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A estrela de Belém e a chegada dos Reis Magos


Recentemente esteve visível no céu o cometa Leonard. Um cometa que é um corpo celeste gelado e gasoso, é um astro que se desloca no céu e deixa atrás de si um lastro de luz. Sua passagem pode ser rápida ou durar alguns dias ou semanas. Porém, teria sido um cometa a guiar os reis Magos até o local onde o Menino Jesus nasceu?

O texto do Evangelho de Matheus foi provavelmente redigido no ano 90 D.C. ou seja, cinco anos após aquele de Lucas e 25 anos após aquele de Marcos e quase um século após o nascimento de Jesus. Fragmentos desse texto foram encontrados após quase 100 anos de sua redação. E somente esse texto narra a aparição de uma "Estrela"! Segundo Lucas, foi um Anjo que anunciou o nascimento de Jesus a um grupo de pastores. Então o que podemos deduzir ao ler a narração de Matheus que se encontra inclusive no Evangelho Apócrifo de João? Sabemos que um astro foi mencionado nas escrituras por uma visão de Balaam (Números, 24.17) e foi interpretado com a provável indicação do nascimento de um messias.

Mas primeiramente devemos nos perguntar: quem eram os Reis Magos? Eram Reis? De onde vinham? E que idade tinha essa criança quando eles chegaram em Belém? E qual era realmente a natureza desse astro? Em que posição ele se encontrava no céu?
Eu não creio que a descrição de Matheus seja somente uma lenda sem fundamento real, ou seja, sem fundamento astronômico ou astrológico e ainda preciso salientar que naquele tempo, astrologia e astronomia eram uma arte só. Além disso, que intenção teria Matheus ao inventar isso? Seria para convencer os romanos que o seu relato era verdadeiro? Que realente tinha nascido um ser extraordinário anunciado por uma estrela? A meu ver, esse relato era primeiramente destinado aos próprios judeus e ainda a certas classes desse povo e fazia referência a certas imagens e valores que poderiam suscitar um sentindo especial para eles. Quais seria esse sentido?

Os magos, que se tornariam "reis" bem mais tarde na imaginação popular, eram na realidade homens sábios, eram estudiosos e astrólogos! Os tradutores dos textos antigos concordam sobre isso. Alguns deles evocaram os Caldeus por causa de seu conhecimento astrológico, ou dos Persas em ração da natureza messiânica de alguns seguidores do Zoroastrismo. E outros chegaram a evocar também os exilados que pertenciam à diáspora judia.

Segundo o texto de Matheus, essa criança acabara de nascer: isso significa que ou ele é um recém nascido e portanto os astrólogos não poderiam vir de muito longe, no máximo teriam viajado algumas semanas ou alguns meses, ou seja o tempo suficiente por alguém que poderia chegar da Babilônia, por exemplo. E os Magos deveriam estar muitos motivados para percorrer uns mil e quinhentos quilômetros para visitar um recém nascido que se tornaria um "rei". Deduzimos que o acontecimento astronômico que motivou essa viagem deve ter sido de uma importância considerável. No entanto, não encontramos nas tábuas babilônicas nenhum sinal desse acontecimento particular naquele período, e nem encontramos em tempo aproximado um acontecimento astronômico como uma conjunção ou um alinhamento ou outro fenômeno de grande importância. E nem teriam um outro interesse qualquer, pelo que deduzimos, para influenciarem o destino daquela região de Amarru, região do oeste da topologia Babilônica. Então, a questão crucial é a seguinte: Que interesse teriam esses astrólogos e sábios caldeus para influenciarem o destino do povo judeu?

No entanto, se esses sábios eram judeus, membros da diáspora e em contato com os sábios autóctones, a questão da decolagem entre o nascimento da criança e a sua chegada a Jerusalém continuaria válida. Então qual seria a real importância de descrever um astro que indicaria o futuro rei dos judeus? Eles teriam a necessidade de corroborar o nascimento do rei dos Judeus. E então, era ou não um cometa que os guiou até a choupana onde nasceu Jesus?

Várias foram as hipóteses levantadas por estudiosos astrólogos ao longo dos séculos!
A aparição de uma Vênus numa especial posição no horizonte, algo que ela faz a cada 8 anos formando uma estrela de cinco pontas, seria uma delas, mas que não seria nada de excepcional como manifestação astronômica. O cometa de Halley, um cometa brilhante, mas que foi visível no céu somente no ano 12 D.C. Ou ainda uma conjunção ou alinhamento planetário. Algumas variantes foram consideradas como um eclipse de Júpiter causado pelo alinhamento da Lua a Júpiter, fato que ocorreu entre 20 de março e 17 de abril de 6 anos A.C. Esta última é uma hipótese do astrônomo Michael Molnar que é bastante considerada pelos especialistas pois corresponderia a uma correção para o nascimento de Jesus conforme um calendário anterior que havia sido elaborado pelo monge Dionysius Exiguus. Essa versão não é aceita por vários autores, entre eles os astrônomos Percy Seymour e Mark Kidger pois as ocultações de Júpiter pela Lua são bastante comuns e aquelas que aconteceram no ano 6 A.C. foram praticamente invisíveis.

Portanto, qual seria a condição deste astro brilhante no momento do nascimento e no momento da chegada dos astrólogos no local? Eles declaram: "Nós vimos o seu astro ao seu nascer" o que significa que ele ainda estaria no céu?
A conjunção do ano 7 A.C.

O astrônomo Johannes Kepler (1571-1630) pensava que a estrela citada pelos magos fosse uma Estrela nova, (uma estrela em formação) similar àquela que ele havia observado em 1604. No entanto também havia notado a coincidência com outro fenômeno: a conjunção entre Júpiter e Saturno que também havia observado em 1604, e deduziu que a primeira conjunção teria uma analogia com o nascimento do Cristo (e o nascimento do cristianismo) e a segunda com o a Reforma do cristianismo. Júpiter sempre teve analogia com os reis, as coroações. E Saturno indicaria então a chegada do rei feito carne? A analogia feita por Kepler lembra aquela feita com os grandes ciclos planetários dos 3 planetas lentos (Urano, Netuno e Plutão) e que são usados pela astrologia moderna para considerar os grandes acontecimentos mundiais. Afinal, a hipótese da conjunção Júpiter/Saturno que aconteceu 7 anos antes da data considerada como sendo do nascimento de Jesus parece ser plausível visto serem os dois planetas os maiores do nosso sistema solar e serem visíveis a olho nu! Mas a data de 25 dezembro seria ela exata?

Algumas datas mais foram levantadas por estudiosos: o 22 de agosto do ano 7 A.C. , a noite, foi proposta primeiramente por John Addey (1920-1982). Outro astrólogo, o alemão Walter Koch(1895-1970) afirma ser o dia 17 de setembro do ano 7 A.C. no ocaso do Sol. Konradin Ferrari d'Occhieppo (1907-2007), astrônomo austríaco, afirma ter sido no dia 15 de setembro no final do dia e essa data é confirmada por David Hughes (astrônomo - 1941- ) que seria a mais astronomicamente fundada: ou seja, o messias teria nascido no dia 15 de setembro do ano 7 A.C. por volta das 17h45, quando da conjunção exata de Júpiter com Saturno no signo de Peixes. Essa hipótese também foi confirmada recentemente por Percy Seymour.


Esse seria o mapa do nascimento de Jesus.

Porque, então consideramos o dia 25 de dezembro? Porque essa data foi instituída pela Igreja Católica que procurava uma data para substituir os festejos populares que aconteciam por volta de 21 de dezembro quando acontece o Solstício de Inverno no Hemisfério Norte. Todos os povos da antiguidade, inclusive os romanos, procuravam agradar aos deuses para aclamar o retorno do Sol. Os romanos entre os dias 17 e 23 de dezembro festejavam as Saturnálias, com danças e rituais dedicados ao Deus Saturno que era o protetor das colheitas e da terra e era o protetor de Roma. O cristianismo incorporou muitos festejos pagãos às suas cerimônias ao longo dos séculos.

Para concluir, lembro que o dia 6 de janeiro é considerado também o dia dos Astrólogos pois são eles os estudiosos dos céus! Ao pesquisar os acontecimentos astronômicos, os astrólogos lhe conferem um significado sagrado porque ao ler os hieróglifos que Deus desenha sobre as nossas cabeças, consideram que ele, o Criador, estaria nos enviando os recados dos quais precisamos para nos orientar e guiar na nossa caminhada na Terra.

Concluo convidando os meus leitores a estudar astrologia! Como não ficar fascinados com os inúmeros ensinamentos que o estudo das estrelas nos propicia? Somente o conhecimento nos liberta! Ao caminhar sob um céu estrelado não há como não se perguntar: quem criou essa magnificência?


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Graziella Marraccini é astróloga, taróloga, cabalista e estudiosa de ciências ocultas e dirige a Sirius Astrology. Conheça meus serviços on-line
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