A Obsessão e a TVP
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 21/01/2005 12:30:09
“As pessoas esperam do terapeuta que ele lhes ofereça algo capaz de proporcionar alívio rápido e sem esforço, como se os problemas da alma fossem um espinho que se tira do pé”.
Renato Mezan (Psicanalista)
Desde 1998, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o bem estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado dos aspectos físicos, mental e social.
Antes a OMS via o ser humano como uma unidade bio-psico-social e desconsiderava o espiritual, isto é, o sofrimento da alma, tendo, portanto, uma visão reducionista e organicista da natureza humana, não vendo o ser humano em sua totalidade: mente, corpo e espírito.
Desta forma, partindo do pressuposto de que o ser humano é mente, corpo e espírito, não é nenhuma heresia, nenhum absurdo falarmos de influência espiritual, isto é, do fenômeno da obsessão. Antes de abordar o assunto, é necessário dizer que os termos: Obsessão, personalidade intrusa, encosto, ação do agente Teta, possessão, são palavras diferentes, mas com o mesmo significado que procuram exprimir sobre o mesmo fenômeno, isto é, as más influências exercidas pelos espíritos pouco evoluídos (obsessores) na vida de uma pessoa (o obsediado).
O meu trabalho com os espíritos obsessores que se manifestam nas sessões de regressão e que interferem negativamente nos pensamentos e ações dos pacientes, me faz crer que sua influência espiritual é muito maior do que eu acreditava inicialmente.
Em muitos casos, os obsessores fazem de tudo para que o paciente não chegue ao consultório, pois sabem que a TVP irá ajudá-lo.
Tive uma paciente à qual, no dia em que marcou a entrevista inicial, aconteceram inúmeros fatos que a dificultaram em chegar ao meu consultório: esqueceu de pegar o meu endereço, se perdeu no caminho várias vezes, não conseguia localizar o número do meu consultório, apesar de ser um local de fácil acesso. Embora bastante atrasada, acabou chegando à consulta. Mas mesmo durante o tratamento, o espírito obsessor fez de tudo para atrapalhar o seu tratamento, impedindo-a de ver ou recordar o seu passado, principalmente suas vidas passadas.
Um outro paciente me procurou por conta de sua instabilidade emocional (humor instável). Na primeira sessão de regressão, me disse que não estava vendo nada e que não conseguia trazer nenhuma recordação de seu passado. Na sessão seguinte, lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto sem motivo algum e o paciente me disse surpreso que não entendia o porquê de estar chorando já que não estava sentindo nenhuma emoção. Na terceira sessão, as lágrimas continuaram a escorrer e os seus braços começaram a tremer incontrolavelmente. Em seguida, viu uma mulher vestida de preto, chorando e tremendo. Em verdade, as lágrimas e os tremores que ele sentia eram dessa mulher. Pedi para que ele perguntasse a ela o motivo de estar chorando. “Gosto muito de você e não consigo esquecê-lo”, respondeu a mulher. Confessou que fora ela que havia provocado o acidente de carro que sua esposa sofrera (o carro sem motivo algum se desgovernou, vindo a capotar, mas felizmente nada aconteceu com sua esposa). A mulher lhe disse que não suportava vê-lo com outra mulher.
Na sessão seguinte, pedi para que ele a convencesse a procurar a Luz, já que ela estava na escuridão, nas trevas. Mas diante da recusa, pedi então ao paciente que ele chamasse o seu mentor espiritual para que a ajudasse. O paciente me relatou que ela se agarrou às suas pernas, desesperada e rogando que o paciente não fizesse isso. Pedi então para que ele buscasse um ponto de luz nessa escuridão e solicitasse ajuda. Embora o paciente enxergasse o ponto, ela o impedia de ver direito, atrapalhando portanto a sua visão.
Diante desse impasse, sugeri que o paciente procurasse um centro espírita perto de onde ele residia para realizar o tratamento de desobsessão. E foi o que ele fez. Combinamos também que assim que ele terminasse o tratamento espiritual, caso ainda fosse necessário, ele viesse me procurar novamente. Devo esclarecer nesse artigo que não é apenas a vingança por erros cometidos em outras encarnações que leva um obsessor a querer prejudicar alguém.
O espírito obsessor pode também se aproximar de alguém com o qual possua afinidade de temperamento e atitudes ou - como no exemplo acima descrito - um apego excessivo à pessoa amada. Mas na maioria dos casos, o objetivo de toda obsessão é a vingança de um espírito contra um encarnado com o qual se relacionou numa das existências anteriores e por ele se sentiu prejudicado.
Caso Clínico: Missão de Vida
Mulher de 32 anos, solteira.
Sempre teve muita vontade de passar pela TVP (Terapia de Vidas Passadas) para saber qual o seu verdadeiro propósito de vida. Trabalha com Feng Shui e Radiestesia e sentia medo ao ver vultos e acabava bloqueando o seu trabalho por receio de que suas faculdades premonitórias (clarividência) se manifestassem.
Tinha também muitas dúvidas se o trabalho que realizava era o seu verdadeiro caminho.
Ao regredir me relatou:
“Vejo muita gente morrendo, sofrimento, angústia, é uma cidade onde existem castelos.
Estou vendo a cidade do alto de uma colina. Sou um nobre, seguro uma lança, uso uma manta nas costas de cor azul, toda brilhante. Estou em cima de um cavalo e atrás de mim existem muitos soldados (pausa).
Estamos muito tristes pela morte dessas pessoas. Nessa matança, não sobrou ninguém. Cheguei atrasado, podia ter evitado. Eu recebi um aviso, mas não quis ouvir“.
- Volte antes dessa cena para ver quem foi que te avisou – peço-lhe.
“Vejo uma luz, ela tenta conversar comigo. Ela me alerta, diz para eu salvar aquela cidade. Eu duvidei, não sabia se ela estava falando a verdade. O meu ego não queria ver nada, não queria escutá-la, pois a responsabilidade de salvar uma cidade era muito grande. Em vista disso, preferi não escutar. Depois, mais tarde, resolvi ir lá. Mas já era tarde, cheguei atrasado”.
- Volte à sua infância nessa vida passada – peço-lhe.
“Estou dentro de um navio, sou um menino, as pessoas me olham com respeito, sou alguém importante. As mulheres me vestem com roupas compridas. Sou magrinho, uso um manto nas costas, gosto do azul bem escuro. Meus pais gostam de dar festas, há muito fartura”.
- Avance mais para frente nessa cena, anos depois – peço-lhe.
“Estou com 13 anos, meus cabelos são encaracolados. Vejo a cidade de cima de um morro, com um telescópio. Uso a mesma capa azul nas costas. Olho para o céu, gosto das estrelas, de conversar com elas. Eu imagino que cada estrela seja um planeta de onde a gente veio. Tenho muitos súditos, mas não vejo os meus pais. Tenho um irmão mais novo, não está comigo”. (pausa).- Avance novamente nessa cena, anos depois – peço-lhe.
“Vejo-me novamente em cima de um cavalo, olhando do topo de um morro, aquela cidade destruída. Vejo muitos corpos caídos no chão: homens, mulheres, crianças... Eu devia ter ouvido o meu coração, podia ter evitado essas mortes. Eu tenho vontade de morrer (começa a chorar intensamente). Eu me sinto culpado, angustiado! (pausa). Vejo agora uma coisa feia, parece um bicho, é todo deformado, escuro, é muito feio! É um desencarnado, vive nas trevas. Ele segura uma lança e quer me matar. Vive me atormentando, faz com que eu tenha medo. Ele quer me matar pelas costas. Eu sempre fujo dele. Foi ele que me disse para eu me matar. Ele fica rindo, dando gargalhadas porque eu não salvei aquelas pessoas”. (pausa).
- Vá para o momento de sua morte nessa existência passada – peço-lhe.
“Eu acabei me matando. Sentia muita culpa, vivia atormentado, angustiado porque a cidade fora toda dizimada. Aquele espírito de luz (mentor espiritual) tentou me alertar, mas não o escutei. Não vejo o rosto dele, é uma luz branca, brilhante, dourada”.
- Pergunte para ele porque você tem medo de sua clarividência na vida atual – peço-lhe.
“Ele diz que eu não quero cumprir a minha missão”.
- Qual é a sua missão? – pergunto à paciente.
“Ele diz que preciso resgatar aqueles espíritos, aquelas pessoas que morreram naquela cidade. Eu preciso libertá-las”.
- Pergunte ao seu mentor espiritual de que forma você pode libertá-las – peço-lhe.
“É continuar com o que venho fazendo através da Radiestesia, ajudar tanto os desencarnados como os encarnados. Mas isso cansa, é muita gente. Nem sempre tenho essa energia. Eu tenho também medo do mal, esse obsessor, ele parece um diabo. Ele é muito feio, tenho medo dele”.
- Pergunte ao seu mentor espiritual porque esse obsessor quer prejudicá-la - peço-lhe.
“Porque eu não cumpri a minha missão naquela vida passada (pausa). O obsessor dá gargalhadas porque prejudiquei aquelas pessoas e a minha missão era salvá-las e eu não fiz isso. Fica sempre me vigiando, está sempre do meu lado. Quando fico cansada, desanimada na vida atual, ele dá risadas porque mais uma vez não estou querendo cumprir a minha missão.
O meu mentor espiritual me lembra que eu já libertei muitas daquelas pessoas que prejudiquei no passado. Ele está sempre andando com um cajado na mão, diz para eu segui-lo. Mas esse obsessor vive me perturbando. Tenho medo dele e estou cansada também de ver os espíritos daquela cidade destruída. Vejo-os aprisionados nas trevas. Estou cansada de ver essa gente presa. Não agüento mais! (começa a chorar desesperadamente).
Eu queria ser normal, não ver nada, viver uma vida comum. Estou sempre sozinha na tarefa de libertar esses desencarnados (pausa). O meu mentor espiritual tenta me acalmar. Diz que se eu escutar o meu coração e não a minha cabeça, vou me sentir feliz por estar cumprindo a minha missão. Ele diz também que o meu coração (alma) sabe de tudo.
Basta ouvi-lo que terei ânimo, coragem e seguirei avante o meu propósito de vida. Ele sorri, diz estar muito feliz por eu estar no caminho certo. Fala que sempre esteve comigo me ajudando e que não preciso me preocupar nem ter medo desse obsessor. Diz que não adianta jogar a culpa nesses espíritos desencarnados porque eles só podem me atingir se eu permitir. Ele me esclarece dizendo que um espírito obsessor que deseja vingar-se por tê-lo prejudicado no passado, só o conseguirá se eu entrar na mesma faixa vibratória dele. Portanto, para manter-se fora de seu alcance, eu teria que viver em uma faixa acima, onde ele não tem acesso. Para isso, ele diz para eu não entrar na negatividade, acreditando mais em mim, vivendo de bem com a vida. Diz ainda que se eu entrar na negatividade esse obsessor vai tentar me envolver com pensamentos que exploram as minhas fraquezas, na tentativa de fazer baixar o teor de meu padrão mental.
Neste sentido, ele vai trabalhar para me levar à depressão para que o meu padrão energético caia. Mas se eu reagir, não lhe dando ouvidos, nada me acontecerá”.
No final da sessão, a paciente me deu um abraço caloroso, me agradeceu por ter tido a oportunidade de ter contato com o seu mentor espiritual e de saber que estava no caminho certo e que não estava sozinha. Sentia-se mais fortalecida e motivada para seguir avante o seu propósito de vida.








in memoriam