Os Cinco Níveis de Regressão a Vidas Passadas
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 04/08/2003 10:54:33
Não me conhecem aqueles que pensam
que sou apenas carne e sangue, viajante
transitório da frágil nave Terra que me gerou.
Pois sou espírito, eterno, indestrutível,
não confinado a espaço nem a tempo e
quando minha estada aqui estiver terminada,
meus papéis desempenhados, minhas tarefas
executadas, porei de lado este traje espacial
chamado corpo e mudarei para outras
mansões, outros papéis, outras tarefas
na casa da vida eterna, de nosso Pai.
J. Sig Paulson - Trecho do livro Visão Eterna
“Se você me hipnotizar, vou me lembrar de alguma coisa depois? Como funciona essa regressão? Como a gente se sente?”
São as perguntas mais comuns que os pacientes me fazem na entrevista inicial de avaliação que tem por objetivo conhecer a história de vida do paciente, saber com mais detalhes a respeito de seu problema, bem como esclarecer todas as suas dúvidas com relação ao funcionamento da TVP (Terapia de Vida Passada).
Grande parte dessas dúvidas vem do fato de muitos paciente acreditarem, erroneamente, que perderão a consciência do ambiente durante o processo regressivo. Esse mito é reforçado pela mídia e em especial pela televisão, quando aparece um “profissional” hipnotizando uma pessoa e esta entra em transe profundo (letargia). Após retornar à consciência não se lembra de nada do que se passou com ela.
A bem da verdade, são poucas as pessoas que atingem esse grau de aprofundamento hipnótico onde elas ficam totalmente inconscientes. Elas atingem esse grau porque são altamente suscetíveis à hipnose.
Neste sentido, poucas pessoas se esquecem totalmente do que houve após uma sessão de regressão. A maioria tem plena consciência do que está sendo dito e, por conta disso, muitos expressam durante a sessão de regressão, um sentimento de descrença dizendo: “ estou sentindo como se eu estivesse inventado tudo”. Por outro lado, muitos ficam intrigados com a vividez das imagens e dos sentimentos, que pareciam muito reais. A maioria de meus pacientes comenta que não pensava poder se lembrar tão bem das experiências da infância e de vidas passadas.
Na verdade, durante o processo regressivo, o cérebro do paciente passa para o estado alfa e o lado direito (hemisfério direito do cérebro) passa a ser dominante.
O lado direito do cérebro é o nosso lado intuitivo e o esquerdo é o lado racional.
O estado alfa se caracteriza por ser uma fase intermediária entre a vigília e o sono (é um estado de pré – sonolência). Neste estado não estamos nem dormindo, nem acordados. As pálpebras ficam fechadas, o corpo relaxado, há um ligeiro entorpecimento e a consciência fica passiva, mas resiste. O estado alfa é naturalmente alcançado quando começamos a dormir, a acordar e, durante o sono, quando sonhamos. Quando distraídos e relaxados em uma rua pensamos em alguém, e logo em seguida encontramos a pessoa em quem pensávamos, é porque estávamos no estado alfagênico. Este estado é bastante comum, pois passamos das ondas cerebrais beta (vigília) a alfa (pré-sonolência) com muita facilidade.
A maioria das pessoas ainda vê a hipnose com grande ceticismo, achando que é uma forma muito perigosa de controle da mente. É curioso e interessante ver como essa atitude persiste até hoje entre as pessoas, apesar de ser comum o uso da hipnose no meio médico e terapêutico. Na vida diária, da manhã à noite, somos literalmente bombardeados por técnicas de hipnose que, na maioria, têm efeito subliminar. Qualquer tipo de situação comum pode induzir a um leve estado de transe (alfagênico). Quando escutamos um palestrante à noite (após um dia estafante), o assunto não é dos mais interessantes e o mesmo é meio “paradão” (não dinâmico) e sua fala é mansa, tom de voz pausada, débil e chega a ser muito redundante em seu discurso, pode ter certeza que suas pálpebras irão ficar pesadas, cansadas, a ponto de exigir de sua parte, um esforço “hercúleo” para mantê-las abertas. Talvez você tenha que ir ao banheiro lavar o seu rosto para o sono passar. Sem sombra de dúvida, posso afirmar com toda a certeza que o referido palestrante é um ótimo hipnólogo mas, infelizmente, um péssimo palestrante.
Muitos pacientes que passam pela primeira vez por uma regressão a vidas passadas e se lembram claramente do que se passou, tem muitas dúvidas a respeito das respostas que deu, pois estavam conscientes durante o processo regressivo, principalmente aqueles muito céticos, racionais e analíticos. Durante todo o processo regressivo revivem imagens, cenas, lembranças, recordações de vidas passadas, mas sempre como observadores, espectadores e nunca como participantes dessa "revivência". É como quando a gente assiste a um filme na televisão como telespectador. Em contrapartida, há aqueles que revivem episódios de vidas passadas com forte conteúdo emocional. “Entram” na cena, participando ativamente em suas recordações passadas. Vêem, sentem sensações físicas, emoções, recordam experiências de seu passado com muito realismo e quando retornam para o seu estado de vigília, de consciência, não se lembram de nada ou quase nada do que ocorreu durante a regressão. Ficam surpresos a respeito de seu grau de participação quando ouvem as fitas gravadas com as conversas nas quais tomaram parte ativa.
Desta forma, para que o leitor possa entender como se processa uma vivência regressiva ao recordar experiências de vidas passadas, procurei classificar em cinco níveis o aprofundamento regressivo:
1º. nível de regressão:
É o nível mais superficial e é muito semelhante ao se olhar uma fotografia que está fora de foco (embaçado). Neste nível, o paciente ainda permanece cerca 80 % no presente e 20% no passado. É comum neste nível haver desvios da atenção. Um som alto, um leve desconforto no corpo ou um pensamento que se intromete podem facilmente tirar a atenção do paciente e trazê-lo inteiramente para o presente;
2º. nível de regressão:
As imagens embaçadas são substituídas por imagens e impressões nítidas. Neste nível, o que existe em comum é uma sensação de estar flutuando acima da cena, em forma não física (o paciente pode estar em espírito após sua morte física). Ele vê a cena de cima, flutuando. O paciente permanece cerca 60% no presente e os outros 40% no passado;
3º. nível de regressão:
Este nível se dá em forma de sensações físicas. O paciente pode sentir o perfume das flores, ouvir o barulho do mar, sentir dores ao ser perfurado por uma flecha ou sentir o gosto de sangue. A consciência neste nível vai diminuindo cada vez mais, com cerca 40% da atenção no presente e 60% no passado;
4º. nível de regressão:
Neste nível o paciente mergulha bastante na regressão com muito menos observação e mais participação. Todos os sentidos ficam aguçados e há pouca dúvida ou autocensura do que ele está vivenciando. Nesse nível dificilmente se ouve como resposta “não sei” ou “não me lembro”, quando o terapeuta pede para ele recordar suas experiências passadas. Sem hesitar, oferece datas e nomes de pessoas ou lugares. Apenas cerca 20% da sua atenção se mantêm no presente;5º. nível de regressão:
Aqui o paciente participa das cenas de vidas passadas de forma completa, como se fosse algo presenciado na vida atual. Há 100% de participação. Neste nível o paciente fala com sotaque e os maneirismos, dialetos e expressões próprios de sua vida passada. Uma das características mais diferenciadas deste nível é a amnésia total ou parcial de tudo que ele vivenciou na regressão. Apenas 10% de meus pacientes passam por esse nível de regressão.
Muitas pessoas têm a noção preconcebida de que qualquer coisa abaixo do 5º nível não é hipnose de verdade, devido ao mito anteriormente referido de que hipnose é inconsciência ou sono. Independentemente do nível de regressão que o paciente atinge, os resultados terapêuticos são sempre benéficos.
Caso Clínico:
Medo de dormir no escuro.
Paciente de 30 anos, solteira, veio me procurar em função de seu medo e da insegurança de dormir no escuro. Não conseguia dormir com a luz apagada. Precisava sempre deixar o abajur ligado ou o corredor de seu quarto aceso. Em muitas ocasiões acordava de madrugada assustada, em pânico ao perceber que estava no escuro quando faltava energia elétrica. Nas férias, ao pernoitar em hotéis, levava sempre consigo velas para não correr o risco de acordar de madrugada no escuro. Recusava convites para dormir nas casas de parentes ou amigas. Tinha receio de gritar, “fazer escândalos”, caso acordasse no escuro.
Ao regredir viu um poço de água, uma casa enorme, muito antiga, e um campo muito verde. Ela me disse: “Sou empregada dessa casa. Calço chinelo de couro, sou gorda, bochechuda e negra. Uso avental e lenço branco na cabeça. Tenho 40 anos e moro nessa casa. Vejo um homem alto e magro e uma mulher. Ela tem ‘cara de má’. São os donos da casa e estão bem vestidos. Eles têm dois filhos, um casal. Tem mais gente nesta casa. Tem bastante empregados. A casa é decorada com móveis muito antigos. Estou fazendo comida no fogão de lenha. Tenho que tirar a água do poço. Esse lugar é uma fazenda. O ano é 1860. Tem plantação de café e muita gente trabalha na lavoura. Eu me sinto muito só. Comecei a trabalhar nessa casa desde os 7anos. Meus pais me deram para os donos dessa fazenda. Eles não tinham condições de me criar. O meu irmão trabalha também em outra fazenda. Meus pais morreram. A viagem era muito longa. Tinha que ser a cavalo, de carroça ou a pé. Era só os patrões que usavam a carroça. Eles eram nobres”.
Eu peço para que ela avance mais nessa cena. “A criança, o filho de meu patrão têm 8 anos (pausa). Oh! Meu Deus, o menino me empurrou no poço (grita). Eu estava tirando água e ele me empurrou. Eu vou passar lá a noite inteira. Estou toda machucada, com muito medo de morrer sozinha nesse poço (chora copiosamente). Estou com água até o pescoço. O poço é razoavelmente fundo. Eu grito e ninguém me escuta. Tirem-me daqui, por favor!!! Tirem-me daqui!!!
Após um longo tempo escuto lá de cima o menino falando para os pais que estava brincando ao me empurrar no poço. A mãe diz: “Pode deixá-la aí dentro, ela já está velha e não presta mais para nada”. Eu me sinto insegura, eles vão tapar o poço. Está frio, escuro, eles vão me deixar aqui até a morte. Eu passo dias neste poço. Tenho fome, dores, passo muito frio. Eu não queria morrer. Eu resisto para não morrer, mas não estou agüentando mais viver nesse poço fechado, sem comida, sem luz, queria ver a luz do dia, o sol. Estou com muito ódio daquele menino e de sua mãe que falou para me deixar aqui”.
Peço para que ela repita essa frase em voz alta algumas vezes para se libertar dessa carga emocional de seu passado. Em seguida, peço para que ela vá para o momento de sua morte. “Eu perco a força e me afogo. Eu estava muito fraca. Não sofri tanto porque estava muito debilitada. Eu morri”. Peço novamente para que ela prossiga nessa cena e que me relate o que aconteceu após sua morte física.
“Eu morri mas continuo no poço. Eu não queria morrer (chora). Eu resisti à morte, mas não consegui. Meu espirito está preso a esse poço. Está tudo escuro. Eu quero sair mas estou presa ao meu corpo, eu não quero deixá-lo. Estou cuidando dele. Eu me sinto sufocada, me sinto muito mal. Outra família vêm morar nessa casa e reabre o poço e encontram os restos de meu corpo. Não tenho mais corpo. Essa família retira a minha ossada. Agora estou vendo uma criança, um ser de luz que me chama, fala para eu sair desse poço, dessa escuridão. Eu resisto, não quero sair. Eu não consigo sair dali. Estou ainda presa a esse poço. Meu espírito fica perturbando as crianças que atiram pedras no poço. O poço é meu!!! Já que eu morri nele, ninguém vai mexê-lo (fala com raiva). Eu faço barulho a noite inteira enquanto os moradores dormem. Eles não sabem o sofrimento que eu passei. Eles tem medo do barulho.
Existem pessoas querendo me ajudar. Estão vestidas com mantos tipo bata azul clarinho. Elas falam para eu deixar essa escuridão. Falam que eu não pertenço mais a essa vida e que eu tenho que deixá-la e não perturbar mais as pessoas. Eles tentam me convencer mas eu não quero. Eu quero continuar a perturbar os moradores. Eu fico na cozinha, nos quartos desta casa, perturbando a todos. Agora, vou perturbar a criancinha de 4 anos. Ela é frágil, vou me apoderar dela. Vou levá-la até o poço e fazê-la cair lá. Eu vou matá-la!!!
Há pessoas falando para mim que ela não tem culpa do que ocorreu comigo e falam para eu deixá-la em paz. Fico em conflito, não sei o que fazer (pausa). Decido não fazer nada com ela. Eu vou embora, deixar esse poço em paz. Os espíritos de luz me levam para um lugar bonito, há muito verde, árvores. As pessoas estão vestidas de roupas longas. Elas caminham com tranqüilidade. Elas estão me ensinando a me adaptar a essa nova vida. Aos poucos vou me adaptando. Eu tento ajudar as pessoas que estão chegando a esse lugar, fazendo que enxerguem o melhor caminho. Cada dia chega mais gente com problemas. É bom passar para elas o que eu passei. Vivo muito tempo nesse lugar. Os espíritos superiores falam que está na hora de eu voltar para a Terra, superar o medo do escuro e perdoar as pessoas que me prejudicaram. Eu não consegui perdoá-las. Eu não queria ir agora. E se eu voltar a viver no escuro? Eu tenho medo. Eles dizem: “Você tem que voltar para vencer esse medo”.
Peço para que a paciente prossiga na cena. “Agora, eu me vejo na vida atual com cinco anos. Minha mãe me prende no armário e me deixa presa porque fiz arte. Empurrei o meu irmão e ele caiu batendo a cabeça na quina da mesa. Ele chorou muito. Eu passo um bom tempo no armário. Está muito escuro. Eu preciso sair, tenho medo e me sinto sufocada. Não quero ficar aqui. Porque ela fez isso? Me tira daqui!!! Me tira daqui!!! (grita chorando muito). Ela fala que só vai me soltar se eu prometer que vou me comportar. Eu digo que sim. Ela me tira do armário”.
Ao término dessa sessão, a paciente me disse que foi a partir daí que desenvolveu o medo de dormir no escuro. Aproveitei seu comentário para lhe esclarecer que na verdade, esse episódio do armário apenas desencadeou, “disparou” a experiência traumática da vida passada onde ela morreu naquele poço escuro. Após passar por mais quatro sessões de regressão em que voltou a cena do poço, liberando por completo a carga emocional da experiência traumática de sua morte, demos por encerrado o nosso trabalho. Ela compartilhou comigo sua alegria ao me informar que estava dormindo de luz apagada, sem se sentir incomodada.








in memoriam