Drama Familiar

Drama Familiar

Autor Osvaldo Shimoda

Assunto Vidas Passadas
Atualizado em 26/11/2004 12:33:59


Certa ocasião um paciente me perguntou: “Eu quero entender o porquê de me dar bem com todas as pessoas e não conseguir o mesmo com os meus familiares”.
Respondi, citando a frase de Chico Xavier a respeito dos relacionamentos familiares: “É nas famílias onde se reúnem os piores desafetos de vidas passadas”.
Em outras palavras, os membros de um grupo familiar se atraem na vida atual por afinidade cármica. Neste sentido, o paciente mencionado acima tinha sérios conflitos com a sua família e não com os outros porque o seu compromisso cármico era com a sua família. Ele tinha débitos cármicos (isso ficou comprovado após passar pela regressão) de experiências mal resolvidas de suas vidas passadas com os membros de sua família atual.

Portanto, visto pela ótica da reencarnação, a família não é o resultado de um encontro fortuito, onde os espíritos se agrupam por acaso. Não entra o fator sorte ou azar. Você não caiu de pára-quedas em sua família. Na minha experiência em TVP (Terapia de Vida Passada), os pacientes recordam, ou seja, reconhecem - ainda no útero materno - seus desafetos de vidas passadas como membros de sua nova família.

Muitos chegam a lembrar que planejaram no plano astral (junto com o seu mentor espiritual), reencarnarem novamente para resolverem pendências com suas famílias ou algum membro em especial. Neste contexto, a família atende a uma finalidade clara que é conceder a todos na vida atual, uma oportunidade de repararem prejuízos causados no passado entre si, buscando a reconciliação. Desta forma, os dramas familiares representam uma oportunidade de aprendizagem para todos.
Em contrapartida, há que se ressaltar que podemos nos reunir em nossa família também por simpatia. Aqui explica o porquê de nos darmos melhor, termos mais afinidade com um determinado parente. Muitas mães se sentem culpadas por terem preferência ou mais afinidade com um filho(a) em detrimento dos outros.
Por outro lado, o inverso também é verdadeiro: É comum ocorrerem conflitos constantes entre mãe e filho(a) chegando a nutrir um ódio recíproco entre os envolvidos. Sentimentos de rejeição, agressões verbais e/ou físicas, humilhações, incompreensão, discórdias, incompatibilidade de idéias, prevalecem muitas vezes nesse relacionamento familiar. Portanto, através da TVP, é grande a chance de transformar laços de ódio em amor nos relacionamentos familiares. É por isso que costumo dizer aos meus pacientes que a TVP é uma terapia do amor.

Caso Clínico: Amor e aversão pelo marido
Mulher de 45 anos, casada.


Veio me procurar por conta de sua dificuldade de se relacionar com o marido. Tinha uma relação muito forte com ele, mas algo nele a repelia. Quando o marido chegava perto dela, se sentia profundamente irritada e enojada. Embora o amasse, sentia uma ambivalência afetiva de amor e aversão por ele. Não conseguia entender o porquê dessa aversão e repugnância.
Tudo a irritava nele: o jeito de sentar, andar, falar, a voz dele. Pensava nele com carinho, mas quando chegava em casa sentia um aborrecimento muito forte. No início de seu relacionamento não tinha consciência desse sentimento. Antes, a atração sexual era maior que a aversão. Não se sentia à vontade na presença do marido. Fazia de tudo para não ficar próximo dele. Desta forma, queria saber a razão desse sentimento de ambivalência que a impedia de ser íntima do marido.

Ao regredir, me relatou:
“Algo me machuca, aperta a minha cabeça nas laterais. Alguma coisa que espeta. Dói muito! (começa a gemer de dor). Algo me espeta nos olhos também e estou com dificuldade de respirar (pausa). Estou sendo torturada. Meus braços! Não consigo sentí-los... Estou amarrada. Não consigo me mexer, alguém me tortura... É um homem, está atrás de mim. Estou deitada de lado, e a minha cabeça está sendo esmagada por um ferro. Dói muito! (geme e chora copiosamente). Ele está amassando cada vez mais a minha cabeça. Não consigo respirar! (respira com dificuldade, ofegante)”.

- Avance mais para frente nessa cena - peço-lhe.
“Agora não sinto nada (pausa). A dor passou. O meu corpo não responde. Eu sinto alívio, vejo agora uma luz branca e duas pessoas se aproximam. Eu sou carregada, não consigo andar. Eu morri. Esse homem, o meu agressor, estourou a minha cabeça com aquele ferro. Agora estou em espírito, vejo a minha cabeça aberta (pausa). Dói muito! Ainda sinto muita dor, embora esteja em espírito. É a mesma dor forte que sinto hoje quando tenho uma crise de enxaqueca. A dor é tão intensa que um dia cheguei a bater minha cabeça na parede de desespero, porque a dor não passava. Nenhum remédio fazia mais efeito. Essa dor se intensificou dez anos atrás”.

- Volte antes daquela cena de sua vida passada em que seu agressor lhe tirou a vida - peço-lhe.
“Vejo muita gente no mercado. Vendo flores. Sou muito pobre, meus pais morreram. É uma vila, muitos barracos, muita gente. Somos pobres, quase não tenho o que comer. Sou bem baixa, meus cabelos são compridos, presos por um lenço. Visto uma saia comprida. Estou atrás do balcão”.

- Avance mais para frente nessa cena - peço-lhe.
“Moro num cômodo, não tenho o que comer, não tenho nada. Eu choro muito. Devo ter uns 12 anos. Tenho muito medo de morrer de fome, sou sozinha. Saio para vender flores, mas quase ninguém compra, pois são todos muito pobres, preferem comprar comida (pausa). Agora estou morando na rua, vivo de esmolas, deixei minha casa. Fico sentada no chão pedindo esmolas. Eu queria que os meus pais ficassem comigo, mas eles morreram num incêndio. Eu estava no mercado vendendo flores quando vi a fumaça e saí correndo. A minha casa estava em chamas, tentei entrar, mas não me deixaram. Eu fiquei desesperada. Não sobrou quase nada. Nos fundos da casa, meu pai tinha construído um quarto onde guardava ferramentas e passei a morar lá. Foi o único lugar que sobrou do incêndio. Fiquei sozinha. Sentia muita falta de minha mãe. Mas eu tinha que trabalhar”.- Avance mais pra frente nessa cena, anos depois - peço-lhe.
“Agora trabalho numa doceira; moro no fundo da loja. Faço doces, bolos, trabalho para o meu sustento. A dona dessa doceira me deu um teto, comida e me trata como sua filha. Devo estar com 20 anos. Eu cuido da loja. Ela é muito carinhosa e faço de tudo para ajudá-la. Essa senhora me ensinou a ler e a escrever. Eu leio muito! (pausa). Vejo agora vários soldados. Usam um uniforme escuro, capacetes. Aprisionam muita gente e queimam suas casas. É a época da inquisição da Igreja Católica. Queimaram muitos livros de histórias, romances, poesias, física. Eles me empurraram, viram os livros e acabei sendo presa. Aqueles livros não tinham nada de especial. Não afrontavam os dogmas da Igreja Católica. Mataram aquela senhora. Eu fui para uma cela. Vejo muita gente chorando: homens, mulheres, crianças. Amarraram minhas mãos e as minhas pernas. Fico deitada numa mesa de pedra. Eles me dão um tapa na cara, cospem em mim. Eu não entendo nada. Sinto muito medo (pausa).
Eles foram embora e me deixam ali sozinha. Estou toda arrebentada. Passei muito tempo lá“.

- Avance mais pra frente nessa cena - peço-lhe.
“Estava dormindo e acordei com o barulho de passos. Alguém está fazendo carinho em mim. Desamarrou as minhas pernas. O meu corpo está todo dolorido. Ele diz que sou muito bonita... Oh! Meu Deus! (paciente grita). Esse homem é o meu marido da vida atual. Ele puxa a minha roupa. Eu não consigo me mexer porque minhas mãos estão amarradas. Ele é nojento! Sou violentada. Tenho vontade de vomitar. Ele me machuca muito. É horrível!!! (chora copiosamente). Estou toda suja, seu cheiro é horrível! (pausa).
Aquele desgraçado voltou por vários dias para fazer a mesma coisa. Um dia sem dizer uma palavra, me deitou de lado, colocou minha cabeça numa prensa de ferro e começou a apertá-la. A dor começou e a minha visão foi ficando turva e fiquei com falta de ar. A dor é muito forte! (paciente chora desesperadamente). Ele não pára de apertar a minha cabeça (pausa).
Meu corpo não se mexe... Estou morta. Vejo o sangue escorrendo pela minha cabeça. Ela está aberta. Mesmo após a minha morte física, a minha cabeça dói”.

Na sessão seguinte, peço à paciente que pergunte para o seu Eu espiritual o porquê de seu marido ter tirado a sua vida naquela existência passada. (pausa)
“Vejo um salão de baile. Sou um rapaz. Meus cabelos são ondulados, olhos claros, uso fraque, devo ter por volta dos 18 anos. Sou filho de uma família muito rica. Os homens aproveitam para encontrar uma futura esposa nesse baile. Meu pai diz que eu preciso encontrar uma esposa, que eu preciso casar. Ele quer que eu tome conta dos negócios da família. Temos muitas terras, escravos (pausa).
A música parou, preciso escolher uma moça. Eu me sinto desanimado. Eu puxo uma para dançar, sem dizer uma palavra. Olho para os lados, os meus amigos estão animados. Eu não estou nem um pouco. A música acabou. Eu a levo para os pais dela. Percebo ao conversar com o pai que só pensa no meu dinheiro. A mulher dele tem uma voz estridente, horrível, quero ficar longe dela. Fico pensando que ter os dois como sogros seria terrível (pausa).
Acabei me casando com essa moça e tive uma filha com ela. Meu pai deixou de falar comigo por três dias pelo fato de não ter lhe dado um neto para ser seu herdeiro. Ele não aceitava a minha filha de jeito nenhum, a destratava. Ele nunca lhe deu um beijo ou a chamou de neta. Passei a odiá-lo por isso. Minha mãe fazia de conta que não via. Mas a peguei chorando várias vezes por causa disso”.

- Avance alguns anos nessa vida passada – peço-lhe.
“Meu pai agora está velho e sou eu quem administra os negócios da família. Eu resolvi me livrar do que mais me incomodava, que era o dinheiro. Comecei a libertar os escravos, a vender as terras a preço de banana. Gastei toda a fortuna da família. Só deixei uma reserva para a minha filha. Meu pai soube e ficou desesperado. Vendi algumas jóias. Só não toquei nas jóias de minha mãe (pausa).
Ela só chorava. Acabou morrendo de desgosto, mas a avisei que iria me desfazer de todos os bens da família”.

- Avance ainda mais nessa vida - peço-lhe.
“Minha filha desapareceu. Fiquei desesperado, só chorava. Procurei-a em todos os cantos, mas não a encontrei. Até que um dia recebi um bilhete que dizia que eu deveria dispor de todo o meu dinheiro para tê-la de volta. Peguei todo o meu dinheiro e o coloquei em um baú na entrada da minha fazenda como dizia o bilhete. Eu armei uma tocaia para pegar o desgraçado. O homem botou o baú nas costas e eu o segui. Ele deu voltas e voltas para me despistar, mas fui atrás dele. Estava exausto, tinha ficado dois dias de tocaia. Esse homem era um negro e estava com o baú e a minha filha num cavalo. Ele parou em uma cabana e a entregou para um senhor”.
Para a minha surpresa, era o meu pai. Esperei que o negro se afastasse da cabana para pegá-lo e dei um tiro na cabeça dele. Em seguida, bati na porta e esmurrei o meu pai com todas as minhas forças até ele desmaiar. Saí daquela casa e a queimei. Nem peguei o dinheiro. Voltei para casa com a minha filha, aliviado, sem a presença daquele velho. Ele batia em minha mãe e nunca me deu carinho. Aquele velho era “duro como uma pedra”. Sempre o odiei.
Fui trabalhar. Minha filha nunca se casou, mas nunca a obriguei. Minha mulher morreu. Eu envelheci com a minha filha. Ela me amava de verdade”.

- Vá para o momento de sua morte nessa vida passada – peço-lhe.
“Eu tive um derrame e o lado esquerdo de meu corpo ficou paralisado. Fico preocupado em deixá-la sozinha. Comecei a pensar na minha vida e, pela primeira vez, senti pena de meu pai, embora nunca tivesse dado valor ao filho, à esposa e à neta. Só pensava no dinheiro”.

- Em seguida, perguntei à paciente se ela conseguia fazer uma analogia dessa vida passada com o seu sentimento de ambivalência de amor e ódio que nutria pelo marido na vida atual.
“O meu pai dessa vida passada que eu matei, é o meu marido da vida atual. Na vida seguinte, desta vez foi ele quem tirou a minha vida, me estuprando e estraçalhando a minha cabeça. Agora na vida atual, viemos como marido e mulher para nos reconciliarmos”.

Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente me disse que nunca mais teve crises de enxaqueca. Aquela aversão, irritação e nojo pelo marido desapareceram por completo. Antes, evitava ao máximo ficar junto dele. Quando ele ligava para ela, só de ouvir sua voz, ficava profundamente irritada. Ela me confidenciou que agora é ela quem liga para o marido. A paciente me disse feliz que estavam finalmente se dando muito bem.

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Shimoda
é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
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