O Portal da Espiritualidade I
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 13/04/2006 13:58:50
“O materialismo, sem dúvida, contribuiu bastante para o progresso, com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, mas não promoveu os meios de tornar o homem mais feliz.”
Hernani Guimarães Andrade.
Muitos assíduos leitores dos meus artigos no Somos Todos Um já devem ter percebido que me refiro muito a um portão que peço ao paciente atravessar.
Em verdade, esse portão é um artifício, um recurso que utilizo dentro da Terapia Regressiva Evolutiva (TRE) que funciona como um portal separando o passado do presente, o mundo espiritual do mundo terreno.
Em suma, esse portal é o “véu do esquecimento do passado” de Kardec (Codificador do Espiritismo), que nos impede de acessar, de lembrar acontecimentos referentes a nossas vidas passadas.
Kardec se referia a essa barreira da memória (véu) como uma benção Divina, um presente de Deus, pois se não houvesse esse “véu”, a vida seria insuportável, no mínimo ficaríamos perturbados ao recordarmos os erros, as atrocidades que cometemos em vidas passadas e, obviamente, isso iria comprometer os resgates cármicos, as aprendizagens de todos os envolvidos.
O Codificador do Espiritismo se referia também a esse “véu” como uma das Leis Espirituais à qual todos nós encarnados estamos subordinados.
Dizia também que o descortinamento desse “véu” só seria possível pela vontade dos Espíritos Superiores do Plano Maior em algumas circunstâncias.
No meu entender, eu incluo a TRE como fazendo parte da expressão “em algumas circunstâncias” referida pelo Codificador em “O livro dos Espíritos” (pergunta 399), porque atravessar esse portal, a barreira da memória, só ocorre com a autorização, permissão do(a) mentor(a) espiritual do paciente. Desta forma, é importante ressaltar que o descortinamento desse “véu” do passado não é feito por mim e nem pelo paciente, mas pelos Espíritos Superiores. Explica, portanto, porque alguns pacientes não conseguem - por mais que queiram - atravessar esse portal. Não lhes é permitido acessar experiências de seu passado por ainda não estarem prontos, maduros, emocional e espiritualmente.
É por isso esses pacientes “travam”, não conseguem dar um passo ao atravessar o portão. Não teriam estrutura emocional para suportar o impacto de uma revelação dolorosa de seu passado. É evidente que esses pacientes ficam frustrados ao não conseguirem atravessar esse portal. O dito popular “nada é por acaso”, se encaixa bem nesses casos.
Portanto,o descortinamento do véu para esses pacientes, ao invés de ajudá-los, com certeza, iria prejudicá-los.
Por outro lado, existem aqueles pacientes - a maioria - cujo descortinamento do véu ocorre gradativamente, a cada sessão de regressão. A Espiritualidade vai preparando-os psicologicamente para as revelações de seu passado.
Em contrapartida, há aqueles onde as revelações ocorrem abruptamente numa única sessão de regressão. Evidentemente, isso ocorre pelo fato desses pacientes terem um emocional mais bem moldado.
Aqui explica o porquê de algumas pessoas não estarem tão sujeitas à Lei do Esquecimento (Barreira da Memória), de recordarem espontaneamente suas vidas passadas com muita facilidade, sem precisarem passar pela Terapia Regressiva. Cristo, Buda, Sócrates, Platão, Pitágoras, todos recordavam espontaneamente suas vidas passadas porque tinham um ego mais bem estruturado do que a maioria das pessoas.
Portanto, romper a barreira da memória, isto é, atravessar o portal e acessar o passado para que o paciente possa se libertar das amarras que ainda o prendem (bloqueios emocionais), é o grande desafio dessa terapia. Em muitos casos, o paciente encontra dificuldades de cruzar o portal por conta não de um bloqueio interno, mas externo, ou seja, por uma interferência espiritual de um desafeto seu de uma vida passada.
Veja o caso de uma paciente que sofria de fobia social e insucesso amoroso, fruto de uma interferência espiritual.
Caso Clínico:
Fobia Social e Insucesso Amoroso
Mulher de 35 anos, solteira.
Veio ao meu consultório se queixando de fobia social, ou seja, sentia medo, insegurança ao se expor, em falar em público. Ficava travada ao ter que falar, apresentar o seu trabalho nas reuniões em grupo, ou ter que dar uma palestra num auditório. Queria entender também porque não conseguia ter sucesso no aspecto afetivo. As amigas falavam que ela afastava os homens pela sua seriedade e por não demonstrar que estava realmente interessada neles. Queria saber por que quando tomava banho, sentia um sufoco muito grande, uma sensação angustiante de afogamento, de falta de ar.
Tinha também um sono muito intranqüilo porque acordava várias vezes de madrugada com muita sede, sensação de “queimação”, de refluxo, e se engasgava como se tivesse engolido algo. Embora tivesse se submetido a todos os exames médicos necessários que não acusaram nada.
Ao regredir me relatou:
“Estou parada em frente ao portão... Estou querendo tocar a mão de alguém. É como se eu estivesse em dúvida entre abrir o portão e pegar na mão de uma pessoa. É difícil decidir. Na verdade, sinto como se alguém em frente a esse portão estivesse com a mão estendida para mim. Não a vejo, mas sinto que ela está presente.
Eu não confio nessa pessoa. (pausa)
Sinto como se algo estivesse “queimando” dentro de mim. É aquela mesma sensação de queimação e refluxo que sinto à noite quando estou dormindo, e que me faz acordar”. (pausa).
- Pergunte a essa pessoa por que ela está estendendo a mão – peço à paciente.
“Ela não responde. Mas sinto que ela não quer me ajudar na verdade, eu sinto que ela está atrapalhando, bloqueando o nosso trabalho. Ela não quer me deixar atravessar o portão”. (pausa).
- Pergunte-lhe por que ela está bloqueando o nosso trabalho – peço à paciente.
“Veio à minha mente a palavra inveja... Inveja da vida que levo, de minha independência financeira, de meu estilo de vida. (pausa).
Agora eu a vejo como um vulto, sinto que é uma mulher”.
- Pergunte-lhe se ela quer receber ajuda – peço novamente à paciente.
“Ela está me dizendo que ninguém pode ajudá-la. Mas ela se sente sozinha, eu a vejo na escuridão, nas trevas. (pausa).
Vejo-a agora toda encolhida e chorando. Ela está se sentindo desamparada e perdida”.- Pergunte-lhe se vocês estiveram juntas numa vida passada – peço à paciente.
“Ela me respondeu que éramos irmãs. (pausa)
Estou vendo agora uma imagem: É de uma vida passada.
Vejo-me grávida, percebo o contorno da minha barriga. Uso roupas longas, mangas com babados longos. Uso um lenço na cabeça; a minha roupa me faz lembrar a França antiga.
Estou num jardim enorme de um castelo. É difícil sentar e levantar no banco desse jardim, mas estou muito feliz por estar grávida. Estou admirando, olhando as flores. (pausa).
Escuto agora algumas vozes atrás de uma cerca. Eu me levanto e vou em direção às vozes. Vou contornando essa cerca. As vozes falam baixinho, ouço algumas risadas. Estou me aproximando para ver quem está no jardim, mas tenho medo de ver o que vou ver. Minhas mãos tremem, reconheço as vozes. Uma é de meu marido nessa vida passada, e a outra é dessa minha irmã, a que vi no portão, no início da sessão de regressão. Os dois estão sentados num banco, estão de mãos dadas. A minha irmã tem os cabelos claros, enrolados. Ela é mais bonita do que eu, ela chama mais atenção, é morena, olhos castanhos. Eles não percebem que estou atrás, olhando-os. Estou paralisada, não quero acreditar no que estou vendo.
Eles se beijam, sinto novamente aquela ‘queimação’, a minha garganta está apertada, não consigo engolir a saliva. É como se o tempo tivesse parado, não consigo falar, sinto vontade de gritar, não consigo sair do lugar, apenas aperto com força o caule da árvore que estou segurando. Eu sinto o meu corpo todo tremer, não consigo nem desmaiar. Sinto um vazio e tontura. (pausa)
Eles agora perceberam a minha presença. O meu marido se levanta assustado, e a minha irmã corre para dentro do castelo. Eu fico parada, chorando, sentindo algo amargo na minha garganta, queimando dentro de mim.
Sinto um aperto no peito e na garganta. É a mesma sensação física que senti ao ver a minha irmã no portão, no começo dessa sessão de regressão. Ele se aproxima de mim. Eu não consigo dizer nada.
Eu só choro, ele tenta tocar no meu rosto, mas eu me afasto e começo a correr. Ele corre também e me chama. Mas eu só quero correr, sumir, desaparecer. Aí eu tropeço no meu vestido e caio... Não vejo mais nada. Acho que eu desmaiei. (pausa).
Quando acordo, estou num quarto, sinto vertigem, fraqueza. Há um médico do lado da cama. Meu marido está próximo à janela. Eles percebem que eu acordei e se aproximam da cama. Eu olho para o médico, acordo ainda em estado de choque, mas sinto que aconteceu algo de grave... Eu perdi o bebê na queda. Sinto uma tristeza profunda. Num só momento, perdi tudo: a criança que eu tanto queria e a confiança nas pessoas que eu mais amava (paciente me diz que na vida atual tem dificuldade de confiar nas pessoas). O médico me diz que eu não vou mais poder ter filhos. Sinto-me oca, um vazio por dentro. Não consigo mais olhar para o meu marido. Acho que acabei perdendo a sanidade”.
- Avance mais para frente nessa cena - peço à paciente.
“Estou sentada numa cadeira, num balanço, tem um bordado no meu colo.
Eu parei de bordar e olho para frente, para o nada. Ainda moro no mesmo castelo”.
- Você mora com quem – pergunto à paciente.
“Com o meu marido, continuamos juntos. A minha irmã não está mais com a gente. Meu pai a mandou embora. Ela foi mandada para um convento.
Vivemos na mesma casa, mas não nos falamos. Eu não falo mais, apenas sobrevivo. Entrei num mutismo total (paciente fala que até hoje na vida atual não é da falar muito, é bastante calada).
Eu amava muito a minha irmã, mas ela se apaixonou pelo mesmo homem, o meu marido. (pausa)
Mas agora, ao rever as cenas dessa vida passada, percebo que eu distorci a realidade dos fatos. Na verdade, o meu marido dessa vida passada, beijou a mão de minha irmã quando estavam sentados no banco daquele jardim. O ciúme me cegou, me fez ver algo além da realidade.
Eles estavam conversando, mas como sentia muito ciúme, eu distorci a cena. Eu me comparava muito com a minha irmã, ela era mais expansiva, mais alegre e mais bonita. Eu sempre fui muito quieta, recatada, não tinha o brilho dela.
Mas ele me amava, e por isso se casou comigo.
O ciúme me cegou, vi aquele gesto dele de beijá-la na mão, como fosse um beijo na boca. Eu criei tudo isso, fantasiei tudo”. (pausa)
- paciente volta para a cena do portão e me diz:
“A minha irmã está chorando, baixinho. Eu peço desculpas para ela. (paciente começa a chorar). Digo para ela que se a gente se perdoar mutuamente com humildade, vamos receber ajuda. Peço com amor e carinho para ela pedir ajuda, que ela merece ser feliz e que a amo muito. (pausa)
Vejo agora um raio de luz. Vejo a minha irmã quase que adormecida.
Duas entidades de muita luz a apóiam, segurando-a pelos braços com carinho. Ela aceitou ser ajudada, foi amparada, estava muito fraca.
Estou ajoelhada na grama, próximo do portão, sinto alguém de frente a mim, também ajoelhado. É um homem, usa um turbante branco na cabeça, com alguns fios dourados. Há uma pedra lilás em seu turbante. Ele me lembra uma figura indiana, pele morena, barba bem fininha, olhos castanhos, bem claros. Está todo de branco. É o meu mentor espiritual. Ele me diz: Parabéns! Você conseguiu quebrar o cordão energético que prendia você de sua irmã. Ele fala que houve um rompimento de uma casca que limitava os meus pensamentos e ações. Desta forma, o vínculo que me unia à minha irmã foi quebrado de vez. Ele enfatiza que o passo mais importante, que é o perdão - foi dado - o reconhecimento de minha culpa.
Diz também que eu resgatei a capacidade de amar, e que antes que eu perceba, estarei ao lado do homem certo. É para eu confiar, deixar vir. Fala para eu cuidar do jardim que as borboletas vão vir até mim.
Ele passa a mão em minha cabeça, faz uma reverência, se levanta e vai subindo numa luz azul clara e violeta”.
Após oito sessões de regressão, a paciente me disse que estava dormindo muito bem, não sentia mais aquela “queimação” e nem a sensação de se engasgar. Disse-me que agora só acorda no dia seguinte. Sua superior no trabalho ficou surpresa pelo fato dela estar falando tranquilamente em público, se abrindo mais. As pessoas mais próximas - da família e amigas -, percebem que ela está mais falante, mais solta. A paciente percebeu também que está mais tranqüila e confiante em seus relacionamentos amorosos, pois está se sentindo mais segura e autoconfiante. Quando toma banho, não sente mais aquela sensação de afogamento e falta de ar.








in memoriam