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Dúvidas do cotidiano - Parte 3

Dúvidas do cotidiano - Parte 3

por Flávio Gikovate

Vivemos em uma sociedade na qual o valor de uma pessoa é medido por sua condição financeira. Uma pessoa é tida como bem-sucedida quando ganha bem. Ela só é respeitada por amigos e parentes quando está bem de vida – o que, estranhamente, significa estar bem de dinheiro! Será que existe um modo da pessoa se sentir feliz, com boa auto-estima e orgulhosa de si mesma sem ter muito dinheiro?
Resposta: É uma triste realidade essa de que somos avaliados por nossa situação econômica. Mais triste ainda é percebermos que nós mesmos nos julgamos dessa forma! Ou seja, quando não estamos bem de “grana” nos sentimos inferiorizados e deprimidos. Se temos uma profissão liberal, nosso humor dependerá de quantas pessoas nos telefonarem procurando nossos serviços. Se temos um comércio ou restaurante, nossa disposição no fim do dia dependerá do faturamento diário. É trágico, mas é assim mesmo que temos vivido. A influência dos valores sociais sobre nós é muito maior do que gostaríamos. Para diminuir um pouco essa dependência da opinião alheia e também da nossa condição financeira, temos que nos tornar bastante mais atentos e preocupados em construir uma história de vida própria, fundada em valores humanos mais consistentes. Sim, porque muitas das pessoas que conseguiram ótima condição material não agiram de forma ética, de modo que não deveriam se orgulhar, como é o habitual, do que possuem. Não estou subestimando o valor do dinheiro como meio de acesso a bens materiais que podem ser motivo de prazeres interessantes. Porém, temos que nos tornar pessoas mais livres, ou seja, deixarmos de ter nossa auto-estima vinculada à nossa conta bancária.

As pessoas comentam que a paixão, aquele estado inicial do encantamento amoroso no qual o coração bate forte e tudo parece fascinante e assustador ao mesmo tempo, corresponde ao período mais interessante do relacionamento amoroso. Depois, com o passar do tempo, tudo tende à rotina e a uma certa monotonia já que a intensidade do amor diminui. É mesmo assim que as coisas acontecem?
Resposta: Penso de um modo diferente sobre o amor e a paixão. Acho a paixão uma condição dolorosa e na qual passamos muito medo: medo de perder aquela pessoa que, apesar de mal conhecermos, se transformou em essencial para nosso bem estar e felicidade; medo também que a relação evolua, condição na qual os compromissos mais sérios podem não estar nos nossos planos para aquele momento da vida; enfim, medo de um grande sofrimento, já que toda constituição de um elo é o embrião de uma possível ruptura! O amor, condição que se segue, corresponde a uma situação na qual os medos diminuíram muito tanto porque já conhecemos melhor o amado e desenvolvemos alguma segurança no relacionamento como porque já aceitamos de nos comprometer. Assim, paixão é amor + medo. Com o fim da paixão, vai embora o medo e o amor se mantém igual. Com o fim da paixão, acaba o “filme de suspense” e começa o filme de amor, mais calmo, mais doce. Amor é paz e aconchego ao lado de uma outra pessoa. Não é monótono e nem chato, mas é “só” isso. Acho ótimo que seja assim. Acho que temos que aprender a buscar nossas emoções mais fortes em outras áreas ao invés de tumultuarmos nossas relações amorosas. Vivenciamos tensões fortes e grande incerteza na vida prática, no trabalho, nos esportes etc. No amor, devemos buscar nosso “porto seguro”, adorável se houver companheirismo e afinidades intelectuais, além, é claro, das deliciosas sensações que as trocas de carícias eróticas determinam.

Sendo verdade que todos nós somos vaidosos, como explicar a existência de pessoas que, mesmo tendo ótima condição financeira, vestem-se de forma totalmente displicente, desleixadas mesmo? Não seriam elas criaturas que foram capazes de superar essa preocupação em chamar a atenção e atrair olhares de admiração sobre si?
Resposta: Gosto muito de pensar que a vaidade, esse prazer erótico que sentimos de atrair olhares de admiração e desejo, corresponde a um ingrediente da nossa sexualidade que, um dia, seremos capazes de domesticar. Acho que seríamos muito mais felizes, pois nossa competitividade – e com ela a inveja – diminuiria muito, se é que não desapareceria. Poderíamos ser criaturas solidárias, amigas e nos preocuparíamos muito menos com o que as outras pessoas pensam a nosso respeito. Se fôssemos verdadeiramente livres da vaidade, teríamos menos preocupação em chamar a atenção por qualquer característica, inclusive, por nossa competência intelectual. A vaidade não se manifesta apenas no aspecto físico. Ela está presente em todos os nossos atos, inclusive, naqueles que podem querer dar a impressão de que não temos nenhum tipo de vaidade. Talvez seja interessante formular a seguinte frase, citando o Eclesiastes, no Velho Testamento: “Vaidade das vaidades; tudo é vaidade”. Ela poderia ser completada da seguinte forma: e a renúncia total à vaidade corresponde à suprema vaidade! Ela implicaria num desejo de superação da nossa condição humana, num desejo de nos equipararmos aos santos ou às divindades. Assim, aquele que se mostra como displicente e se apresenta “de qualquer jeito” também está querendo chamar a atenção, está querendo parecer que é superior a nós dando a impressão de que não liga para aquilo que tanto nos preocupa.
Qual seria a melhor forma de definirmos uma pessoa como sendo uma chata? Quais são exatamente suas características? Porque uma pessoa age assim? Tem "cura"?
Resposta: O tema me parece fascinante e extremamente importante, pois trata-se de um tipo de conduta no qual a pessoa leva muito pouco em consideração os seus interlocutores. Penso que poderíamos definir o chato como aquele que fala dos temas que estão ocupando sua mente mesmo quando está diante de pessoas que não tem o menor interesse naquilo que está sendo tratado. Os ouvintes estão quase dormindo e o chato continua a discorrer sobre o mesmo assunto, como que não se apercebendo da reação dos outros. Ele parte do princípio, totalmente equivocado, de que aquilo que é do seu interesse será igualmente relevante para todas as outras pessoas. É como se todos fôssemos iguais! Pessoas chatas não são obrigatoriamente egoístas e totalmente displicentes com os outros seres humanos. Parece que ficam de tal forma entusiasmados quando se põem a contar uma história que se esquecem de prestar atenção aos que o rodeiam. É evidente que a resolução desse tipo de conduta inadequada – e que, por vezes, prejudica dramaticamente a vida social e afetiva da pessoa – baseia-se na conscientização de que somos criaturas individuais, cada uma diferente de todas as outras, e que, portanto, o que nos interessa e nos encanta pode muito bem entediar outras pessoas. Temos que aprender a ficar atentos a todos os gestos e expressões faciais daqueles com quem dialogamos, justamente para que possamos atualizar nossa conversa e desviarmos os temas para aqueles setores que sejam do agrado deles. Isso se quisermos ser pessoas agradáveis e simpáticas.

Como é que se pode ter certeza que uma moça, mesmo se sentindo apaixonadíssima por um homem mais velho e muito admirado por ela, não esteja movida, ainda que inconscientemente, por interesses? Como conseguir separar o amor do interesse?
Resposta: A verdade é que não se pode jamais separar totalmente o amor dos interesses que nos movem. Sempre que nos encantamos por alguém é porque percebemos no outro a presença de ingredientes que admiramos muito. Assim, queremos nos aproximar daquela criatura porque ela é portadora de elementos que queremos ter por perto de nós. O amor é fenômeno que passa por nossa razão, de modo que envolve obrigatoriamente propriedades com as quais costumamos pensar e valores que possuímos. Se admiramos muito a beleza física, tendemos a nos encantar e nos apaixonar por alguém que consideramos portador dessa virtude. Se admiramos a inteligência, o senso de humor, o espírito esportivo e a disposição física, tendemos a querer conviver com quem possua essas propriedades. Agora, o que se costuma pensar quando se usa a palavra “interesse” é que se trate de interesse econômico ou interesse em se aproximar de alguém importante ou poderoso com o objetivo de obter benefícios. É provável que essas características sejam as mais buscadas por moças jovens e que tendem a se encantar – por vezes verdadeiramente – por homens mais velhos; é fato também que eles costumam ser bem sucedidos. Não conheço muitas histórias de moças encantadas por senhores de poucas posses ou desprovidos de posição social. Por outro lado, quando um homem, de qualquer idade, se aproxima de moças belas e que despertam o desejo deles e também dos outros homens, estão movidos pelos mesmos interesses de se destacarem através de suas parceiras. É claro também que isso não implica obrigatoriamente que se trate do único fator de encantamento. Ou seja, que além desse jogo de interesses mais superficial e imediato existam também outros valores mais sólidos gerando admiração e amor. Estes últimos serão os que garantirão longa vida à relação.

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Atualizado em 16/07/2009 15:48:16

Flávio Gikovate é um eterno amigo e colaborador do STUM.
Foi médico psicoterapeuta, pioneiro da terapia sexual no Brasil.
Conheça o Instituto de Psicoterapia de São Paulo.
Faleceu em 13 de outubro de 2016, aos 73 anos em SP.
Email: instituto@flaviogikovate.com.br
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