O que é a Hipnoterapia
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 11/01/2002 14:36:03
"Não creiais em coisa alguma pelo fato de vos mostrarem o testemunho escrito de algum sábio antigo.
Não creiais em coisa alguma com base na autoridade de mestres e sacerdotes.
Aquilo, porém, que se enquadrar na vossa razão, e depois de minucioso estudo for confirmado pela vossa experiência, conduzindo ao vosso próprio bem e ao de todas as outras coisas vivas; a isso aceitai como verdade.
Por isso, pautai vossa conduta!"
Sakiamuni (Bhuda)
Muito se tem dito, escrito e falado nos últimos anos sobre o hipnotismo. No entanto, muito pouco daquilo que se tem dito corresponde à realidade. Em função disso, a hipnose ainda hoje é carregada de tabus, preconceitos e desinformações. Há portanto, muita lenda e fantasia em tudo isso.
Desta forma, gostaria de desmistificar algumas idéias correntes que muitos nutrem acerca do hipnotismo, respondendo às perguntas mais comuns que são feitas por ocasião de minhas palestras e cursos:
- QUAL A DIFERENÇA ENTRE HIPNOSE E HIPNOTERAPIA?
A hipnose não tem nenhum compromisso com a cura do paciente ou com quaisquer tipo de ações que tenham a ver com um processo terapêutico. É o que acontece, por exemplo, com certos hipnotizadores de palco ou de circo que tem por objetivo impressionar as pessoas com seus “poderes hipnóticos” ou testar suas maravilhosas “qualidades”.
Já a hipnoterapia é um recurso terapêutico que utiliza a hipnose como instrumento técnico para a sua aplicação. Em outras palavras, eu diria que toda hipnoterapia usa a hipnose, mas usar a hipnose não implica em estar atuando terapeuticamente. Vale dizer que mesmo que uma pessoa seja um excelente hipnotizador, ela não é necessariamente uma hipnoterapeuta.
Para que um hipnotizador possa ser um hipnoterapeuta, é necessário que ele esteja familiarizado com o processo terapêutico. Daí os hipnoterapeutas serem quase sempre psicoterapeutas, psicólogos, médicos.
- A PRÁTICA HIPNÓTICA É PERIGOSA?
A hipnose quando praticada por profissionais experimentados, com fins rigorosamente terapêuticos, é absolutamente isenta de perigos.
Por outro lado, a hipnose quando posta em mãos de leigos, para fins recreativos ou demonstrativos, torna-se realmente perigosa. Pessoas amadoras que se utilizam da prática hipnótica para “curar” a dor de cabeça de um, as náuseas de outro, a diarréia de um terceiro, sem conhecimento de causa médica (muitas vezes uma dor de cabeça constante pode ser sintoma de um quadro infeccioso ou um tumor cerebral e uma diarréia pode acusar a presença de uma colite grave), podem causar sérios danos a uma pessoa. Neste aspecto a prática hipnótica é perigosa. E não apenas perigosa: Criminosa!
- HÁ ALGUM PERIGO DE UMA PESSOA HIPNOTIZADA NÃO MAIS ACORDAR?
Gostaria de esclarecer que existem dois tipos de sonos:
a) Sono Fisiológico;
b) Sono Hipnótico.
O sono fisiológico é o sono natural, em que quando uma pessoa dorme, perde a consciência e entra na inconsciência.
Por outro lado, no sono hipnótico a pessoa não dorme, portanto, não fica inconsciente. Ela entra em um estado de relaxamento profundo, porém não perde a consciência. Neste caso, não se trata de dormir e sim de repousar. São coisas diferentes.
Portanto, não há perigo algum de uma pessoa hipnotizada não mais acordar.
Agora, pode acontecer nos casos em que quando a pessoa estiver com sono atrasado ou profundamente cansado - ou ainda pessoas que entraram num transe hipnótico profundo - se recusarem a despertar do sono hipnótico. Nestes casos, se deixarmos essa pessoa repousar, em silêncio, livre de estimulação verbal, dentro de alguns minutos ela passará, tranqüilamente, do sono hipnótico para o sono fisiológico. Na verdade, o que acontece é que essa pessoa está precisando dormir. Então, é só faze-la deitar-se comodamente, dar-lhe sugestões de um sono tranqüilo e repousante e ... deixá-la dormir.
Já ouvi relatos de alguns hipnologistas inexperientes tomados de surpresa ante o rumo dos acontecimentos e ignorantes de que a hipnose é na verdade um fenômeno neurofisiológico, apavorados pelo fato do paciente se recusar a abrir os olhos e retornar à vigília, recorrerem à violência. E então sacodem o paciente, dão-lhe tapinhas no rosto, gritam apavorados e desesperados. É pura ignorância e inexperiência!
Portanto, a hipnose quando praticada por profissionais experimentados, com fins rigorosamente terapêuticos, podemos afirmar, é absolutamente isenta de perigos.
- QUANDO HIPNOTIZADA UMA PESSOA É CAPAZ DE FAZER COISAS QUE NORMALMENTE NÃO FARIA? ATÉ ONDE PODE A HIPNOSE PERMITIR A MANIPULAÇÃO CRIMINOSA DE PACIENTES E LEVÁ-LOS À PRÁTICA DE ATOS DELITUOSOS OU CONTRARIOS À MORAL?
Partindo do pressuposto de que a hipnose é um jogo de imaginação entre o hipnoterapeuta e o paciente, exigindo de ambos concentração, capacidade de atenção e imaginação, costumo comparar o paciente a um pianista e o hipnoterapeuta a um mestre. Este pode ser brilhante e talentoso mas a música jamais se fará sem a colaboração indispensável do pianista. A este último caberá obedecer o comando do maestro, que lhe dará andamento, ritmo, vibração e entrosamento com os demais participantes do conjunto.
Neste sentido, a hipnose depende fundamentalmente do acordo e da vontade do paciente. No entanto, em alguns casos excepcionais é possível a indução do sono hipnótico sem prévio conhecimento do paciente. Mas isso só acontece a pessoas altamente sensíveis e em condições especiais.
Eu diria que acontecem em certa porcentagem de casos, que variam de um a dez por cento.
Mas, via de regra, diria que a hipnose só pode ser induzida quando há o prévio consentimento do paciente. E o julgamento crítico não se anula no estado hipnótico. E mesmo quando o paciente está no mais profundo dos sonos sonambúlicos, se alguma coisa acontecer durante a hipnose que vá contra seus princípios morais, ele passa ao estado de alerta ou simplesmente se recusa a admiti-lo ou a executá-lo.
Portanto, a consciência nunca é abolida pela hipnose.- TODAS AS PESSOAS PODEM SER HIPNOTIZADAS?
Teoricamente sim, visto que entramos em hipnose no nosso dia-a-dia quando dirigimos, assistimos um filme ou lemos um bom livro.
Você está no meio de um engarrafamento no trânsito, cansado, estressado. Aí você se depara com a propaganda num outdoor de uma agência de turismo mostrando a imagem de uma praia com águas cristalinas do mar. De repente, você volta à realidade do engarrafamento do trânsito com as buzinadas dos carros que estão atrás de você. Você não percebeu, mas estava em “transe hipnótico” ao olhar o cartaz. E, por alguns minutos, se desligou da realidade estressante.
Da mesma forma, quando assistimos um filme ou lemos um bom livro, nos desligamos da realidade ao nosso redor e entramos em “transe”. E muitas vezes, levamos um susto com o barulho do telefone ou da campainha que nos convidam a voltar para o estado de vigília.
Na verdade, existem 5 níveis ou etapas de aprofundamento hipnótico:
a) HIPNOIDAL (pálpebras ficam pesadas, cansadas e o corpo fica relaxado, mole e solto);
b) LEVE ( pálpebras ficam coladas , grudadas, impossibilitadas de abrir);
c) MÉDIA (a pessoa não sente dor). Nesta etapa, você pode espetar uma agulha que ela não sente dor;
d) PROFUNDA (a pessoa conversa com os olhos abertos sem despertar);
e) SONAMBÚLICA (anestesia profunda).
É a etapa mais profunda da hipnose em que a pessoa pode se submeter a uma operação cirúrgica sem anestesia. É nesta etapa também que se trabalha a regressão de idade onde o profissional incute no subconsciente do paciente sugestões pós-hipnóticos positivas para se resolver problemas pessoais.
- PARA QUE FINALIDADE PODE SER UTILIZADA A HIPNOSE?
Para a modificação de hábitos; para tomadas de decisões que realmente funcionam; para atingimento de objetivas e metas; para doenças de pele, vitiligo; para controle de peso; para gagueira; para abandonar o hábito de fumar ou de beber; para o controle da asma e bronquite; auto-motivação; modificações de comportamento; libertação de traumas e fobias; problemas de sono; angústia e depressão; extração de dentes ou tratamento de canal; melhoria de desempenho profissional, estudantil ou esportivo; síndrome do pânico; impotência e frigidez; regressão, etc...
É praticamente infinita a possibilidade de aplicação da hipnose.
Homem de 30 anos
Procurou-me por uma impotência erétil que surgiu após fracassar com sua 1ª namorada.
Ele me trouxe todos os exames que se submeteu com vários médicos (urologista, cardiologista, endocrinologista) e não acusara nenhuma causa física que pudesse ter provocado sua impotência.
Induzi a hipnose pelo método da levitação do braço e, ao alcançar um transe hipnótico bastante profundo, dei uma sugestão hipnótica para que numa próxima relação a ereção se daria automaticamente da mesma forma que seu braço estava suspenso no ar sem esforço algum. Na semana seguinte voltou à consulta relatando-me feliz, que realmente o medo do fracasso havia desaparecido e que a ereção se dera sem qualquer problema.
CASO 2: Fobia de dentistas
Tive algumas experiências interessantes com pacientes traumatizados por dentistas na infância. É o caso de um senhor de 50 anos que sempre quando ia ao dentista desmaiava, baixando e muito sua pressão arterial, causando grande susto no dentista, amigo meu. Este o encaminhou ao meu consultório.
Submeteu-se ao tratamento hipnótico chegando ao 5º estágio hipnótico (sonambúlico) de tal forma que ao levá-lo ao meu amigo cirurgião-dentista, estava tranqüilo e, como apresentava total anestesia hipnótica, recebeu apenas meia ampola de anestésico. Como ele estava suando na poltrona do dentista, sugeri que visualizasse um campo florido, aberto, perto de um rio e que ele ouvisse a correnteza da água e sentisse a brisa suave do vento.
No fim, após 2 horas, terminando o tratamento dentário, afirmou que estava se sentindo bem.








in memoriam