A dor de não estar vivendo

A dor de não estar vivendo

Autor Osvaldo Shimoda

Assunto Vidas Passadas
Atualizado em 17/09/2004 12:24:00


Freud, o Pai da psicanálise, disse:
“Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda”.

O medo de errar, de não dar certo, do desconhecido, realmente assusta. Então, não mudar é mais fácil e cômodo.
Em verdade, medo é ignorância. Quem é ignorante tem medo porque ignora a Vida. Por outro lado, se você pensar assim: vou dar o meu melhor, vou abrir a porta e ver o que me espera, irá sair do imobilismo. No entanto, os acomodados e medrosos preferem ficar na rotina, não se arriscar porque se mudar alguma coisa em suas vidas, já ficam inseguros. Há pessoas que não ousam sequer experimentar, saborear uma comida nova. O novo assusta, gera desconfianças. Em muitos casos, a falta de iniciativa, curiosidade são sintomas máster de insegurança. São pessoas frustradas, reprimidas por um processo educacional, autoritário e opressor e por parte dos pais. Nada podia, tudo era proibido, censurado. Há pessoas que foram tão reprimidas em sua infância que acabam perdendo o tesão pela vida, o entusiasmo de querer viver. Não obstante, as pessoas que querem realmente mudar, não procuram soluções lá fora, culpando os outros pela sua infelicidade ou buscando justificativas pelos seus fracassos.
A grande maioria diz que “não consegue”, que é “difícil”, se diz desmotivada, insatisfeita.

Busca soluções fora de si. Fica perdendo tempo em querer mudar por fora e não por dentro, nas suas crenças e atitudes internas. Muitos buscam muletas para se apoiar, ser dependente.
É de criança que se ensina a não estimular o passivismo e o vitimismo. É não fazer pela criança, mas deixá-la fazer por si.
É delegar responsabilidades de acordo com a idade da criança. Quando cair, se a queda não for grave, deixe-a se levantar sozinha. Se pagá-la constantemente no colo, vai estimulá-la a ter medo de cair e não vai ter sempre a presença dos pais ao seu lado. Esse sentimento de incapacidade, de que não consegue, muitas vezes você escutou de seus pais quando criança.

É na infância que se faz um adulto forte. Um adulto firme, solto, tem também uma criança solta dentro de si. Uma criança que quer continuar sendo um bebê, vai ser um adolescente e um adulto problemático.
É na infância que se deve começar a mostrar à criança que jamais podemos fazer, viver por ela.
Pessoas queixosas, que se lamentam constantemente, agem dessa forma por que estão tão acostumadas a ter pessoas para ouvi-las, para dar atenção e colo. É um hábito de pensamentos e atitudes.
Aprenda a mudar esses hábitos, parando de reclamar tanto da vida.
Seja forte, evite entrar no negativismo, controle a si mesmo. Quando você começar a se controlar, vai dar um grande passo e sua vida vai começar a andar.

Os problemas aparecem em nossas vidas para serem resolvidos e não para serem “empurrados” para frente.
Não fuja deles, enfrente-os. Ao sentar numa sala de aula em vários lugares, você vai aprender melhor porque vai ver sob outros ângulos os ensinamentos. Assim também devemos fazer em relação aos problemas da vida. Veja-os sob vários aspectos para poder melhor resolvê-los.

Caso Clínico:
Medo de confrontar as pessoas
Mulher de 30 anos, casada.


A paciente, veio ao meu consultório em função de sua insegurança, baixa auto–estima, medo de confrontar as pessoas, principalmente figuras de autoridade.
Tinha muito medo de seu marido por conta de seu temperamento autoritário e explosivo. Preferia se anular para agradá-lo, sofrendo calada.

Não colocava limites em sua vida, daí sua dificuldade em dizer não, de ser mais firme, sincera no relacionamento com as pessoas.
Sua mãe era também uma pessoa muito autoritária e impunha suas vontades com os filhos.
Desta forma, a paciente se sentia muito incomodada, acuada com o autoritarismo da mãe. Ela dizia à filha que não podia ofender ninguém, dizer não e magoar as pessoas.
Precisava ser boazinha, agradar todo mundo para ser respeitada. Sua preocupação era: “O que as pessoas vão pensar de mim”?

Ao regredir, me relatou:
“Vejo homens montados a cavalos, vestem roupas bem antigas, o ano é 1700. Deve ser na Europa.
Vejo castelos, uma cena de guerra com fumaça ao fundo... Agora estou dentro do castelo (pausa)“.

- O que você vê ao seu redor? Indago-lhe
“Vejo alguns padres. Estou no corredor e eles estão sentados, me acusam de alguma coisa”.

- Como você se sente – pergunto-lhe.
“Estou com muito medo. Sou um rapaz humilde, um camponês. Sou novo, tenho 16 anos. Visto uma roupa bem simples, maltrapilho, cabelos escuros até a altura dos ombros, uso uma franja”.

- Mentalmente, olhe para seus pés e as suas mãos nessa cena - peço-lhe.
“Estou descalço, sou branco, as minhas mãos estão acorrentadas (pausa).
Eu fui levado para um calabouço. O local é apertado e escuro. Estou com medo. Que horrível! (começa a chorar intensamente). O lugar é extremamente apertado, eu não posso me mover. Estou acorrentado e o local é tão apertado que não consigo me mexer e nem respirar direito (respira ofegante)”.

- Prossiga na cena - peço-lhe.
“Estou vendo um cadáver... É o meu cadáver. Eles me deixaram morrer neste calabouço”.

- Volte para o momento de sua morte e perceba quais foram os seus últimos pensamentos e sentimentos - peço-lhe.
“Eu sinto muito ódio daqueles padres. Foi um castigo. Por isso me colocaram naquele lugar de tortura. Eu não merecia morrer daquele jeito”.

- O que foi que aconteceu para você ser castigada? Volte antes do julgamento – peço-lhe.
“Estou numa aldeia. Vejo muitas madeiras, fenos, o chão é de terra. Moram várias famílias. As casas são feitas de palha, pequenas choupanas. Eu moro com a minha mãe nessa aldeia (pausa)”.

- Prossiga na cena – peço-lhe.
“Chegaram uns homens a cavalo, são soldados, usam elmos... Estou afrontando-os porque eles nos exploram. Tomam os nossos cestos de comida, nossos bens. Somos lavradores, vivemos da terra. Eu me sinto revoltado por esta exploração (pausa). Agora um dos soldados me puxou pelo braço e começa a me chicotear. Para me proteger, coloco as mãos no meu rosto. Sinto muita humilhação, impotência e tenho muito medo do que vai acontecer comigo (pausa).Eu fui levado para aquele corredor do castelo, um lugar enorme. O piso é frio, as cadeiras são enormes, de madeira. Vejo os padres sentados nessas cadeiras. Eles vestem roupas de clérigos. Estão me julgando, fui jogado no chão. Falam que eu vou ser castigado por afrontar os soldados. Eu me sinto impotente. Não devia ter feito isso (chora copiosamente). Deveria ter aceitado a situação. Não adiantou eu ter me revoltado... Agora vou pagar pela desobediência. Estou arrependido, ninguém vai me ajudar (grita chorando). Estou sendo levado para o calabouço... Meu Deus! O lugar é muito apertado. Estão me acorrentando pelo pescoço, mãos e pernas. O calabouço é muito escuro. É horrível! Eles prenderam minha garganta num grilhão (corrente). Eu nunca mais vou me expor a nenhuma autoridade (grita chorando desesperadamente!) Eu nunca mais vou afrontar ninguém, falar mais nada. Eu prometi a mim mesmo que nunca mais iria falar nada”.
Foi nessa hora de desespero que a paciente tomou a decisão de nunca mais afrontar as autoridades e isso ela trouxe na vida atual.
“Eu fiquei ali até morrer. Eu não fui perdoada. Virei um cadáver ali amarrado, acorrentado. Não me deram água e nem comida. Morri à míngua”.

- Veja o que acontece com você após sua morte física – peço-lhe.
“Alguém veio me buscar. É uma entidade espiritual de luz... Eu tenho a impressão de que é o meu marido da vida atual (chora copiosamente). Ele diz que vai cuidar de mim. Agora me sinto protegida. Não sou mais um cadáver. Ele está acariciando o meu rosto, me abraça... Agora estou flutuando, ele me leva para um jardim. Existem várias pessoas - homens, mulheres, crianças. Usam mantos, cores claras (branco, azul, rosa). O lugar é muito tranqüilo, as pessoas são bondosas”.

- Como você se sente - pergunto-lhe.
“Eu me sinto tranqüila, o lugar é muito bom. Tem colunas, escadas, parece dia. O chão é de mármore branco... Alguém estendeu as mãos para mim... É uma mulher jovem, cabelos longos. Usa um manto rosa e verde claro. Ela está descalça. Diz que vai cuidar de mim (pausa)”.

- Você conhece essa mulher - pergunto-lhe.
“Não... Será que é a minha mãe da vida atual? (pausa). É ela. Ela diz que eu preciso aprender algumas coisas, mas não diz o quê (pausa)”.

- Você consegue agora fazer uma conexão, uma ligação dessa vida passada com o seu problema, seu medo de confrontar as pessoas na vida atual – pergunto-lhe.
“Nessa vida passada fiquei com medo no momento de minha morte. Eu me arrependi e decidi que não iria confrontar ninguém, principalmente figuras de autoridade. Eu decidi ser submissa e não enfrentar mais ninguém. Agora entendo o porquê dessa dificuldade de dizer não, de me anular na existência atual. Eu me arrependi, achei que deveria aceitar o que os padres faziam do que ter que pagar o preço pela minha vida”.
No final da sessão, pedi para que ela se libertasse de seu passado. Disse-lhe que hoje não fazia mais sentido ela continuar mantendo aquela decisão de não confrontar mais ninguém no momento de sua morte naquela existência passada.

Realmente, ela pagou um preço muito caro perdendo sua vida. Mas na vida atual o seu contexto de vida é completamente diferente daquela vida passada. Hoje ela pode ser mais firme, colocar limites em sua vida sem temor porque não irá ser punida perdendo sua vida como ocorrera na existência passada.

Após passar posteriormente por mais quatro sessões de regressão, a paciente compartilhou comigo sua alegria e satisfação, dizendo-me que não se sentia mais temerosa ao se relacionar com as pessoas. Disse-me que se sentia mais solta, mais espontânea e sincera, principalmente com o seu marido e sua mãe. Não se sentia mais incomodada e acuada como antes quando algo a incomodava. Conseguia expressar sua insatisfação sem ser agressiva, porém firme e sincera. Agora era capaz de dizer não sem medo e sem culpa.


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Shimoda
é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
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