A terapia de vidas passadas e a energia do dinheiro
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 22/07/2002 11:52:15
O tema deste artigo, na verdade, foi sugerido por uma leitora do vidanova que me perguntou como fazer para o dinheiro fluir naturalmente em sua vida e se a TVP poderia explicar os entraves financeiros vividos nesta vida. A TVP (Terapia de vidas passadas) como método psicoterápico tem por objetivo identificar a causa primária do problema de uma pessoa. É comum as pessoas me procurarem em meu consultório para resolver seus problemas financeiros e profissionais. E antes de iniciar a sessão de regressão, formulo a seguinte pergunta ao inconsciente do paciente: “Por que minha vida financeira e profissional não fluem livremente? Por que não consigo prosperar?”
Normalmente a resposta desse entrave decorre de crenças que a pessoa cultiva com relação ao dinheiro, muitas vezes motivados por valores religiosos, isto é, crenças negativas de desvalorização em relação ao dinheiro. Há uma citação na Bíblia que diz: “É mais fácil entrar um camelo no buraco de uma agulha do que o rico no reino dos céus”. Em vista desta citação, rico não entra no reino dos céus. Agora, pobre entra. Portanto, ser rico não é muito vantajoso. É, sem dúvida alguma, uma mentalidade que vai contra a prosperidade.
Então, dinheiro é valor, é uma energia de valor. É preciso ter uma relação positiva com o dinheiro. Agora, como dá para se ter uma relação positiva, valorizar o dinheiro se, por exemplo, você aprendeu a vê-lo como algo sujo. É muito comum os pais falarem para a criança: “Vai lavar as mãos, você pegou no dinheiro!”
Para se ter prosperidade, é preciso ser amigo do dinheiro, respeitá-lo (não reverenciá-lo), tratá-lo com sabedoria. Significa não ter apego mas também não desprezá-lo. Todo desperdício é desvalorização do dinheiro. Cuidado com o que você estraga, joga fora, gasta sem necessidade. Com o plano de racionamento de energia imposto pelo governo recentemente e que todos tivemos que cumprir, percebemos que não estávamos acostumados a economizar, pois sempre cultivamos no nosso País a cultura do desperdício. Por outro lado, o dinheiro deve circular também. Pagar suas contas com prazer, dando graças a Deus por ter dinheiro. O respeito com tudo e todos traz prosperidade.
Em vidas passadas muitas pessoas sofreram dificuldades financeiras chegando a passar necessidades, criando desta forma, a crença na falta, a valorizar a falta. Isso trouxe reflexos nesta vida, continuando a realimentar a crença de que sempre o dinheiro vai faltar. É preciso, portanto, identificar os mecanismos sabotadores que a pessoa costuma realimentar e que está dificultando e impedindo que sua vida seja próspera. Só assim, que a pessoa vai se permitir e sentir que merece as abundâncias da vida.
CASO CLÍNICO
Vida financeira não flui livremente
Homem de 34 anos, solteiro.
Paciente me diz na entrevista que é esforçado, honesto, trabalha muito, mas quando começa a progredir, vai tudo por água abaixo, tudo dá errado e volta à estaca zero. Acaba sem dinheiro, com contas a pagar. Queria saber o porquê desses altos e baixos na sua vida financeira. Diz que se sente desanimado, cansado de não conseguir ter estabilidade financeira e não consegue dormir bem.
Ao passar pela regressão se viu numa casa velha de fazenda, grande, antiga, parede branca, suja de terra, muitas janelas e várias rodas de carroças penduradas nas paredes. O ano é 1800. É uma fazenda no Brasil, na Bahia. Ele se vê como escravo, forte, tem 25 anos. Está vestido de calça e sem camisa. Nesta fazenda existem 50 escravos.
O dono da fazenda é um velho de barba e bigode grisalho.
Ele é ruim e é o dono dos escravos. Faz os escravos trabalharem na roça e carpirem o mato. Ele tem um homem de confiança, um capataz que toma conta da fazenda; e anda sempre com arma e chicote, roupa de couro cru, sujo, igual a dos cangaceiros.
Diz que tem mãe, pai (não está nesta fazenda) e muitos irmãos. Se sente preso, trabalha muito, come pouco e dorme com a mãe e os outros escravos na senzala. Veste roupas de saco sujo, usa camisa de saco. É alto e magro. Joga capoeira e diz ser bom nisso.
Não sente nada pela sua mãe, todos vivem juntos e dormem amontoados (mulheres, homens e crianças). Seus companheiros de senzala o obedecem porque é forte. Em seguida, peço para que ele prossiga na cena e se vê fugindo da fazenda, se esconde no mato. O capataz o persegue e, depois de vários dias, acaba o achando. Ele leva uma surra com porretadas na cabeça e é amarrado num tronco e chicoteado na frente dos escravos. Após o castigo, volta para a senzala e sua mãe cuida de suas feridas. Vê um monte de crianças negras que o observam, vendo-o como um herói. Sente ódio por ser negro e vergonha porque apanhava muito desde criança. Em seguida, peço para que vivencie o momento de sua morte. Diz que morreu velho, com cabelos e barba branca, fumando cigarro de palha. Morreu de velhice com 95 anos. Morreu de cansaço. Não teve vida, pois trabalhava muito. Quando ainda era novo, virou reprodutor, um “garanhão” por muito tempo. Foi escolhido para ser reprodutor porque era bem preto, alto, forte e saudável. Disse-me que preto escravo não podia ter dinheiro. Mas por sorte, achou uma nota velha, verde e laranja com o número dez nas duas faces e um desenho de um palácio no meio da cédula. A nota era grande. Era a única cédula que tinha.
Ele escondia o dinheiro. Sentia que tinha dinheiro. Que era um preto rico. Diz que tinha medo que alguém tomasse seu dinheiro. Por outro lado, se achava melhor que os brancos, mais corajoso. Os negros o respeitavam porque era valente. Não tinha medo de ninguém. No entanto, se sentiu frustrado quando o capataz o pegou. Foi depois deste incidente que o usaram para ser um reprodutor. Ele tinha que fazer sexo na hora que o capataz quisesse. Nunca teve uma mulher como companheira. Teve muitos filhos.
No momento de sua morte estava sozinho, descansando. Estava muito velho, não via a hora de morrer. Diz que tinha medo de ter dinheiro, de que alguém o tomasse. Morreu segurando a nota na mão. Na verdade, o medo era de não saber o que fazer com o dinheiro, de usar errado e perdê-lo. Na senzala era o único que tinha dinheiro e ninguém sabia disso.
Após essa sessão de regressão, ele entendeu porque nesta vida tinha também medo de perder dinheiro, de ganhar e perdê-lo. Na verdade, ele veio a perceber que continuava realimentando a crença de que ganhar dinheiro é muito difícil e nutria o mesmo sentimento de inferioridade, de desvalorização e de não merecimento. Após se conscientizar da causa verdadeira de seu insucesso financeiro nesta vida, fizemos um trabalho de hipnoterapia, no sentido de incutir no seu subconsciente frases sugestivas pós-hipnóticas para que ele mudasse essa crença negativa a respeito do dinheiro.
Depois de passar por algumas sessões de hipnose, ele perdeu o medo de ganhar dinheiro. Desta forma, a energia do dinheiro passou a fluir naturalmente em sua vida.








in memoriam