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Devemos ter gratidão no coração


Quando resolvi escrever sobre Gratidão fui pedir ajuda ao nosso amigo “Aurélio”. Ele nos diz:

Gratidão. s.f. 1. Qualidade de quem é grato. 2. Reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento, reconhecimento.

Dentro da psicologia, apenas quando desenvolvemos a capacidade de ter gratidão conseguimos estabelecer troca de amor nas relações. Porque gratidão é capacidade de reconhecer que alguém nos deu algo generosamente.
Em que momentos nos percebemos gratos? Quais benefícios reconhecemos como tais e agradecemos?

Normalmente apenas agradecemos aquilo que consideramos positivo e a nosso favor, e que, realmente, nos beneficiou de alguma forma objetiva. Quando não conseguimos o que queremos maldizemos a sorte ou a pessoa que não nos quis dar o que requisitamos. Quanta lamúria e quanta culpa jogada nos ombros dos outros ou das situações!
Esquecemo-nos que estamos no caminho do crescimento e da evolução. Esquecemos que viver dá trabalho. Esquecemos que “virar gente grande” exige-nos auto-responsabilidade e que tomemos para nós a direção da nossa própria vida.

Deus... coitado... deve estar com dor de ouvidos de tanto ouvir lamúrias e pedidos. A pessoa pede ajuda a Deus, faz promessa, procura seguir seus ensinamentos, tudo para conseguir d´Ele alguma graça ou que a sua vontade seja feita, sim... que a vontade da própria pessoa seja feita.
Aí quando a pessoa consegue o que “pediu” vai lá “agradecer” a Ele; se não consegue, lá vai a pessoa se lamuriar e pedir de novo. Deus não tem nada a ver com os equívocos e mal entendidos que fazemos aqui na Terra.

Deus nos deu livre arbítrio! Isto significa que temos liberdade de escolha. Ter liberdade de escolha significa pagar o preço pelas escolhas que fazemos; significa assumir as conseqüências de toda e qualquer atitude que tomemos. E para que usemos sabiamente o nosso livre arbítrio devemos, antes de mais nada, ter gratidão no coração.
Devemos, primeiramente, agradecer a Deus por nos ter dado a Vida e seu Sopro Divino que nos dá a inteligência – o que nos distingue dos outros seres vivos.

Todo ser vivo tem a inteligência que leva à perpetuação da espécie, mas nós, seres humanos, somos o único ser vivo que consegue dar significado para a própria vida, o que nos leva à evolução, que vai além da simples adaptação ambiental e subsistência.
Ter a inteligência que nos faz distinguir situações e dar-lhes significados permite-nos fazer escolhas – se queremos ou não viver tais situações. Isto é livre arbítrio.

Devemos agradecer aos nossos pais terrenos, que nos deram seus genes, nos geraram e cuidaram de nós para que sobrevivêssemos no início de nossa existência. Pois, é bem sabido que se não houvesse alguém nos amando não sobreviveríamos vinte e quatro horas! Alguém nos amou, nos protegeu e cuidou da nossa sobrevivência logo que ao nascer. Então, devemos ser gratos a essa ou essas pessoas.

Devemos ser gratos às pessoas que no decorrer de nossa vida nos deram seu amor, sua amizade e que, de alguma forma, apostaram em nós.

Devemos ser gratos àquelas pessoas que perderam seu tempo nos ensinando alguma coisa – qualquer coisa – que nos foi útil dentro do nosso processo de desenvolvimento, só porque gostavam de nós.

Até aqui é fácil tornarmo-nos gratos e agradecer do fundo do coração a ajuda, orientação ou o amor recebido. Porém, o benefício recebido nem sempre vem de acordo com que nosso ego deseja!
Entretanto, também devemos ser gratos quando não recebemos a ajuda que precisamos, o que nos levou a lutar com grande dificuldade – muitas vezes, sozinhos – nos desdobrando em dois, três... muitos... até conseguir o que queríamos. Nesta situação buscamos forças, só Deus sabe de onde, mas, conseguimos! E, acabamos por nos descobrir criativos, fortes e corajosos – qualidades que nem imaginávamos que tivéssemos.

Devemos ser gratos àqueles que não só não apostaram em nós, como também mostravam com escárnio ou desdém (às vezes, implícito) o descrédito sobre a nossa capacidade ou sobre a nossa pessoa.

Isto exigiu sempre uma força interior tremenda e uma crença gigantesca em nós mesmos; e apesar de ter momentos em que fraquejávamos – mas, só por um momento – para em seguida, nos levantar e seguir em frente, pois buscávamos (e encontrávamos!) a fé sobre nós – que tanto precisávamos – em nós próprios.
E acabamos assim por descobrir que nós estávamos certos sobre nossos sonhos e projetos.
Eu sempre digo que passar por uma situação difícil qualquer não é para que simplesmente soframos, mas sim para que a resolvamos; para isto temos que buscar recursos internos – às vezes esquecidos, às vezes, até mesmo, desconhecidos de nós próprios – e usá-los para enfrentar e resolver tal situação.

Os erros que cometemos ou as situações difíceis em nossa vida são possibilidades de ajustar as coordenadas para que possamos ir redirecionando o caminho que percorremos até que possamos alcançar nossas metas de vida.

Por isto, ter gratidão no coração é saber olhar a vida – sempre – como possibilidade de crescimento e evolução e agradecer à vida como tal. Nem sempre a oportunidade de crescimento e evolução vem fácil, facilitada. Muitas vezes somos testados! Então, precisamos buscar nossas forças, lá no fundo da nossa essência (onde está a centelha divina!) e apostar que somos maiores que aquela situação que se nos apresenta. Se a situação está difícil devemos ter claro para nós mesmos que somos maiores e que temos força interior suficiente – e muito mais – para superá-la.
E ter gratidão no coração é saber receber o que a vida nos dá, seja bom ou ruim.
O que é bom devemos nos dar ao direito de usufruir e o que é ruim devemos buscar dentro de nós a capacidade de transformá-lo.

Portanto, devemos ter gratidão no coração a priori - pois tudo, seja bom ou ruim – está a serviço do nosso crescimento e desenvolvimento como indivíduos, proporcionando expansão e ampliação de consciência sobre quem somos.


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maria
Maria Aparecida Diniz Bressani é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana,
especializada em atendimento individual de jovens e adultos,
em seu consultório em São Paulo.



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