Dificuldades financeiras X Regressão
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 05/05/2003 11:30:10
A tese da reencarnação é aceita por boa parte da população do oriente, mas no ocidente, muitas pessoas relutam em aceitá-la, considerando-a como um assunto no mínimo polêmico. Neste sentido, embora o objetivo da TVP (Terapia de Vidas Passadas) seja unicamente de ajudar as pessoas a resolverem seus problemas, a lidar com a realidade das suas vidas aqui e agora, a prática dessa terapia me põe em contato com muitas perguntas e indagações feitas por pessoas que, embora queiram se tratar por essa abordagem terapêutica, ficam receosas em dar início a esse tratamento em função de seus temores, fantasias, crenças religiosas e preconceitos, muitas vezes reforçados por pessoas desinformadas que nunca se submeteram a essa terapia e até mesmo pela mídia que presta um desserviço para com a verdade. Gostaria de citar alguns do mitos mais comuns que muitas pessoas cultivam com relação à essa terapia:
1) Os pacientes inventam, imaginam estórias para corresponderem às expectativas do terapeuta.
Essa afirmação é inverossímil.
Os psicólogos paulistas do Hospital das Clínicas, Manoel Simão e Júlio Peres, fizeram o mapeamento cerebral de alguns de seus pacientes, durante as sessões de regressão, usando aparelhos de tomografia computadorizada. Os exames revelaram que somente a área da memória foi ativada. A parte que comanda os circuitos da imaginação, durante a regressão, em nenhum momento entrou em atividade. Desta forma, eles concluíram que seus pacientes não estavam fantasiando, mas resgatando memórias de experiências traumáticas de vidas passadas;
2) Ao descobrir em vidas passadas que determinadas pessoas das nossas relações nos matou ou causou grande sofrimento, a convivência na vida atual se tornaria insuportável.
Na verdade, existe um mecanismo interno de defesa que nossa mente utiliza sempre que algo ameaça a nossa integridade moral e emocional. Veja como exemplo pessoas que sofreram abusos sexuais em sua infância. Na maioria dos casos, ocorrem lapsos de memória sempre que elas tentam recordar as experiências traumáticas de seu passado. Esses lapsos de memória são disparados automaticamente caso a pessoa não estiver ainda preparada para acessar determinados registros de memória de seu inconsciente. Esse mecanismo de defesa, portanto, tem a função de nos proteger da dor.
Da mesma forma, assim ocorre também no processo regressivo. Se o paciente não estiver “maduro” para revivenciar experiências traumáticas de vidas passadas que ocasionaram o seu problema desta vida, ele não irá reconhecer pessoas que lhe prejudicaram numa vida pretérita e que estão presentes em seu convívio na vida atual;
3) Se descobrirmos que cometemos algum crime em outra vida, seria insuportável conviver com esse conhecimento.
O mesmo se aplica a este caso. As defesas psíquicas são acionadas automaticamente.
4) É preciso que o paciente acredite na reencarnação para ter êxito no tratamento.
Como afirmei previamente a “verdade” ou “ficção” da reencarnação, é irrelevante para o sucesso dessa abordagem terapêutica. Ainda que muitas pessoas se oponham à tese da reencarnação, o fato é que essa terapia dá bons resultados. E contra fatos não há argumentos. Eu costumo afirmar aos meus pacientes que o que importa nessa terapia é a pessoa querer efetivamente resolver o seu problema. E acreditar ou não em vidas passadas passa a ser algo secundário diante dos resultados.
Parafraseando a máxima do grande mestre Jesus: “A VERDADE VOS LIBERTARÁ”, sinto a veracidade das vidas passadas na vozes de meus pacientes enquanto deitados no divã, e em suas reações conscientes ao que suas mentes inconscientes revelam.
Caso Clínico: Dificuldades Financeiras
Mulher de 40 anos, casada, dois filhos.
Veio me procurar em função do aspecto financeiro, de sua vida financeira não fluir. Ela queira saber o porquê da sua vida profissional e financeira não deslanchar, não prosperar, embora tivesse tudo para dar certo. Disse-me que sempre na sua vida as coisas vinham de forma truncada e muito difícil. Seus chefes lhe prometiam uma promoção, um aumento, mas nunca dava certo. Estabelecia objetivos em sua vida, mas nunca se concretizavam. Em razão de sucessivos fracassos e decepções profissionais e financeiras e pelo fato de seu marido estar desempregado há três anos, estava profundamente desmotivada e depressiva.
Ao regredir ela me disse: “Estou numa casa grande, espaçosa e muito bonita. Estou na sala, o piso e a escada são todas de mármore. Minhas roupas são finas, estou bem arrumada, devo ter por volta dos 30 anos. Sou rica, tenho muito dinheiro, empregados, muito poder. Porém, sinto um tédio enorme. Não tenho nada para fazer, minha vida é muito monótona. Nesta vida (passada), mandei colocar fogo numa casa, pois os moradores não pagaram suas dívidas. Nesta casa moravam um casal e os cinco filhos, ainda pequenos. Eu prejudiquei muita gente, principalmente aqueles que iam contra mim ou que não faziam aquilo que eu queria. Não gostava de ser contrariada. Ficava rindo ao ver a desgraça das pessoas. Muitas famílias ficaram sem ter onde morar. Eu não me importava.
Apesar de toda a riqueza que possuía, ela era infeliz. Era uma mulher desanimada, triste. “Eu era uma pessoa solitária, queria ter uma companhia, alguém para compartilhar a minha vida, mas não tinha ninguém”.
Em seguida, peço para a paciente ir para o momento de sua morte. “Estou velha, meus cabelos estão escassos e brancos. Estou deitada, sentindo muito frio. Vem um pensamento de arrependimento por ter prejudicado muitas famílias. Identifico aquele casal que tinha cinco filhos como sendo os meus irmãos na vida atual. Agora entendo o porquê de sempre querer ajudá-los financeiramente. Como os prejudiquei mandando colocar fogo naquela casa, trago ainda a culpa na vida atual. Era muito egoísta, arrogante nessa vida passada. Tratava as pessoas pior que os animais. Se eu pudesse voltar atrás, não as maltrataria, negando comida. Achava que quem não tinha posse, não valia nada. Vou morrer, não tenho mais forças. Meu corpo está tremendo muito”.Intervalo entre-vidas: Após a sua morte física, a paciente se vê agachada, de cócoras, sozinha e chorando muito. Está num lugar escuro, sente-se perdida, desesperada, por se sentir muito sozinha. Chora e pede ajuda. Um homem de cabelos encaracolados, olhos claros, se aproxima dela.
Não tenha medo, vim para te ajudar. Andam por um longo corredor e no final chegam num jardim, iluminado por uma luz natural, acolhedora. Ela me diz: “Este jardim parece infinito. Andamos até encontrarmos um senhor de olhar e fala mansa que me recebe carinhosamente. É só o que eu vejo”.
Em seguida, peço para que ela me diga qual o seu propósito para esta vida atual. “Nesta vida vim para valorizar as pessoas, independentemente do cargo, posição ou condição financeira. Vim para a minha família ajudar os meus irmãos em todos os sentidos”.
Antes de encerrarmos a sessão, disse-lhe: “Você precisa se perdoar. Carrega ainda a culpa por ter prejudicado muitas pessoas. Na verdade, você está se sabotando, não se permitindo ser uma pessoa próspera. A culpa de ter possuído dinheiro e ter destruído financeiramente muitas famílias, não lhe permite ter sucesso financeiro, conquistar bens materiais. É preciso que você se liberte de seu passado. Conscientize-se de que as condições de sua vida atual são bem diferentes, hoje você não é mais solitária, tem marido, uma família. Sinta dentro de si o perdão pelos próprios erros, porque errar é humano”.
Em seguida, pedi para que a paciente se imaginasse dentro de uma bolha de luz verde. Disse-lhe que essa luz iria transmutar suas experiências do passado em energia nova, de renovação. Ao encerrarmos a sessão, a paciente desatou a chorar, emocionada, dizendo que estava se sentindo muito leve, como se tivesse largado um fardo muito pesado de suas costas. Fizemos mais quatro sessões de regressão e demos por encerrado positivamente o nosso trabalho.








in memoriam