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Ciúme, o inferno do pseudo-amor possessivo - Parte 2

por Luís Vasconcellos

Ciúme, o inferno do pseudo-amor possessivo - Parte 2

A interdependência entre o Controlado e seu Controlador

Esta reflexão visa abordar o ponto de vista do companheiro(a) do ciumento, que geralmente se descreve apenas como uma "vítima" do ciúme alheio. Em verdade, ambos estão em um tipo de contrato, pois assim como
1- um típico controlador precisa de alguém do tipo "controlável",
2- alguém que se aceita controlado precisa de alguém que seja controlador, um comandante que exerça este tipo de função...
Então, quando pensamos que todo relacionamento é invariavelmente construído por contratos e, no mais das vezes, contratos inconscientemente estabelecidos, então o ciumento e o alvo do ciúme vivem sob algo assim como um contrato.
São carências que se complementam e que somadas criam o inferno no relacionamento. Neste caso, assim como em muitos outros tipos de complementariedade, algoz e vítima se confundem para quem consegue perceber como atuam as Polaridades na vida humana e relacional.
O(A) companheiro(a) do ciumento pode ser alguém que também teme ser abandonado, mas age de modo passivo e submisso diante deste fato, enquanto que o ciumento típico é ativo e age sobre o outro para controla-lo e mante-lo sob seus domínios.
Estas polaridades - a Ativa e a Passiva - surgem como uma complementação e compensação entre os dois.
As pessoas são atraídas para seus opostos em uma busca de tornarem-se completas, ao menos buscam isso e quanto a isso não resta dúvida.
Em realidade, temos que nos render ao fato de que, nos casais humanos de todo tipo, existem também os "contratos negativos" e existem relacionamentos com bases em aspectos nada saudáveis dos envolvidos.

Um relacionamento maduro pressupõe o desenvolvimento de cada um, como individuo completo e independente, para além de suas histórias familiares e na superação de seus "passados vividos."
Muito importante lembrar: O outro, (o(a) companheiro(a), merece que vc o(a) encontre, a ELE(A), e não aos fantasmas do seu passado projetados nele(a).
Um ciumento típico tem uma história e nela ele foi - com alta probabilidade - "passado pra trás", rejeitado e se sente invalidado. Um ciumento típico está tão dominado por seus sentimentos de rejeição, que nem mesmo tem o outro como foco de seus pensamentos e atenções, seu único foco está em si mesmo. Pois é... ser alguém tipicamente ciumento afasta, separa, quebra vínculos, enfraquece os elos de união, empobrece os sentimentos como o amor, o respeito, a consideração pelo bem estar do outro, que, ao ciumento não parece importar, tão preso que está aos seus ameaçadores medos de perda, rejeição e abandono.

E quem vive sofrendo por isto na relação com o outro faz o que? Bem, o "outro lado da moeda" podem haver conflitos de outro tipo, porém complementares.
Cria-se aí um contrato emocional extremamente intenso e negativo, porém os envolvidos nem sempre percebem isso como negativo e a ilusão de que isto seja alguma forma de amor ou algum modo de demonstrar que o outro tem valor para si, obscurece a verdadeira natureza do vínculo, que é negativa...
Fazer os casais conscientizarem esta complementariedade é o primeiro passo na terapia de casais com este tipo de desequilíbrio.

Caso o companheiro do ciumento pague o preço de correr atrás de seu valor e sentido na vida, verá que, na verdade, para o ciumento, ele nunca existiu de fato, só existiu aquele(a) "outro(a)" que o ciumento construiu com suas fantasias de rejeição e abandono. Na prática, ninguém erra muito se concluir que o ciumento não conhece muito bem a pessoa que com ele está - demonstrando isto especialmente no auge de suas crises de insegurança e rejeição.

Mas é justamente aí que reside o problema e a solução, pois o ciumento se vê atraído e apaixonado - para sua própria desgraça e sofrimento - por alguém que não suporte ficar ou existir sozinho e, aí, fecha-se um círculo vicioso que estreita e aperta os nós que prendem um ao outro.
Pior do que um ciumento desejar
1- alguém sem vida própria e
2- que ele possa controlar é
3- alguém entender, isto que o ciumento faz, como expressão de que se importa e que ama o alvo de seu ciúme...
Em verdade, a Insegurança de perder o outro os une, mas o(a) companheiro(a) do ciumento geralmente não é alguém possessivo no sentido literal, ele pode ser alguém que mantém o domínio sobre o outro de modo passivo, desapercebido, através de jogos dissimuladores. Daí, por conta de suas próprias inseguranças, ainda que ele(a) não procure controlar (explicitamente) a vida do outro, o resultado é que ele vive cheio de temores de perder, temores da solidão e talvez se guie pelo ditado : "ruim com ele(a), pior sem ele(a)". Talvez passe por sua cabeça os pensamentos: "Se não tenho de fato uma companhia, um companheiro(a), pelo menos tenho alguém ao meu lado e que parece dar importância a mim".

O(a) companheiro(a) de um ciumento típico tem também um tipo de missão psicológica para ser cumprida, pois ele(a) sofrerá muito diante da verdade: ele(a) tem que se render ao fato de que já está sozinho, se sente só e desacompanhado, ao lado de alguém que só tem olhos para seu próprio umbigo e só se importa consigo mesmo e com os próprios temores, que nunca cessam. A atenção redobrada que um ciumento típico promove sobre o outro, parece servir também para construir, para o alvo do ciúme, uma sensação/ilusão do tipo: "alguém se importa muito comigo" ou então "sou importante para alguém".
Não por acaso, é justamente de uma real solidão, que o(a) companheiro(a) de um ciumento típico pode estar fugindo.
Cada qual tem motivos diferentes para viver neste contrato, o ciumento é ativo e não quer perder. Seu companheiro(a) pode ser, p.ex., alguém muito carente de atenção...
Há problemas e estes são solucionáveis e existem conflitos, estes são insolúveis. Vou chamar aqui de "conflito insolúvel" aquele construído por aquelas pessoas que não admitem estar nele e preferem aparentar não necessitar ajuda para superar seus problemas... Infelizmente, estas pessoas existem em ambos os lados de um "conflito insolúvel". Os conflitos deste tipo se baseiam em complementariedades típicas... Para um controlador, um controlado; para um possessivo um possuído; para um ativo, um passivo...
O meu exagero é aqui proposital e deve-se ao fato de que não posso saber o grau de negatividade que cada pessoa pode estar nutrindo,. No mínimo, a descrição deste quadro conflitivo, deve servir como advertência...
Um ciumento típico é totalmente cego para as conseqüências do que entrega e do que provoca no relacionamento e quem devia denunciar este triste estado das coisas geralmente não o faz, possivelmente por estar também perdido de si mesmo, por razões outras e complementares, mas ainda assim igualmente perdido em um relacionamento. Muitas vezes esta sensação vem após breve espaço de tempo, sobrando apenas obrigações e deveres de um para com o outro.

Em nenhum sentido o quadro aqui descrito é uma coincidência e sim fruto da ação de Polaridades no momento em que se construiu inconscientemente o contrato.

Quando, na terapia, um casal começa a desanuviar sua vida de relação e tomar consciência do que se passa entre eles, acaba por descobrir a natureza do jogo no qual ambos estão envolvidos e a compreensão assim atingida começa a fazer a diferença. Então vemos que os sentimentos positivos existiam, porém estavam obscurecidos e vencidos pelos conflitos.

As pessoas encontram no relacionamento não apenas a satisfação sexual, emocional ou material, mas buscam a possibilidade de viver um equilíbrio e
harmonia com o outro. No entanto, isso tem uma exigência psicológica: faz-se necessário o desenvolvimento de uma consciência de si mesmo. Sem Consciência de si próprios não há esperança de atingir e realizar suas possibilidades e talentos pessoais. Portanto, há salvação para aqueles que lutem e usem suas consciências para evoluir e aprender para além do seu problema de insegurança e controle.



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Luís Vasconcellos é Psicólogo e atende
em seu consultório em São Paulo.

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Publicado em: 22/03/2018 10:12:13

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