Estado alterado de consciência: Fantasia ou Realidade?
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 15/04/2005 13:17:10
“Se, após a morte do corpo físico, alguma outra coisa sobrevive como suporte da personalidade e repositório da memória de suas experiências, por que não admitir a possibilidade do seu retorno ao palco da Vida? Não seria este o processo básico da evolução biológica?” Hernani G. Andrade.
Experiências de Quase-Morte (E.Q.M.). Também chamadas pelos médicos de morte súbita interrompida ou somática, ocorrem quando o paciente tem uma parada cárdio-respiratória, por exemplo, na UTI de um hospital e, subitamente, após um determinado intervalo de tempo, os médicos conseguem reanimar o coração do enfermo e este passa a bater novamente. Neste intervalo de tempo em que o coração parou, muitos pacientes descrevem experiências inusitadas (sentem-se desprender do corpo, têm contato com entidades espirituais de luz, percebem profundo bem estar, etc.) e quando retornaram aos seus corpos, a maioria relata que sofrera profundas modificações em sua forma de ver a si e à vida, se tornando mais humanos, passando a valorizar mais a existência e muitos perderam inclusive o medo de morrer...
Reencarnação., isto é, a idéia que o ser humano é imortal e que, portanto, existe uma vida após a morte e que ele renasce várias vezes em corpos diferentes para a evolução de sua alma;
P.E.S. (Percepção extra-sensorial). São fenômenos psíquicos (clarividência, clariaudiência, premonição, projeção astral, psicofonia, encontros com entidades arquetípicas); todos esses fenômenos - e outros – se dão quando o ser humano se manifesta em estado alterado de consciência (em transe). A ciência ortodoxa considera isso como algo não científico, considerando-o pertencente ao campo da religião e portanto sem ter base científica.
Muitos chegam até a considerar tais fenômenos como patológicos, doentios; rotulam as pessoas que os manifestam como esquizofrênicos ou portadores de distúrbios mentais. Neste sentido, a psiquiatria ocidental ainda tem uma visão unilateral a respeito desses fenômenos. A psicanálise explica os mesmos fenômenos como resquícios da infância, ou seja, imagens que projetamos de forma infantilizada dos nossos pais. Desta forma, tudo que não é entendido pela psiquiatria ou psicanálise é portanto, rotulado de patológico ou fantasioso.
Mas por quê? Em verdade, tanto a psiquiatria como a psicologia tradicional estão ancoradas nos modelos teóricos newtonianos e cartesianos do séc. XVII de como ver o ser humano e o mundo. Aprendi na Faculdade de Psicologia que a nossa história pessoal ocorre somente após o nascimento porque o córtex cerebral do recém-nascido não está ainda totalmente formado. Ora, percebi posteriormente trabalhando com a regressão de memória com os meus pacientes, que essa percepção é bastante superficial no que diz respeito à psique humana.
Eu pergunto: E a memória no momento do nascimento, no período intra-uterino ou muito mais atrás, em vidas passadas que o professor Banerjee da Universidade de Rajastan, Índia, preferiu chamar de memória extracerebral (fora do cérebro) por constatar em suas pesquisas científicas do fenômeno da reencarnação, que muitas das habilidades dos pesquisados (crianças), tais como: genialidades, talentos, qualidades, habilidades, modo de ser, não foram aprendidas na vida atual, portanto, não faziam parte do cérebro físico atual.
A bem da verdade, o que a psicologia tradicional descobriu foram os 10% da ponta do iceberg do modelo teórico da psique humana de Freud. Os 90% estão no mapeamento do estudo da consciência. Curiosamente, foram os físicos e não os psiquiatras e psicólogos que se interessaram pelo estudo da consciência. O que os físicos quânticos descobriram dos estudos subatômicos é que a consciência participa ativamente da matéria. Da mesma forma que o microscópio e o telescópio deram uma nova visão da realidade, a Física moderna comprova que a matéria é ‘nada’ e que se assemelha ao que o Budismo também fala a respeito deste aspecto.
Fritjof Capra desde que obteve seu doutorado em Física, na Universidade de Viena, em 1966, vem realizando pesquisas teóricas sobre Física de alta energia. Escreveu vários artigos sobre as relações da Física moderna com o misticismo oriental. Ele é autor, dentre outros, do livro “O Tao da Física” onde faz um paralelo entre a Física moderna e o misticismo oriental (hinduísmo, budismo, taoísmo e filosofia zen).
Muitos dos grandes místicos tiveram visões de vidas passadas. Na Grécia antiga, Pitágoras dizia ter sido ferido no peito na Guerra de Tróia uns 600 anos antes de sua existência presente; em Fedro, Platão diz: “Ainda assim não é coisa fácil para todos recordar suas existências passadas através de sua existência presente...”; Sócrates, orientado pelo seu guia espiritual, dizia: “Desde minha infância, graças ao favor celeste, sou seguido por um Ser quase divino, cuja voz me interpela a esta ou àquela ação”.
Buda e Jesus tiveram visões demoníacas. Jesus previu sua morte sendo crucificado. O profeta Maomé também teve visões de anjos e demônios. Esses ilustres homens tinham distúrbios psiquiátricos? Foram todos fantasiosos?
Caso Clínico: Tique Nervoso
Mulher de 35 anos, solteira.
A paciente veio ao meu consultório por conta de seu tique nervoso (fazia caretas com a boca franzindo o nariz). Quando criança costumava se isolar nos intervalos das aulas porque era sempre motivo de chacota de outras crianças quando tinha os tiques nervosos.
Era muito nervosa, impulsiva, explosiva e seus tiques se acentuavam mais ainda por conta disso. Diante de qualquer adversidade, entrava em depressão, se isolava, chorava com freqüência e, nos momentos mais críticos, pensava em se suicidar.
Quando contrariada, ficava extremamente irritada, falava palavrões involuntariamente, e, evidentemente, seus tiques se acentuavam mais ainda. Desta forma, procurou a minha ajuda por se sentir muito angustiada, nervosa e sufocada. Queria entender também por que se isolava, se fechava quando ficava ansiosa.
Ao regredir me relatou:
“Está escuro, estou com medo, sinto falta de ar (paciente começa a chorar). Não vejo nada... Sinto o meu corpo pesado (pausa). Parece que estou no chão... Vejo agora uma sala grande, parece um salão, existem muitas janelas, o salão está vazio. Agora sinto um peso enorme em cima de mim. Não consigo me mexer. Vejo pedras, madeiras, está tudo caindo em cima de mim, desmoronando. É por isso que sinto falta de ar. (Chora intensamente) Tento me levantar, mas não consigo, há muitos entulhos em cima do meu corpo. Minha boca está seca”. - Volte antes dessa cena para saber o que foi que aconteceu - peço-lhe.
“Estou entrando num salão vazio, acabou de ter uma festa. Eu uso um vestido azul, calço um sapato alto. Sou branca, meus cabelos são castanhos claros, cacheados, tenho 20 anos. Estou arrumando o meu cabelo diante do espelho. Sou bonita, meus olhos são azuis. Agora chegou um homem. Ele é alto, usa um terno marrom, deve ter uns 30 anos”.
- Quem é esse homem? – pergunto-lhe.
“Ele está pedindo para eu sair com ele. Está me chamando...
Já vou! (paciente responde). É o meu namorado. Não gosto dele. A festa já acabou, estamos indo embora, a carruagem é bonita. Vejo uma estrada, estamos indo para a minha casa (pausa). Estou vendo pela janela da carruagem um homem... Ele está chorando, me observando perto de uma árvore. Eu gosto dele. Ele é negro. Estamos chegando em casa, é uma fazenda. Vejo um casarão. Meu pai está me esperando. Ele é bonito, loiro, alto. Está bravo porque cheguei tarde. Assim que cheguei, ele me mandou subir para o meu quarto. Minha mãe é falecida. Ela veio a falecer quando eu era ainda criança. Vejo a foto dela no meu quarto. Meu pai está me chamando. Já vou! (paciente responde). Ele me chama de filha. Eu desço as escadas correndo. O meu namorado está conversando com ele. Eles querem marcar a data do casamento e eu não quero. Eu falo que ainda não é a hora. Na verdade, não quero me casar com ele. Não gosto dele. Meu pai me falou que era um desejo de minha mãe. Minha irmã chegou, ela é loirinha, usa um vestidinho cor-de-rosa. Meu pai está brigando comigo, porque eu não quero casar com esse homem. Eu saio correndo” (pausa).
- Como você se sente? – pergunto-lhe.
“Estou correndo, é noite. Estou chorando, eu não quero me casar (pausa).
Vejo agora aquele rapaz que eu gosto se aproximando de mim. Ele é alto, forte, muito bonito, é negro. Mas é dele que eu gosto. A gente sai correndo, ficamos perto de uma árvore. Ele deve ter uns 27 anos. A gente se beija, ele fala que quer se casar comigo. Eu digo que não posso, ele insiste. Falo que preciso ir embora, está tarde. Combinamos que a gente vai se encontrar amanhã no mesmo lugar (pausa). Agora estou no meu quarto, meu pai está me batendo (paciente chora muito). Meu pai ficou sabendo que eu me encontrei com ele. Ele me tranca no quarto dizendo que eu só sairia de lá casada. Ele saiu e trancou a porta”.
- Como você se sente? – pergunto-lhe.
“Estou com raiva dele, não gosto dele. Eu quero sair, deixa-me sair! (chora gritando). Eu não quero casar-me, minha mãe não podia ter pedido isso. Eu vou fugir, não vou ficar aqui. Estou arrumando minha mala, vou pular pela janela. A janela é muito alta, estou com medo de me machucar. Mas vou dar um jeito (pausa). Minha irmã não quer que eu vá embora, chora pedindo para eu ficar, digo a ela que eu preciso ir, mas que eu iria vê-la depois. Sinto muito amor, carinho por ela. Decido então ir embora no momento certo (pausa). Meu pai está me chamando para a gente jantar. Não gosto da mulher do meu pai, ela quer tomar o lugar de minha mãe (pausa). Agora é o dia do meu casamento. Estou com vestido branco, minha irmã com vestido amarelo. Estou sozinha na carruagem, indo à igreja. O homem que eu amo está me esperando. Ele está a cavalo. Tenho que dar um jeito de fugir. Peço para o cocheiro parar, desço da carruagem; estou fugindo. Nós fugimos juntos, o que vai ser da minha irmã? Eu vou buscá-la um dia” (pausa).
- Avance mais para frente nessa cena, anos depois - peço-lhe.
“Vejo uma casa, não muito grande. Tem dois andares, uma sala bonita. Moramos nessa casa. Faz tempo que não vejo o meu pai. Ele não quer saber de mim. Sinto falta de minha irmã. Estou grávida, sou feliz, tenho um filho. Minha irmã vem me visitar e diz que meu pai morreu. Fico muito triste; apesar de tudo, eu gostava dele (chora copiosamente). Minha irmã não quer que eu vá ao enterro porque meu pai disse antes de morrer que não queria a minha presença no velório dele. Mas eu fui escondida. Muito tempo depois da morte de meu pai, vejo o casamento de meu filho” (pausa).
- Vá para o momento de sua morte nessa vida passada - peço-lhe.
“A casa está pegando fogo, está desabando tudo, não consigo sair (grita e chora copiosamente). Está caindo tudo em cima de mim. Não consigo sair. Está queimando tudo. Estou sentindo muito medo, tenho medo de morrer. Tenho muita coisa para fazer (pausa). Agora, não estou sentindo mais nada, só muita paz”.
- Veja agora o que acontece com você após sua morte física - peço-lhe.
“Estou num jardim, sozinha. Estou de branco, descalça, sinto sono (pausa)”.
Estou agora numa reunião, é uma palestra. O palestrante fala da vida após a morte. É um homem, um senhor de barba e cabelos grisalhos. Ele está de branco. O recinto é bem espaçoso, branco e iluminado. Deve ter uns cinqüenta ouvintes. Após a palestra, esse senhor conversa comigo nesse jardim. Diz que eu preciso me reconciliar com o meu pai. Por este motivo, iremos reencarnar novamente como pai e filha”.
Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente me disse que tinha-se reconciliado com o seu pai, seus tiques nervosos tinham diminuído bastante e seus colegas de trabalho e familiares notaram mudanças significativas em seu comportamento. Antes da terapia, quando era contrariada, agia de forma impulsiva e explosiva. Agora, estava mais calma, centrada. Mesmo passando por situações de conflitos em seu trabalho, buscava dialogar com a chefia e com os colegas, o que não ocorria antes. Demos por encerrado o nosso trabalho.








in memoriam