos - os amantes da sabedoria.


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Sonia Weil é é professora de Comunicação Social e pesquisadora na área de Numerologia, onde atua com consultas, cursos e palestras desde 1986. Realiza também palestras e workshops sobre a Lei da Atração (do filme O Segredo) em empresas e institutos esotéricos.
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