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O que fazer com a vida na idade madura?


É na idade da maturidade, mais precisamente após a chegada dos 50, o momento que mais comumente chegamos ao derradeiro impacto da consciência de que não há como julgar. No universo pessoal, por exemplo, não existe certo ou errado, perfeito ou imperfeito, e sim o que nos faz bem e o que não nos faz sem que se atrapalhe a vida do outro.

Passamos então, a ser mais observadores da natureza humana e menos implicantes com tudo o que não esta de acordo com os sistemas de verdades absolutas que sempre transitamos. A partir dessa percepção, a ideia é a de literalmente desconstruir todo e qualquer autojulgamento que nos limite na possibilidade de sermos quem realmente somos. Essa é a fase em que a urgência da vida nos toca de modo avassalador. Um convite para definitivamente rumarmos ao local sagrado que representa o todo o nosso existir.

Até aqui, de algum modo, todos nós lutamos cegamente por tudo o que acreditamos ser importante. A partir de agora, porém, o convite passa a ser de outra ordem. Ocupar um assento diferente nos cenários em que sempre existimos e observar as mesmas cenas através de outras perspectivas. Também estar aberto para encontrar-se em situações novas, nunca antes experimentadas.

Mesmo que essas percepções não ocorram com todos, é no tempo da maturidade que começamos a ter mais clareza sobre a finitude da vida e sobre o prazo de validade que temos no planeta. Um momento bastante sério e gerador de crise, que pode irromper na possibilidade do autorresgate e da ressignificação existencial. O objetivo e a urgência é para que a vida faça um sentido real e diferente de tudo o que ficou no vácuo e faltando. A busca agora frenética é para que se alcance a sensação de que tudo vale, e valeu a pena, nessa aventura da consciência.

Sempre podemos dar um passo além para nos expandirmos seja em qual área for. Existem mil e um arranjos para nos experimentarmos no sentido de não trairmos a nós mesmos. O problema é que a maioria de nós só fica acionado nestes termos nos momentos em que num susto toma consciência da brevidade da vida. A idade madura é implacável para nos pegar de surpresa, provocando toda essa derradeira percepção.

Se nos olharmos de modo mais transcendente, porém, poderemos nos perceber de modo bem diferente do que nos foi ensinado: somos compostos de energia desde a mais ínfima parte da nossa materialidade, até o máximo que podemos imaginar do cosmos. Tudo em nós se expande em nós, tudo é constante criação e nada é estático.

Todas as vezes em que nos prendemos em sistemas rígidos, além de nos cegarmos, estamos matando algo em nós. Se acaso nos entendemos dentro de tais sistemas, com dificuldades para fazermos mudanças que possam nos trazer mais prazer e qualidade em nossas vidas, o melhor a se fazer é buscar um auxilio externo eficiente. Como psicóloga que sou, sempre indico terapia competente para isso.
Tenho histórias fantásticas de vários pacientes que já haviam se tratado em questões sobre a estrutura de suas personalidades, dinâmicas relacionais subjetivas e interssubjetivas até que num determinado instante, mesmo antes da chegada dos 50 puderam passar pela crise da maturidade existencial e literalmente apostaram em mudanças profundas no intuito de ir de encontro a um sentido maior e mais real para as suas existências. De fato, a maturidade pode promover este estado inexorável de percepção por conta da noção da linha do tempo já vivida, mas não só.

Nesse tipo de crise existencial do bem, uma das possíveis dores, ou mesmo sensação de perplexidade, ocorre quando se tem consciência de tudo o que significar viver ao longo de uma vida de modo cego em meio a crenças aprisionantes.
Tomando consciência destes fatores, ou a pessoa deprime, ou entra em pânico ou começa a fazer definitivamente tudo aquilo que de verdade faz sentido, que é apostar no melhor das nossas histórias, na nossa grande aventura do existir.

Ter a noção de que já se passou do meio dia existencial -e receber o impacto da percepção do que a sua vida tem sido e transitar em meio a situações que não promovem uma vida com qualidade- pode gerar uma crise pessoal estonteante, mas altamente benéfica.

Na época da urgência da vida, a questão do autoconhecimento funciona como grande suporte e auxílio para que se rompa com quaisquer tipos de amarras que possam estar servindo de impedidores para que o fluxo da vida aconteça em sua expressão maior. Principalmente por que é aí que temos a chance de saber como somos, podendo ressignificar padrões de funcionamentos que não nos servem mais. E isso é da máxima e fundamental importância. Só assim teremos a capacidade de mudar o que não está a contento, rumo a uma qualidade de vida desejada.

Muitos de nós passamos a vida inteira construindo castelos de areia, esperando por um tempo no qual supomos que tudo vai ficar mais tranquilo e no qual finalmente poderemos aproveitar as nossas vidas.
Na meia idade, percebe-se que o tempo restante é escasso e extremamente acelerado. O "deixa para amanhã", fica para ontem e a consciência do sagrado que reside no agora torna-se a maior das fortunas que uma pessoa pode ter.
Se você estiver com a consciência neste lugar, não espere chegar à meia idade para fazer valer sua existência. Valide-a já. Absolutamente ninguém tem tempo a perder. E se acaso estiver na meia idade, saiba que a sua vida começa ininterruptamente no agora e em todos os seus agoras que virão.
Desejo que você possa usufruir se julgando e julgando o outro menos, sendo livre e podendo apreciar a liberdade do outro e por fim, o colorido da vida fazendo intensamente parte e sendo Tudo O Que Existe.

E como sugestão, uma oração diária em nome da alegria de viver: eu amo a vida e a vida me ama!



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silvia
Silvia Malamud é colaboradora do Site desde 2000. Psicóloga Clínica, Terapias Breves, Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e Terapeuta em Brainspotting - David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem direta a memórias do inconsciente.
Tel. (11) 99938.3142 - deixar recado.
Autora dos Livros: Sequestradores de almas - Guia de Sobrevivência e Projeto Secreto Universos

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