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A ancestral inteligência presente em todos nós

por Luís Vasconcellos
A ancestral inteligência presente em todos nós
Publicado dia 05/08/2020 00:01:39 em Psicologia

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Eu entendo que a inteligência não foi criada pelo homem e, sim, descoberta pelo homem.
Ela estava lá, pronta para ser exercida como possibilidade e, no momento em que esta começou a ser exercida pelos antigos ancestrais, ela cresceu e se desenvolveu. Primeiramente, em ferramentas úteis, táticas de caça e de guerra, habilidades como a agricultura e a construção de abrigos e, mais recentemente, em um começo de articulação de sons que os ancestrais já podiam usar (apenas uns 10000 anos atrás) descobrindo um conjunto de típicos sons, possíveis a todos, que se tornaram uma linguagem verbal de comunicação.

Desde então, o entendimento entre os homens se tornou ainda mais possível (apenas uns 5000 anos atrás), pois surgiu a linguagem escrita. Os ancestrais que começaram as descobertas da linguagem verbal (e posteriormente da escrita) tiveram, sem dúvida, o sonho de que esta acabaria por diminuir a distância entre os homens e propiciaria o entendimento e o acordo. Primeiro saíram do silêncio e, depois, atravessaram as barreiras em busca da comunicação, da comunhão de significados e do entendimento, do conhecimento e da sabedoria.

Estes homens e mulheres, se vivessem hoje, descobririam que a comunicação escrita e verbal se tornaram a principal atividade racional humana e, no entanto, a qualidade do pensamento e do entendimento não evoluiu tanto quanto a capacidade de articular sons e de transcrevê-los em sinais escritos. De fato, fala-se muito, fala-se sem parar, escreve-se muito, escreve-se sem parar, mas a capacidade de perder tempo com besteiras sem significado (ou importância) é realmente inesgotável. Nenhum ancestral esperançoso podia imaginar a falta de sentido ou relevância da comunicação humana diária.

As oportunidades de dar significado individual e pessoal ao que se fala ou escreve está acessível a todos, mas o empenho em dar qualidade e conteúdo ao que fala ou escreve está ausente na maioria das criaturas viventes capazes de falar e escrever. No mais das vezes predominam as generalidades convencionais daquilo que se fala, pensa-se, escreve-se, faz-se e se é. Excluindo-se aqueles que treinam (e "ralam") para pensar, escrever ou falar, a grande maioria apenas repete uma "lenga-lenga" de palavras ditas ao vento, imitadas de alguém que as pensou e concebeu.
Aqueles ancestrais nossos, que acreditavam que o pensamento exercitado ao extremo iria aumentar a Consciência (de si mesmos) para todos os homens. Aqueles "antigos" escreviam e falavam, provavelmente na esperança de comungá-las com a posteridade ou mesmo com os mais próximos.

Hoje, a comunhão verbal existe e sempre assim será, pois comungamos desde crianças os códigos de linguagem, mas o desentendimento, as conversas de surdos (todo mundo fala, mas ninguém ouve ninguém), os testemunhos intermináveis de experiências particulares, que não têm relevância para os outros, toma conta de todas as conversas, nas quais todos falam assuntos declaradamente pertinentes enquanto ninguém ou quase ninguém está realmente aberto para comungar significados e experiências com os outros.
No mais das vezes, os homens e mulheres atuais vivem em uma espécie de ilha cercada de defesas de todo tipo e adoram comunicar-se à distância com os demais, sem realmente experimentar aquele entendimento e compreensão antes desejados pelos ancestrais.

O que aconteceu no meio do caminho? Bem, uma das grandes descobertas do ser humano foi o exercício do pensamento autônomo e o exercício de uma separatividade frente os instintos e à natureza de modo geral. Alguém podia chamar isso de "ego humano" ou de "ego racional" e, então, teríamos mais uma palavra pra dizer por aí.
Em uma discussão típica alguém poderia usar uma variação corriqueira desta palavra e diria: V. é egocêntrico!" e o outro diria: "V. é que é!",ou então: "Vc só pensa em si mesmo!". Ao que o outro responderia: "V. só olha pro seu próprio umbigo!". E o resultado é que, apesar de haver boas palavras para tudo, o entendimento continua faltando ou até mesmo distante.

Nossos ancestrais ficariam muito decepcionados com a visão da realidade atual. Estes poderiam diagnosticar que o homem passou a usar a inteligência que descobriu, mas não aprendeu a pensar, não desenvolveu a possibilidade de uma consciência de si mesmo e se perdeu em um mar inesgotável de "falação e escrivinhamento" sem sentido e, no mais das vezes, inútil.

Outra coisa inimaginável para eles seria essa pressa, essa aceleração, essa correria desenfreada que às vezes sai do nada para chegar a lugar nenhum. Nesta aceleração e automatismo, quase todo mundo está falando e escrevendo, usando caracteres que denotam o que pensam, mas o símbolo máximo de sua presença neste mundo pode estar ausente: a sua consciência! Aquela capaz de um pensamento próprio. A "presença organizadora", que pode encontrar um sentido e um objetivo no universo de sensações e percepções desencontradas e caóticas. Aquela que pode desenvolver um filtro eficaz para tudo aquilo que vale a pena, assim como para tudo que não valha a pena... A "presença" que pode discriminar e autenticar um sentido (pessoal e intransferível) em tudo que olha e vê. A presença que pode fazer a diferença neste mundo de mesmice e repetição.

Entendo que a inteligência não se resume em conseguir decodificar o significado do que é falado e escrito e, sim, aquela que consegue entender mais humanamente o que se falou, aquela que consegue compreender e relativizar o conteúdo daquilo que se ouve, aquela que consegue contextualizar o que é pessoal (porém do outro!), aquela que consegue distinguir os exageros e a falta de maturidade quando a encontra, aquela que identifica os pontos radicais e conflitivos na fala e na escrita dos outros. E, acima de tudo, aquela que perdoa e releva.

A consciência individual (e pessoal) é aquela faculdade que consegue identificar (e compreender) o não-verbal no meio do verbal, aquela que lê os silêncios no meio da escrita, aquela que desvela o não-verbal em meio à falação desenfreada.
O que me deixa estupefato é a constatação de que a inteligência foi descoberta e, no entanto, o uso dela ainda é raro. O ser humano evoluiu tecnicamente, desenvolveu mais e mais ferramentas de caça e de guerra, mas não evoluiu ética ou moralmente.O autoconhecimento continua ausente da maioria das consciências materializadas e o entendimento, a experiência de comunidade entre os homens, permanece distante como antes. Desenvolveu-se, isto sim, um determinado tipo de inteligência linear e racional - talvez apenas intelectual - e outros tipos de inteligência mais aliadas à sensibilidade "empacaram" no meio do caminho.
O que dizer da percepção estética, senão que ela, a experiência da harmonia entre as partes ou o senso do equilíbrio constituem capacidades que não podem estar ausentes de uma "inteligência verdadeiramente humana".
A paz e entendimento sonhados com tanta maestria e sabedoria por nossos primeiros ancestrais pensantes não se materializou tanto quanto se poderia imaginar, naqueles tempos em que um novo universo de possibilidades e alternativas humanas tenha sido descoberto: o do pensamento autônomo e o do uso da linguagem verbal/escrita.

Em cada um de nós está escondido o ancestral que pensou e imaginou ser -plena e completamente- uma consciência e presença inteligente na face da Terra. Cabe a cada um de nós, abrir um diálogo com o cérebro ancestral (mais antigo que a córtex cerebral) e desenvolver um diálogo com estas capacidades hoje adormecidas e ouvir suas ponderações, dando a ele, o ancestral que sempre residiu dentro de nós, cada vez mais, uma participação em nossos pensamentos conscientes e na formulação daquilo que escrevemos ou falamos. Dar a ele uma voz e uma escrita é se abrir para ser um caminho de expressão de si mesmo.
A inteligência não está limitada no tempo e no espaço. Ela não está nem dentro nem apenas fora de nós. Ela está em tudo e em todos. Cabe a nós filtrar o irrelevante, o sem sentido, o sem valor, de tudo que nos chega, na descoberta e encontro com algo que, de tão natural e essencial, dispensa palavras e se acomoda perfeitamente no silêncio.



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Sobre o autor
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Luís Vasconcellos é Psicólogo e atende
em seu consultório em São Paulo.


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