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É uma questão de educação!


O ser humano é egocêntrico por natureza. Nasce “acreditando” que tudo gira em torno de si, que tudo o que acontece é para ele, por ele e com ele, apenas. Está sempre em busca de satisfazer as suas necessidades e interesses.

O exercício do Viver é desenvolver a personalidade e a individualidade; aprender a compartilhar-se com os outros, desenvolvendo a compaixão e amor pelo outro, através do desprendimento deste egocentrismo natural, sem perder-se neste outro, mantendo, sim, a sua individualidade, alcançando, portanto, uma relação íntegra de troca.
O desenvolvimento da personalidade e da individualidade acontece, principalmente, no processo da educação.

Nós adultos precisamos estar atentos quando estamos na função de educadores, pois este papel nos exige bom senso e discernimento sobre qualquer atitude em relação à criança ou adolescente.

É necessário ter claro que a paternidade ou a maternidade é uma posição de grande responsabilidade, pois mais do qualquer teoria sobre educação na hora “H” valem mais nossos próprios valores, crenças e medos. Ligamos o “automático” e vamos embora.

Por mais que conheçamos algumas regras sobre “Educar” e apliquemos tais regras, o que acaba funcionando de verdade são nossos exemplos e mensagens subliminares.

Como eu posso ajudar uma pessoa a desenvolver sua personalidade, se eu próprio vivo de forma equivocada e contraditória? Então, o que vale é “faça o que eu digo e não o que eu faço”?!

Primeiro, precisamos nos auto educar. Como?
Resposta: Autoconhecimento.
O que realmente é válido para nos tornarmos bons educadores é a auto-consciência.

Eu preciso saber quem sou, do que gosto ou não gosto... preciso me realizar pessoal e profissionalmente... preciso estar “de bem” comigo mesmo.
Isto é o ideal!

Quando eu me conheço, eu me distinguo do outro, seja este outro meu amigo, meu marido, minha esposa, meu filho...

Ser educador é apenas mais um dos papéis que representamos na nossa vida. E, dentro deste papel, passamos para nossos filhos nossas aspirações, valores morais e crenças do que é viver e relacionar-se com as pessoas, seja no âmbito pessoal ou social. Por isso nos exige atenção e consciência sobre cada ato e decisão praticados.

Aprovar o comportamento adequado, reprovar o comportamento inadequado. Aprovar com carinho, elogio e atenção; reprovar com observações, focando no fato específico a ser revisto pela criança, nunca em relação à personalidade ou traço de caráter; como por exemplo, “Você faz tudo errado, mesmo!”. Será que ela faz tudo errado?!

Educar é um processo repetitivo e cotidiano. É no dia-a-dia que vamos orientando e respondendo às questões da criança e facilitando seu desenvolvimento.
E quais parâmetros usar neste “processo” de educar?
Para se educar é preciso coerência de idéias, palavras e atitudes. Este é o parâmetro!

Nossas atitudes têm que ser coerentes no conjunto geral da nossa vida. Falar para meu filho não fazer tal coisa, se eu mesmo faço, é incoerente e inadequado como modelo para ele, pois não saberá em quê acreditar.
As pessoas aprendem como ser “pessoas” sob a orientação dos pais e educadores, que também são pessoas.
É claro que essa orientação vai ser apreendida por cada um de maneira muito particular, porque senão todos os filhos de um mesmo pai e de uma mesma mãe seriam idênticos em crenças e comportamentos. O que não acontece!

Jung dizia que temos tudo dentro de nós; portanto, nascemos com tudo dentro de nós. O que educação faz é promover, dentro do possível, em maior ou menor grau, que os potenciais de cada um se desenvolvam.

Então, podemos dizer que Educar não significa “modelar” uma pessoa? Afinal não somos feitos de argila e, sim, seres humanos, repletos de potenciais a serem explorados!

Educar uma criança é olhar para ela com o sentimento e o pensamento dirigido para: “Eu sou responsável por este ser humano!”; é ajudar a formar uma personalidade e dar espaço para que se possa expressar sua individualidade.

A formação da personalidade se dará de forma mais saudável no ambiente em que as pessoas, adultas e responsáveis, estejam absolutamente envolvidas afetivamente expressando livremente seu carinho e amor.

Educar é facilitar a sociabilização da criança. Sociabilizar é ajudar um ser humano tornar-se apto para relacionar-se adequadamente, cumprindo regras, assertivamente, de convivência com outro ser humano.

O objetivo da educação, na formação de uma individualidade saudável é o desenvolvimento da autonomia e auto-responsabilidade.

Exemplo de caso clínico:

A paciente veio grávida, muito nervosa, dizendo que não se sentia pronta para ser mãe, mas como não tinha coragem de abortar então, a única alternativa era ter aquela criança; mas tinha muito medo de tê-la e de não dar conta.
Dizia, constantemente, que, mesmo sabendo que poderia contar com o marido e pai da criança, ter filho era muita responsabilidade. Com o qual eu concordava plenamente.

O que nós fizemos foi fortalecer sua auto estima e sua auto imagem, que estavam muito debilitadas.
Durante o processo de psicoterapia a moça foi se acalmando e desenvolveu auto confiança para poder acolher aquela criança que seria seu filho e de sua responsabilidade.

Quando a criança nasceu, a mãe acolheu o bebê e, nem parecia a mesma pessoa que havia entrado meses antes em meu consultório. Assumiu completamente a maternidade.
Por sorte, ela veio procurar ajuda psicoterápica antes da criança nascer, pois é muito comum num caso desses a mulher desenvolver depressão pós parto.


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maria
Maria Aparecida Diniz Bressani é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana,
especializada em atendimento individual de jovens e adultos,
em seu consultório em São Paulo.



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