Apego: Um dos pilares que sustenta o sofrimento humano
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 15/04/2009 16:16:24
O sofrimento começa quando nos apegamos a algo. Buda dizia que um dos pilares que sustenta o sofrimento humano é o apego, ou seja, o apego de toda ordem: Aos bens materiais, às pessoas, às crenças, sentimentos, pensamentos errôneos, ao passado, etc.
Há pessoas que preferem reagir a um assalto do que entregar o que o assaltante quer, perdendo a sua vida. Outros, quando perdem um ente querido, por conta de uma doença, acidente, divórcio, não conseguem se desapegar dele, não se conformam, ficam revoltados, agressivos e infelizes. Certa ocasião, na entrevista inicial em meu consultório, perguntei à paciente qual era seu estado civil e ela me respondeu que era divorciada. No entanto, observei que ela usava uma aliança em sua mão esquerda. Então, perguntei-lhe se havia casado novamente.
Ela respondeu que não, e que era esse o motivo que a trouxe em meu consultório: não conseguia tirar a aliança de casada. Apesar de ter assinado o divórcio há 15 anos e o seu ex-marido ter casado novamente e constituído uma outra família, não conseguia esquecê-lo. Agia ainda como uma mulher casada. Quando uma amiga a convidava para sair nos fins de semana até aceitava, mas se sentia culpada quando um homem se mostrava interessado nela.
Ao voltar para casa, chorava pensando em seu ex-marido; desta forma, não conseguia tocar sua vida, dar a volta por cima e se relacionar afetivamente com outro homem. Não conseguia, portanto, se desapegar de seu passado, apesar da separação ter ocorrido há 15 anos.
O tempo é relativo, como dizia Einstein, em sua teoria da relatividade. Na T.R.E. (Terapia Regressiva Evolutiva) – A Terapia do Mentor Espiritual – Abordagem psicológica e espiritual breve criada por mim, conduzindo mais de 6000 sessões de regressão, constatei que em 10% de meus pacientes a causa de seu(s) problema(s) advém desta vida (infância, nascimento ou útero materno) e, em 90% dos casos, a gênese de seu(s) problema(s) é bem mais remota, vem de vidas passadas. Nesses casos, o problema do paciente não se originou nessa vida, mas de outras existências, e vem se repetindo há várias encarnações, inclusive nessa.
Nesta terapia, constatei também que existem três fatores que ocasionaram o problema do paciente: 1) Fator interno, psicológico, ocasionado por experiências traumáticas desta ou de outras vidas; 2) Fator externo, espiritual, são as interferências espirituais obsessoras que geram o problema do paciente; 3) Misto (interno + externo).
Em 95% dos casos, a interferência dos espíritos obsessores, se não for a causa principal, é sempre um fator agravante, e em 5% dos casos, a causa é puramente psicológica, não havendo, portanto, nenhum fator espiritual.
Como explicar um percentual tão alto (95%) de espíritos obsessores provocando os problemas na vida desses pacientes?
A razão disso se explica pelo fato de sermos espíritos em evolução (aliás, tudo no Universo está em expansão, evolução); portanto, o ser humano está sujeito a cometer erros, injustiças por conta da ignorância, falta de esclarecimento a respeito das Leis Universais, Divinas. Visto por esse ângulo, não existem pessoas “ruins”, “más”, mas seres ignorantes, obtusos acerca dessas leis e suas conseqüências ao infringí-las.
O véu do esquecimento do passado (barreira da memória que se manifesta em forma de amnésia) nos impede de lembrarmos as atrocidades, as barbáries que todos cometemos em vidas passadas. Por conta disso, é comum nesta terapia um espírito obsessor se manifestar com ódio acusando o paciente de sua infelicidade, pelo mal que lhe causou no passado.
Por sua vez, é comum também o paciente reagir com espanto, dúvida, incredulidade diante dessa acusação por parte do obsessor, em função do véu que o impede de reconhecer, recordar as ações de seu passado. Muitos pacientes me perguntam se não é fantasia, fruto de sua imaginação esse diálogo que teve com o seu obsessor. Não conseguem admitir que numa existência passada foram capazes de cometer tamanha atrocidade.
Sem dúvida alguma, a presença de um espírito obsessor na TRE é a prova mais contundente, inconteste de que não estamos aqui nesta vida terrena pela 1ª vez; confirma, portanto, a tese da reencarnação, da pluralidade da alma, do espírito.
Confirma também que o apego gera sofrimento, e que a teoria da relatividade de Einstein mencionada neste artigo está certa.
Há espíritos obsessores que ficam 100, 200, 300, 1000 anos obsediando o paciente, acompanhando-o em várias encarnações e não se dão conta desse tempo todo, pois o tempo cronológico da vida terrena é diferente do Astral.
Na Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade de autoria do Dr. Masaharu Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie, assim está escrito: “A Vida não tem princípio nem fim, não morre nem desaparece. A Vida não está contida na escala do tempo, não está contida na escala da caducidade; o tempo, pelo contrário, está na palma das mãos da Vida, a qual cerrada se torna um ponto e, aberta, se torna infinito”.
Esses seres espirituais estão tão apegados ao passado, pelo que o paciente lhes fez numa época longínqua, que não percebem que o mesmo já reencarnou várias vezes, e até mesmo mudou de sexo na vida atual. Quando peço propositadamente ao obsessor para que observe atentamente o rosto e o corpo do paciente, sua reação costuma ser de espanto quando percebe que ele não tem mais a mesma fisionomia, o mesmo corpo do passado e, só então se dá conta de que perdeu seu tempo, que poderia evoluir, aprender, ser feliz reencarnando, caso se desapegasse de seu passado, de seu ódio.
Vale lembrar aqui a máxima secular de Cristo: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
Portanto, quando o obsessor espiritual do paciente entra em contato com a verdade, é comum se libertar do passado e aceitar ajuda dos espíritos amparadores e ser conduzido à luz.Caso Clínico:
Por que a minha mãe me irrita e discuto constantemente com o meu padrasto?
Mulher de 25 anos, solteira.
Veio ao meu consultório querendo entender o porquê de seu relacionamento com a mãe ser difícil, irritava-se facilmente com ela (o jeito dela a incomodava, embora não fizesse nada). Tinha também problemas de relacionamento com o seu padrasto, pois não gostava de suas brincadeiras com conotação sexual. Por conta disso, brigava constantemente com ele.
Sua vida profissional e financeira não deslanchava, estava emperrada e sentia também agonia, fobia por facas.
Ao regredir me relatou:
- “Estou correndo... Sou criança, uma menina. Fujo no meio de uma floresta, tem alguém querendo me pegar. É um homem velho, de 50 anos. Ele me pegou, tira a minha roupa, me beija, tento escapar, mas não consigo. Estou no chão, suja de lama e esse homem está em cima de mim.
Ele me estupra, é muito grande, devo ter uns cinco anos (pausa). Agora ele me deixou sozinha, estou sem roupa e suja.
Estou indo para casa, moro com minha mãe. A casa fica embaixo dessa floresta. Chego em casa, minha mãe briga comigo porque estou suja e me bate. Tenho medo de falar para ela o que aconteceu comigo. O homem que me estuprou está em casa. Ele é o meu padrasto (na vida atual ele veio novamente como o seu padrasto e a sua mãe desta vida passada também veio como mãe). Ele está sentado, comendo. Minha mãe não dá muita atenção para mim. Eu me sinto triste, com medo dele. Ele olha para mim e me pergunta se não vou comer. Tenho muita raiva deles. Ela nem quis saber o que aconteceu comigo, apesar de me ver toda suja de lama e machucada.
Minha mãe é velha e ele é mais novo que ela. Eu troco de roupa e sento à mesa, falo que não quero comer.
Ela briga comigo, diz que sou estúpida, feia, que não ajudo em nada, e o meu padrasto ri(pausa).
Ele fala para sentar em seu colo e comer. Diz que sou linda, que me ama, mas sinto medo e raiva dele (pausa).
Agora estou maior, tenho 15 anos, continuo na mesma casa, estou varrendo.
O meu padrasto chegou, corro para o quarto, mas ele me acha e vem para cima de mim. Tento lutar, pego uma faca que deixo debaixo do travesseiro e tento me defender, mas ele tira a faca de mim e me mata dando vários golpes em meu peito.
Em seguida, me enrola num lençol, me arrasta e me joga no abismo e fala: “Você não servia para nada mesmo”. Ele me joga nas pedras, embaixo tem o mar.
Na sessão seguinte (última sessão), a paciente me relatou:
- “Vejo um senhor que está vestido com roupa de bruxo. Ele tem uma bengala de madeira, é mago, meio corcunda e usa uma barba branca, bem comprida.
Esse velho sou eu. Estou andando em direção a um castelo, me encontrando com o rei. Ele quer a minha ajuda. Eu pratico magia negra, sou uma pessoa ruim. O rei pede para que eu o ajude com a colheita do reinado.
Ele diz que se fizer isso, irá me dar uma boa quantia de dinheiro. Falo que vou ajudá-lo, mas em troca digo que quero também à sua filha, pois ela é nova e bonita.
Ela não gosta de mim, mas ele aceita o meu pedido. No entanto, faço a magia e jogo uma maldição naquele reinado para que nunca mais cresça nada.
O rei descobre o que fiz e quer se vingar de mim quer o dinheiro dele de volta e a sua filha (pausa).
Dr. Osvaldo, sinto aqui no consultório o espírito do rei, embora não o veja, intuo que ele está aqui, sinto a presença dele.
Ele fala que quer o dinheiro dele de volta, que eu arruinei a vida dele e de sua filha, que sou um velho F.D.P. Fala também que nunca vou ter sucesso em minha vida enquanto não tiver o dinheiro dele de volta (pausa).
Estou lhe dizendo que não lembro disso. Ele diz que eu lembro sim(em verdade, o obsessor não sabe que o véu do esquecimento do passado impede que a paciente recorde de sua vida passada), que o que fiz estragou não só a vida dele como também a vida das pessoas que moravam no reinado. Ele fala que é por isso que hoje sempre tenho problemas na área profissional e financeira, e que é ele que vem provocando isso, que nunca vou ter dinheiro.
Ele fala que tem consciência que é um espírito, que está desencarnado, e que eu reencarnei como mulher, mas quer o dinheiro dele.
Diz que há 600 anos que vem me acompanhando (pausa). A filha dele está aqui com ele, pede para que me escute. Ela já me perdoou, mas diz que como o pai dela ainda não me perdoou, fica presa a ele. Ela tenta convencê-lo a me ouvir, diz para o pai que o dinheiro não tem mais sentido, pois ele agora é um ser desencarnado (pausa).
Ele agora se ajoelha na frente dela e chora. Pede perdão por tê-la dado a mim como troca naquela vida passada. Os dois estão chorando, diz que vai tentar me perdoar, mas que é muito difícil esquecer o que fiz com ele.
Fala que preciso ajudá-lo a me perdoar, pois não consegue fazer isso sozinho. Eu estou agora pedindo mil desculpas, falo que o que fiz no passado, hoje jamais faria, pois não sou mais aquele velho. Peço também perdão à filha dele. Eu digo que vou orar para o pai dela para que ele possa me perdoar.
Ele está muito confuso, ela tenta acalmá-lo. Ele diz que agora quer ir embora. Ela fala ao pai que vai ajudá-lo para que compreenda melhor tudo isso. Ela é realmente uma pessoa muito boa, um espírito elevado.
Ela me esclarece que tentava persuadí-lo a não me prejudicar, mas não adiantava, pois ele estava tomado pelo ódio.
Ela diz que ele não irá para um lugar muito bom por ainda ter muita raiva de mim, mas esclarece que é o único lugar que ele pode ir. Pede para que eu o ajude orando por ele. Eles estão indo embora. (Pausa).
Vejo agora um senhor baixinho, gordinho, careca, com barba, veste uma túnica branca... É o meu mentor espiritual (ser desencarnado diretamente responsável pela nossa evolução espiritual).
Ele me diz: “Você precisa tirar a raiva de seu coração pelo que ocorreu em sua vida passada daquele abuso sexual que houve entre você e o seu padrasto.
Quando conseguir realmente perdoá-lo, vai ser feliz. Perdoe de coração também à sua mãe. Você precisa ajudar o rei e a princesa, pois isso também faz parte de sua evolução. Fique com Deus e agradeça ao seu terapeuta (referindo-se a mim) por esse trabalho”.
Dr. Osvaldo, o meu mentor finaliza dizendo que está muito contente com o resultado de nosso trabalho. Está novamente agradecendo ao senhor, e diz que agora vai embora”.
No final desta sessão, entreguei a oração do perdão à paciente para orar ao seu obsessor, à sua mãe e ao padrasto.
Palestra: Terapia Regressiva Evolutiva em SP
Curso de Formação em T.R.E. em SP








in memoriam