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Você na sala vendo televisão e seu filho, drogado

por Silvia Malamud
Publicado dia 06/11/2008 11:11:15 em Psicologia

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Ele tem apenas dezoito anos e sempre está com muitos amigos. Tem uma vida supostamente invejável para muitos de sua idade. Sai para baladas, estuda, tem um carro bacana e está no mundo protegido por uma família de classe média.

Seus maiores conflitos rondam o universo das posses que ainda não foram devidamente conquistadas por ele. Sendo que isso pode ser: um carro novo, uma nova garota, ou roupa da hora.

Seus maiores medos? Bem, isso não faz parte de seu vocabulário.

A vida que leva se resume em “azarar” as meninas, em ir para a faculdade paga em que ele facilmente entrou e que sua família banca e em freqüentar os lugares que estão na moda.

Há dois anos começou a ter preguiça de sair de casa e fazer os esportes que rotineiramente fazia. Frequentemente acompanhava seu pai nas suas partidas de tênis, mas ocorreu que repentinamente tudo foi perdendo o sentido e como resultado acabou por abandonar tal prática. No começo seu pai ficou entristecido, mas como tem uma vida muito agitada, logo relevou a atitude do filho e com o tempo, embora sentindo falta da companhia do filho, pouco a pouco essa ausência foi tomando um lugar distante em sua mente.

Seus pais mantêm para com ele um tipo de contato totalmente presente no quesito de suprir as possíveis faltas materiais. Permanecem, porém, totalmente ausentes em questões importantes como a de pontuar os limites que a vida costuma delinear a todos. Também estão omissos em dar a atenção devida ao universo emocional tanto deles como do seu próprio filho.

Como resultado deste distorcido caminho afetivo e do afastamento do mundo real, pouco a pouco tudo o que fazia algum sentido para este garoto foi sendo drasticamente esvaziado. Gradativamente foi sendo acometido por angustias impensáveis e, por consequência, cada vez mais foi buscando novas e diferentes formas de obtenção de prazer.
Inicia a sua jornada dentro desta senda bebendo além da medida. Gosta da sensação que a bebedeira provoca. Ficar embriagado, ora o tira da sensação silenciosa de vazio e ora o insere num universo de devaneios onde tudo aparentemente vai ficando mais e mais leve, com outros coloridos... No começo ficou com muita dor de cabeça pela manhã e por vezes chegou a pôr tudo para fora, mas com o tempo estes sintomas foram sendo amenizados até que sumiram por completo. Na sequência se deu o direito de acordar cada vez mais tarde e a seguir começou a faltar na faculdade.

Um pouco mais adiante, quando beber começou a ficar enfadonho, não faltaram “amigos” na mesma trilha que ele, que o estimulassem a entrar para o universo da maconha num primeiro tempo e num segundo momento, a “experimentar” a cocaína... um simples pulo...

Com mais tempo ainda e tudo, por incrível que pareça, de modo extremamente rápido, começou a perceber que gostava da receita: álcool mais cocaína. A idéia era a de buscar mais e mais sensações de prazer. Por um momento, esqueceu-se daquilo que o impulsionou para este tipo de jornada: a angustia pelo vazio interior enorme e sem nome. Foi a facilidade de se obter tudo. Foi a ausência de autopresença em sua própria vida, somada ao desvalor e à rapidez que este império sedutor em que vivemos nos traz.

Vivemos permeados por situações de conquistas importantíssimas, mas que duram apenas um ínfimo momento. É deste modo que a vida em si vai perdendo a sua própria dimensão e valor. Tudo fica raso e sem sentido.

Então a busca passa a ser frenética, perseguindo-se um sentido que dê significado. Na maioria das vezes a angústia faz com que se procure o caminho mais rápido e fácil, o que infelizmente não provoca o verdadeiro encontro consigo mesmo. Ao contrário, retira mais e mais o prazer de se estar vivo, enterrando cada vez mais a possibilidade de poder viajar saudavelmente na imaginação, projetando e criando situações para conquista e crescimento pessoal.
O que ocorre é a perda da linha do tempo tanto para o passado, como para o futuro. Perde-se a validade sagrada do momentum vívido.

E muitos pais, na sala ao lado, continuam vendo televisão...

A pergunta que fica é: até quando?

Infelizmente na maioria das vezes, só desligam a televisão num susto e tarde demais, quando seus filhos já estão passando por algum perigo imediato, como doenças mentais decorrentes do abuso de substâncias químicas, que provém de toda ordem de ação desmedida. Não poucas vezes os filhos são obrigados a frear e os pais a abrirem os seus olhos quando se deparam com a lei e também não poucas vezes quando são perseguidos por traficantes...

Lembrem-se que os vícios muitas vezes podem começar devido aos exemplos acima citados, que aparecem na ausência de limites e na falta de presença eficiente dos próprios pais.

A idéia é que os filhos conheçam o mundo, mas que tenham forte referência nos pais ou em quem os educa. Posto que o mundo de hoje, mais do que nunca, seduz para situações totalmente efêmeras, conquistas de momento e totalmente vazias.

Compactuo com a construção de um eixo interno dentro de cada um. Este eixo vem de valores herdados e de novas conquistas que podem nos transformar pela a reflexão.

Compactuo com o prazer de existir e com os encontros significativos que podemos ter com o outro. Com a validação de um senso ético e responsável pela vida, seja pessoal, tanto com a do outro, bem como a do planeta em que vivemos.




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Sobre o autor
silvia
Silvia Malamud é colaboradora do Site desde 2000. Psicóloga Clínica, Terapias Breves, Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e Terapeuta em Brainspotting – David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem direta a memórias do inconsciente.
Tel. (11) 99938.3142 - deixar recado.
Autora dos Livros: Sequestradores de almas - Guia de Sobrevivência e Projeto Secreto Universos

Email: malamud.silvia@gmail.com
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