Medo de Amar

Medo de Amar

Autor Osvaldo Shimoda

Assunto Vidas Passadas
Atualizado em 11/06/2004 12:15:10


“O coração é bastante grande para conter muito amor.
Quanto mais você o dá, mais você o tem”.
- Victor Hugo.


Você tem medo da intimidade?
Você tem medo de se entregar?

“Por que os meus relacionamentos amorosos não dão certo”?
Esta é a pergunta clássica da maioria das pessoas que me procuram em meu consultório. Eu costumo responder que a causa do insucesso amoroso está no medo de amar, no medo da intimidade, de se entregar.
É tanta mágoa, desilusão que se carrega do passado!
Em verdade, sua vida afetiva é péssima porque ainda está presa ao passado (embora muitas vezes não admita) e existe em você uma quantidade enorme de desilusão. E o que acontece? Você cria uma resistência em se entregar. Isso impede que você tenha sucesso na esfera amorosa.

A maioria das pessoas não percebe que essas mágoas, desilusões advindas do passado, acabam afastando as pessoas boas, amorosas, que são capazes de amar. Os relacionamentos são ruins porque sua energia não é boa, isto é, você cultiva crenças negativas a respeito do amor. Muitos dos meus pacientes antes de se submeterem à regressão, não têm consciência dessas crenças.

Desta forma, o objetivo da TVP (Terapia de Vida Passada) é fazer o paciente ver suas mágoas, “feridas” e decepções de seu passado que o impedem de se entregar nos relacionamentos amorosos. Não há espaço para se realizar afetivamente se você ainda está preso ao seu passado.
Em muitos casos, essas “feridas” se originaram de um passado mais remoto, em vidas passadas, e continuam abertas pelo fato de você ter sido criado num lar onde o desamor, a violência e o descaso estavam presentes.
Levine, um biólogo americano, numa investigação feita com ratos demonstrou que além do desenvolvimento físico, mental e social, também os processos bioquímicos são afetados pela ausência de estímulos e contato físico.
Levine fez a experiência com 3 grupos de ratos (filhotes), colocando-os em gaiolas separadas. No 1º grupo (A), ele dava pequenas descargas elétricas; no 2º grupo (B), ele manuseava os ratos, isto é, pegava-os para colocá-los em outras gaiolas; e simplesmente ignorou os ratos do 3º grupo (C); não deu choque elétrico e nem os pegou. Só deu comida e água.

Após 3 meses de experiência, adotando os mesmos procedimentos diariamente com esse 3 grupos de ratos, Levine os colocou juntos numa gaiola maior e observou o comportamento deles. O grupo A (que levou descarga elétrica) demorou para explorar o novo ambiente, mas acabou buscando comida. O grupo B (o manuseado) imediatamente resolveu explorar o ambiente para buscar comida e o grupo C (ignorado) ficou encolhido, com os ratinho amontoados entre eles, trêmulos e em nenhum momento exploraram o ambiente.
Levine concluiu, portanto, que qualquer estímulo, ainda que negativo, é melhor do que nenhum. Transpondo para nós, seres humanos, podemos dizer que um beijo é melhor que um tapa, mas quando não o obtemos, pelo menos vamos buscar um tapa, melhor do que a indiferença. Aqui explica, em muitos casos, o porquê da criança ir mal na escola, ficar doente, ter comportamentos agressivos em lares onde impera o desamor e, pior, a indiferença. Explica também o porquê de muitos casais cultivarem um relacionamento tóxico, doentio, na base da agressividade, violência, ofensas, maus tratos, etc.

Em verdade, nós incorporamos o modelo relacional de nossa família. Se você foi criado num ambiente de afeto, ternura, aceitação, reconhecimento, atenção e contato físico, a tendência será de se recriar esse ambiente saudável em seus relacionamentos social, conjugal, familiar e de trabalho.
Entretanto, se foi criado num ambiente familiar de pouco afeto, atenção, violência, de maus tratos e humilhação, você desenvolverá sensibilidade para reproduzir com as pessoas esses comportamentos destrutivos. Daí porque muitas pessoas, apesar de receberem elogios, atenção, carinho, não se sentem bem, ficam até agressivas ou mesmo bastante constrangidos.

Mulheres que apanharam muito dos pais na infância, costumam receber com mais naturalidade a violência do marido. Um estudo dos psicólogos da Vara da Infância e Juventude de São Paulo, constatou que crianças espancadas tendem a se tornar futuros pais espancadores. Da mesma forma, crianças abusadas sexualmente tendem a se tornar adultos abusadores. Em verdade, muitos estupradores foram estuprados quando eram crianças.
Boa parte da amargura das pessoas tem algum problema grave na área da ternura. Neste sentido, a ternura tem uma força sobre as relações humanas e com a atrofia dela, você se torna seco. Sofre do que eu chamo de “secura de afeto”.
O pior é que muitas pessoas não percebem que são secas, isto é, são disfuncionais do ponto de vista amoroso. São aquelas pessoas que respondem só o necessário, não conseguem intimidade com ninguém. Como estão no auto-abandono, costumam experimentar a dolorosa sensação de solidão. O pior é a solidão a dois. O casal está junto fisicamente, mas não se entrega, não sabe ser íntimo. São dois estranhos morando e comendo no mesmo teto. Mas o pior ainda é a solidão familiar. Cada um em seu canto, não há proximidade física e nem tampouco afetiva. Não há espaço para diálogo, afeto, ternura, porque não há confiança mútua. Dar boas gargalhadas, um abraço bem “redondo”, cumplicidade, elogios, reconhecimento, não há.

O intercâmbio de toques positivos é desestimulado. Toques positivos convidam as pessoas que recebem a sentirem-se bem.
Agem no sentido de valorizar, qualificar, aprovar, aceitar e incentivar o crescimento e aumentar a auto-estima. Ex.: “Eu te amo. Adoro sua companhia”.

Toques negativos são aqueles que criticam, reprovam, diminuem ou rejeitam as pessoas, convidando-as a sentirem-se mal. Por isso agem no sentido de desestimular ou mesmo bloquear o desenvolvimento das potencialidades individuais e baixam a auto-estima. Ex: “Eu te odeio. Suma da minha frente. Não tenho tempo para perder com você”.
Por outro lado, não importa de que família você vêm. O mais importante é você se tornar uma pessoa de transição na sua própria família. Ser uma pessoa de transição significa barrar em você a transmissão dessas tendências negativas que lhe foram passadas pelos seus pais e não reproduzí-las para as outras pessoas.

Se você veio de uma família mal humorada, extremamente crítica e condenadora, deve mudar isso, e se tornar uma pessoa mais amorosa primeiramente consigo mesma, se permitindo ser mais alegre, levar a vida de forma mais ‘light’, aprender a se elogiar e elogiar as pessoas. Terá de exercitar mais, até que se torne livre dessas tendências, dessas inclinações negativas. Então, você terá se transformado numa figura de transição em sua família.Caso Clínico: Medo de ser feliz
Mulher de 40 anos, divorciada.


Veio ao meu consultório me indagando sobre o porquê de tanta infelicidade em sua vida. “Tudo é complicado e difícil em minha vida”, disse a paciente. Ela me relatou que já contraiu inúmeras doenças e se submeteu a 11 cirurgias (3 vezes para tirar mioma, mais as trompas, ovário, seio e vesícula). Sofre de tireóide, anemia muito grande, problemas nas pernas (febre reumática), osteoporose e dificuldade de andar por conta de um acidente de carro (colisão). Recentemente caiu e fraturou o braço esquerdo. Já teve embolia pulmonar e parada cardio-respiratória, ficando 32 dias em coma; felizmente não teve nenhuma seqüela. Para terminar de relatar a lista de doenças que teve, disse-me que já teve também pancreatite aguda e foi submetida duas vezes à cirurgia de intestino.

Não tinha um sono profundo, cochilava e costumava acordar assustada. Tinha problemas de insônia e quando chegava a madrugada, perdia o sono e não conseguia mais dormir. Ela me confessou que sentia uma tristeza profunda que a acompanhava desde criança. Disse-me que quando criança também contraiu quase todas as doenças infantis.
Portanto, queria entender o porquê de tantas doenças, essa tristeza profunda e angústia que a perseguiam desde criança.

Ao regredir me disse: “Estou entrando num porão. Sinto um cheiro de coisa velha, estragada, de mofo. Sinto falta de ar, estou passando mal (paciente começa a respirar de forma ofegante)...
É um corredor, eu ando nesse corredor para chegar ao porão. Tem uma mesa, minha mãe está lá. Tem uma mulher deitada na mesa... Oh, meu Deus! (a paciente começa a chorar e gritar). Minha mãe tira a criança, está fazendo um aborto. A moça está deitada, cheia de sangue, ela grita muito... Minha mãe tirou a criança.
Mas não é só uma criança, ela abortou muitas crianças. Essas crianças vão me culpar. Que cheiro, meu Deus! (chora copiosamente).
Eu ajudei minha mãe na prática dos abortos; enterramos muitas crianças... Eu também tirei um nené. Estava grávida. O pai da criança não quis ficar comigo. Eu não tinha como cuidar dela. Eu tirei um nené de 3 meses. O espírito do nené ainda hoje me odeia.

Minha mãe me falou que tínhamos que ganhar dinheiro praticando o aborto. A gente tirou muitos nenés. Eles estão com muita raiva de mim.
Eu escuto o choro deles! (paciente fecha os ouvidos com as mãos). Minha mãe é uma mulher gorda, grandona, suja, cabelos desarrumados. Ela é muito feia. Vejo muitos espíritos escuros do lado dela. Eu sou muito magra, minhas mãos são muito grandes, cheias de calos, muito sujas”.

Peço para que a paciente prossiga na cena.
“Eu tenho que parar com tudo isso. A minha mãe está no porão. Se ela sair do porão vai continuar a matar mais crianças. Eu tenho que prendê-la. Vou fechar o porão lacrando a porta”...
O que foi que aconteceu com a sua mãe, indago-lhe?
“Eu fechei a porta, ela está presa lá dentro. Ela não vai mais poder fazer mal a ninguém. Estou do lado de fora. Eu saí do porão, mas não tenho para onde ir, estou sem destino. Agora estou correndo e caí, bati a cabeça numa pedra... Foi aí que eu morri”.

Peço para que a paciente descreva o que aconteceu depois de sua morte física.
“Estou fora do meu corpo. Sinto muitas mãos querendo me pegar. Estou num lugar escuro, cheio de fumaça. Tem uma mulher vindo em minha direção. Oh, meu Deus! É a minha mãe. Ela morreu no porão. Ela está com muita raiva de mim...
Vejo gente caída, atolada, elas ficam pondo a mão em mim. Eu preciso sair daqui. Socorro! Socorro! (paciente começa a chorar e a gritar). A minha roupa está suja, eu não consigo nem andar”.

Peço-lhe que avance mais para frente nessa cena.
“Vejo agora duas pessoas, um casal que me tira desse lugar. Eles estão me levando e falam que eu tenho que dormir porque eu estou muito cansada. Estou com sono, estou machucada. Eu preciso me curar. Eu falo que não mereço dormir. Eu tirei o meu nené, matei minha mãe e muitas crianças”.

Peço para que pergunte para o seu Eu espiritual o porquê de tantas doenças, tamanha angústia e tristeza na vida atual?
“Porque Deus não vai me perdoar. As vozes, os choros dessas crianças falam que nunca vão me perdoar. Será que um dia Deus me perdoa?
Agora estou dormindo. Estou num quarto, é tudo verde. Vejo uma mulher, uma senhora de cabelos esbranquiçados. Está vestida de azul. Ela fala que vou ver algumas pessoas. Estou flutuando, é noite, estou num lugar, não estou mais machucada. Estou dentro de uma casa. Essa senhora está comigo e diz que vou morar naquela casa.
É uma casa grande, está todo mundo comemorando alguma coisa, mas ninguém vê a gente. Vejo uma mulher grávida. Essa senhora diz que ela será a minha futura mãe e vou vir de novo à vida terrena. Está todo mundo comemorando a gravidez dela. As pessoas escrevem seus nomes num livro. Na capa do livro está escrito: 1964.
Eu estou com medo, eu não quero voltar. Se eu voltar tenho medo de errar novamente. Lá no porão, eles (os espíritos das crianças) falaram que Deus vai me castigar. E se eu reencarnar novamente, ele vai me castigar. Mas essa senhora diz que eu vou ter que voltar... Porque tenho que morar nesta casa? Eu nem conheço essa moça (futura mãe). Eu quero ir embora, eu tenho que dormir, não quero voltar, eu já falei! (fala com raiva).
No lugar onde estava (no mundo espiritual) eu me sentia bem, eu ajudava no jardim, gostava da biblioteca, lia muito. Eu não quero mais voltar. Eu quero ficar lá. (fala alto)”.

Peço em seguida para que ela se sinta no 1º trimestre de gestação no útero de sua mãe na vida atual.
“Eu quero ir embora. Minha mãe fica chorando porque tem medo de me perder. Eu quero ir embora, sair daqui (começa a gritar).
Aquela senhora que cuidou de mim no astral fala para eu ter paciência, que é para o meu bem reencarnar novamente. Mas eu não quero ficar aqui. Minha mãe chora porque tem medo de me perder. Mas eu nem a conheço”!

Vá agora para o 2º trimestre de gestação, peço-lhe.
“Que lugar apertado! É muito apertado! Eu preciso sair desse lugar. Eu quero sair daqui, que droga! (esmurra o divã). Quero ir embora, voltar para minha casa (no mundo espiritual)”.

Vá agora para o 3º trimestre de gestação, peço-lhe.
“Minha mãe está feliz. Mas eu não. Eu sinto que não vou ser feliz porque pequei. Deus vai me castigar”.

Vá para o momento de seu nascimento, peço-lhe.
“Eu me sinto triste, eu quero ir embora, não quero nascer”.

Qual o seu propósito para a vida atual, pergunto-lhe.
“Aquela senhora me diz: ‘Você precisa se perdoar. Se você se perdoar irá sentir que Deus te perdoou’... Agora me vejo deitada no berço”.
Sinto a presença dessa senhora nos momentos mais difíceis de minha vida atual”.

Após o término da regressão, a paciente me disse que estava se sentindo muito bem. Ela compreendeu que o seu maior desafio para esta vida atual era se perdoar e que essas doenças que contraíra, foram uma forma de se autopunir. Não era castigo de Deus, mas era sua alma que estava lhe cobrando pelo que fizera nessa vida passada.

Após exercitar o autoperdão, na 10ª sessão, ao encerrarmos o nosso trabalho, a paciente me confidenciou algo que me deixou muito feliz: Ela me disse que resolvera construir um orfanato.

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Shimoda
é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
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