Influência Espiritual em Terapia de Vida Passada
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 16/06/2003 11:32:59
“Cremos que a psicanálise, unida à reencarnação, mas adotando os processos educativos da reencarnação no espaço e no tempo, seria para o mundo de hoje uma realização ideal”.
Chico Xavier - Janeiro de 1977.
Antes de começar a trabalhar com a TVP (Terapia de Vida Passada), através da regressão de memória, quando em meu consultório, escutava o meu paciente dizendo no divã: “Não vou embora. Essa pessoa vai ter que pagar pelos seus erros”, achava que era um caso de histeria e fragmentação de personalidade. Esta interpretação, na época, ia de encontro com a minha formação psicanalítica. Não acreditava em reencarnação, vidas passadas e nem tampouco em espíritos obsessores.
No entanto, meu trabalho com os espíritos obsessores dentro da TVP, me levou a rever minhas próprias crenças no tocante à vida depois da morte e à sobrevivência da consciência. Na regressão de vidas passadas, muitos pacientes me relatam que vêem seus desafetos (obsessores espirituais) de frente, ou seja, seu rosto aparece na frente deles.
Quando o obsessor aparece nas sessões de regressão, ele está ciente de tudo o que está ocorrendo na vida do paciente. Muitos demonstram raiva contra a própria TVP, pois sabem que o tratamento irá beneficiar o seu desafeto. Chegam até a impedir que o paciente vá ao meu consultório. Numa ocasião, um paciente chegou atrasado em sua primeira consulta, pois alegou que não conseguia encontrar a numeração de meu consultório, embora o número estivesse bem visível e a sua localização fosse de fácil acesso.
Trabalhando com os pacientes obsediados desde 1981, percebi que eles costumam apresentar os seguintes sintomas: Cansaço constante (diminuição do nível de energia), hipertensão, dores no corpo, enxaquecas, insônia, falta de concentração, irritação, ansiedade, temores infundados, obesidade, asma, alergias, etc. É importante ressaltar aqui que quando o paciente vem em meu consultório com esses sintomas, ou com alguns deles, é praxe eu solicitar uma avaliação médica antes de iniciarmos a terapia regressiva, para descartar qualquer suspeita de que esses sintomas tenham uma origem orgânica.
Quero frisar, portanto, que dentro da TVP, o paciente é tratado como um ser holístico (vidas passadas, vida presente, obsessores, mente, corpo e espírito), em busca de harmonização e conseqüente eliminação dos problemas.
Por outro lado, é importante dizer aqui que muitos pacientes vêm à terapia de regressão para resolver seus problemas como num “passe de mágica”. Acham que apenas regredindo, vão resolver seus problemas. Não percebem que para se resolver um problema, é preciso abrir mão de alguma coisa. Que é necessário trabalhar após a regressão o conteúdo inconsciente de seu passado.
Veja o caso de uma pessoa depressiva. É um indivíduo emburrado, irritado porque a vida não atendeu aos seus desejos. Ele não se conforma porque as coisas não aconteceram como ele queria. Na verdade, por trás de todo depressivo existe um caráter prepotente. Ele quer que as coisas aconteçam do seu jeito. E se tal não acontece, fica muito irritado. Daí a sua frustração, queixa e desânimo.
Em muitos pacientes, o caráter prepotente vêm de várias existências. Agora, o pior dos prepotentes é ser prepotente consigo mesmo, isto é, não se amar e não se aceitar de jeito nenhum. É ser irredutível em mudar seu modo de se tratar. É aquela pessoa intolerante, inflexível na maneira de se ver. Se recusa a se ver com bons olhos.
Essa pessoa, evidentemente, precisa fazer uma reformulação íntima, compreender o seu passado e as relações com o presente. Muitos vêm à terapia para curar de suas dores, mas não estão dispostos a fazer suas próprias mudanças, a abrir mão de sua prepotência. E o que acontece quando uma pessoa quer tudo do seu jeito? Caminha para a raiva. É aí que freqüentemente ela entra em contato com o seu desafeto (obsessor) de vidas passadas. Essa presença espiritual não aparece por acaso, mas pela vibração negativa que o paciente emana, oriunda de seus pensamentos, sentimentos e atitudes negativas, cultivadas no seu cotidiano, tais como: mágoa profunda, irritação, medos, sentimentos de inferioridade, depressão, auto-piedade, etc.). A bem da verdade, é importante dizer aqui que as pessoas se unem não só pelo amor mas também pelo ódio. Portanto, temos que ter consciência de que a obsessão é um processo bilateral, em que há sempre uma relação de cumplicidade. Neste sentido, a terapia de vida passada é uma terapia que visa abrandar o coração dos envolvidos, paciente e obsessor. Mas para que isso aconteça, é necessário ter humildade e saber perdoar verdadeiramente.
Desta forma, ambos se libertam e acabam recebendo os benefícios da terapia.
Caso Clínico:
Homem de 32 anos, Solteiro.
Veio em meu consultório pelo fato de ser uma pessoa muito insegura. Tinha dificuldades em tomar decisões o que, evidentemente, o afetava em sua vida. Entrava em pânico ao ter que enfrentar situações novas. O medo de errar, de tomar decisões erradas, o deixava muito angustiado. Daí o hábito de adiar suas decisões. Costumava ser condescendente com os erros alheios, porém, muito intolerante com os seus erros. Tinha também muita dificuldade em desagradar as pessoas, de dizer “não”. O sentimento de culpa era também uma constante em sua vida.Ao regredir, se viu amarrado numa árvore, com roupa de soldado. Ele me relata: “Sinto muito medo de morrer. As minhas costas doem muito. O general diz que sou um traidor”. Subitamente, o paciente solta um gemido: “Ele enfiou um lança em meu abdômen e está dizendo para os outros homens baterem em mim”.
Vejo a cara de pavor do senhor que eu parei para ajudar
A nossa tropa estava cavalgando numa estrada e este senhor me abordou, pedindo um prato de comida. Ele é o meu pai desta vida atual.
Eles foram embora.
Estou todo arrebentado.
Esse senhor está colocando a minha cabeça no colo dele, pedindo para perdoá-lo.
Balbucio dizendo para ele que a culpa não é dele.
Eles retornam e acabam matando esse senhor. Estão me arrastando, estou com muito medo de morrer. Eu não sinto mais as minhas pernas.
Eles estão com muito ódio, principalmente aquele que me enfiou a lança. Ele está esbravejando. Fala que eu não sou um líder. Está me cuspindo. Fala que eu não soube aproveitar tudo o que ele me dera.
Esse homem, o general, é o meu pai nesta vida passada. Ele diz que eu o decepcionei porque não cumpri a ordem dele de matar aquele senhor. Noutra ocasião, ele me mandou incendiar uma aldeia e eu não consegui cumprir as suas ordens. Não é certo matar as pessoas (chora copiosamente). O meu pai não me entende. Tenho medo dele. Ele mata as pessoas com muita facilidade. Eu tenho medo de Deus. Eu não posso fazer isso porque Deus vai me punir. O general diz que eu nunca vou ter paz, que ele vai me perseguir eternamente, porque eu o desonrei. Ele diz que existem os fortes e os fracos. E que se eu não fosse forte, não merecia viver.
Ele me mandava matar, punir os que o desobedeciam, enfiando estacas em suas mãos. Fico com ânsia de vômito, sempre que eu tenho que matar alguém. Eu faço isso porque ele me obriga. Deus tem que me perdoar. Essas pessoas mortas vão me perseguir eternamente. Eu me sinto culpado pela morte dessa gente. Antes de meu pai enfiar a lança em mim, ele me falou que sou a maior decepção de sua vida.
Ele me arrasta pela rua e diz para todos: “Isso é o que se faz com os fracos, com os traidores”. Meu pai dizia que os animais mereciam mais respeito do que os homens fracos e que Deus fez o mundo para nós governarmos e que, portanto, temos que seguir a justiça divina “Olho por olho, dente por dente”. Não há espaço para a misericórdia, porque Deus não fez a misericórdia”.
Em seguida, peço para que ele adiante a cena e recordasse o momento de sua morte. “Estou sendo queimado, estou com muito ódio de meu pai. Eu vou encontrar com Deus, ele vai me punir. Me desculpe, eu fui obrigado (começa a chorar). Estou vendo todas as pessoas que eu matei. Está tudo escuro, estou com muito medo, vou ser punido”.
Após sua morte física, peço para que ele me descrevesse o que estava vivenciando. “Estou flutuando dentro do útero. Eu não fui punido. Estou seguro aqui. Ainda dói muito o meu abdômen e também as minhas costas. Eu não vejo o meu corpo. Estou no útero de minha mãe. Agora, estou me vendo nascer. Estou chorando muito”.
Peço em seguida, para que ele recorde qual o seu propósito de vida para esta vida atual.
“Eu só quero pagar por tudo o que fiz na vida passada. Eu tenho um débito muito grande. Eu não posso errar com ninguém na vida atual (pausa). Estou me lembrando agora, que quando tinha 17 anos nessa vida atual, o general veio me ver. Sentou-se na minha cama à noite, quando eu estava dormindo. Na ocasião, fiquei com muito medo. Sabia que eu o conhecia. Ele veio para me dizer que eu não podia errar. Um dos que matei, veio gargalhar de mim e falou que eu não tinha mudado em nada e que sempre que eu errasse, iria me punir. A cada erro meu, ele iria aparecer e me punir.
Terminada a sessão, sugeri que ele procurasse um centro espírita idôneo para fazer o trabalho de desobsessão. Na sessão seguinte, ele me disse que tinha passado pelo trabalho de desobsessão e que os “Mestres de Luz” conversaram com aquelas entidades espirituais e os convenceram a ir embora com eles. Fizemos mais 10 sessões de regressão e trabalhamos o seu sentimento de culpa pelos seus erros passados, fazendo uma reprogramação mental para ele se perdoar. E demos por encerrado o nosso trabalho.








in memoriam