Home > Psicologia

Para que serve a lógica?

por Flávio Gikovate

Para que serve a lógica?

Ainda me surpreendo quando penso mais seriamente sobre a condição humana e sobre a maneira como a maioria das pessoas a encara. Acreditam que o uso de palavras pode resolver alguma coisa, ao mesmo tempo em que ficam calmos e apaziguados quando são capazes de definir uma situação ou um anseio por uma palavra específica. Muitas são as pessoas capazes de ficar mais serenas porque sabem o nome da sua “doença”; elas estão sempre preocupadas em saber se determinada atitude é “normal” ou “anormal” e se ficam cientes de que é “normal”, já estão reasseguradas.

Assim também a maioria das pessoas sonha com um estado que se costuma chamar de liberdade, sem ao menos se preocupar em saber que estado é este e, principalmente, como se chega lá. Por simplicidade acreditam que o homem será livre quando uma dada sociedade se constituir e a ele atribuir tal condição de poder fazer tudo o que tiver “vontade”; não é fácil se perceber que este dia jamais chegará e que as coisas não são tão fáceis assim, tanto do ponto de vista social como do individual. E mais: tal crença que supervaloriza os poderes do “social” sem os explicar direito, pode estar a serviço de levar uma pessoa a abandonar a introspecção - percebida como “inútil” - condição muito atraente porque o se conhecer é doloroso.

Além de doloroso, o autoconhecimento é extremamente difícil, porque é um processo racional no qual temos que entender como funciona nossa própria razão. Numa metáfora ao gosto dos tempos atuais, é como se um computador tivesse que aprender a maneira de como foi construído, coisa que tem que correr em paralelo com sua utilização cotidiana. Muito pouco ainda sabemos sobre este processo fantástico - e, em muitos aspectos mágico - que consiste no funcionamento das células cerebrais capaz de gerar pensamentos.

É como se este sistema, extremamente sensível, fosse capaz de registrar sensações - que são guardadas, através do que se chama de memória, uma coisa por si só absolutamente assombrosa - captadas pelos órgãos dos sentidos (a partir deles são recebidas “informações” do meio exterior). Através do sistema nervoso periférico chegam “informações” do próprio organismo.

A situações, objetos e também sensações aprendemos - desde o segundo ano de vida - a associar palavras que a elas correspondem dentro de um sistema construído por criaturas que nos antecederam e que constituíram a linguagem como parte do processo de utilização de sua razão. Depois de termos guardados na memória um número razoável de situações, objetos e sensações - e seus respectivos nomes, ou seja, palavras que os representam - podemos nos aperceber com facilidade das condições em que elas se repetem. Assim, somos capazes de “reconhecer” objetos, situações etc. O passo seguinte consiste em podermos correlacionar objetos entre si, objetos ou situações com emoções, etc. Surgem as frases, aglomerados de palavras que refletem o estabelecimento deste avanço.

Junto com este primeiro avanço maior se cria o primeiro problema sério. É o seguinte: e se estabelecermos correlações que não correspondem aos fatos reais? Isto se dá, admitida a honestidade do sistema racional, por precipitação a partir de uma correlação casual e que não se confirmaria em um grande número de experiências (que, evidentemente, a criança ainda não tem).

E mais: como saber quais as correlações realmente certas e aquelas equivocadas? Aquilo que se chama de lógica foi um esforço no sentido de se sistematizar um conjunto de regras capaz de reduzir ao mínimo a margem de erro nas correlações. É evidente sua utilidade ao menos no modo de pensar dos adultos; no entanto, uma criança poderá se apegar a determinadas correlações apressadas, especialmente se estiverem envolvidas fortes emoções. Vale registrar desde já que o pensamento lógico também pode ser um impeditivo parcial para o próprio processo criativo; aquilo que se chama de intuição seria o estabelecimento de uma correlação entre duas coisas sem que se tenha absolutamente dados para isto.

Apesar de estar sujeita a erros graves essa é também a via usual das mais importantes descobertas; o esforço de décadas tem, por vezes, o objetivo de se encontrar os meios de provar aquilo que, por intuição, já se sabia desde o início.




Consulte grátis
     
 
Compartilhe
   



Flávio Gikovate é um eterno amigo e colaborador do STUM.
Foi médico psicoterapeuta, pioneiro da terapia sexual no Brasil.
Conheça o Instituto de Psicoterapia de São Paulo.
Faleceu em 13 de outubro de 2016, aos 73 anos em SP.
Email: instituto@flaviogikovate.com.br
Visite o Site do Autor
Publicado em: 05/05/2006 11:29:36

Veja também
Minhas preces nunca são atendidas!
Características de um sedutor interesseiro
Vivendo a Realidade Quântica
Seu Bichinho morreu? Vamos superar a culpa!
Correntes negativas (o que é isso?)
Amar e ser amado: o princípio da felicidade


Deixe sua opinião sobre este artigo


© Copyright - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução dos textos aqui contidos sem a prévia autorização dos autores.
As opiniões expressas neste artigo são da responsabilidade do autor. O Stum não se responsabiliza por quaisquer prestações de serviços de terceiros, conforme termo do Site.


Energias para Hoje
sábado, 23 de março de 2019

energia
I-Ching: 34 – TA CHUANG – O PODER DO GRANDE
O momento é favorável para tomar atitudes, mas você deve saber usar corretamente o poder de que dispõe. A verdadeira força é a que nunca se afasta do caminho da justiça.


energia
Runas: Perdhro
Ganhos inesperados, revelações agradáveis.


23
Numerologia: Expansão
Bom dia para vendas, propaganda e promoção em qualquer área. Você pode fazer sua própria sorte hoje, permita-se a ousadia e busque vantagens para sua vida. Canalize sabiamente essa energia e atue de modo decisivo.




Horóscopo

Áries   Touro   Gêmeos   Câncer
 
Leão   Vírgem   Libra   Escorpião
 
Sagitário   Capricórnio   Aquário   Peixes




+ Lidos da Semana anterior
1. Você conhece algum pisciano? Então conhece todos os signos do zodíaco!
2. Entrelaçamento quântico da alma
3. Talvez você não consiga ter um relacionamento...
4. Vale a pena aguardar o aniversário para fazer a Revolução Solar?
5. Tá na cara - Parte 2
6. EMDR - A Cura Emocional do séc. XXI
7. Na força das águas do espírito...
8. Perigos na hora de se separar de um relacionamento abusivo

 
© Copyright 2000 - 2019 Somos Todos UM - O SEU SITE DE AUTOCONHECIMENTO. Política de Privacidade - Site Parceiro do UOL Universa