Portal da Espiritualidade III
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 12/05/2006 11:41:30
“Eu não sou contra o materialismo. Eles são necessários. Nenhum tibetano quer uma vida pobre. Nós precisamos da modernidade, do desenvolvimento.
Mas só pensar em bens materiais está errado.
Facilidades materiais nos trazem conforto físico.
Bens matérias, dinheiro ou poder não podem nos trazer tranqüilidade mental. Além das facilidades materiais, precisamos de espiritualidade.
Ela nos traz paz. Nós não somos animais que nos contentamos com abrigo e comida.
Temos inteligência e, às vezes, ela cria necessidades adicionais”.
- Dalai Lama
(Entrevista concedida ao repórter da
Folha de São Paulo em 30/04/06 quando
este lhe questionou que estava sendo
contraditório ao pregar ser contra o materialismo
e, no entanto, hospedar-se em hotel caro
em São Paulo e mais as pessoas terem que pagar
para assistir às suas palestras).
Na Terapia Regressiva Evolutiva (TRE) , método psicoterápico desenvolvido por mim, fruto dos meus 21 anos (desde 1985) trabalhando com a Terapia de Vida Passada (TVP), mencionei nos artigos anteriores (Portal da Espiritualidade 1 e 2) que me utilizo de um portão (peço para o paciente visualizá-lo em estado alterado de consciência) para que ele possa romper sua barreira da memória (Esquecimento do Passado) e, com isso, acessar o inconsciente onde estão registrados os acontecimentos dolorosos, traumáticos de seu passado, seja desta vida (infância, nascimento, útero materno) ou de vidas passadas, responsáveis pelas suas fobias, depressão, ansiedade, angústia, crises de pânico, doenças orgânicas de causa desconhecida pela medicina oficial e problemas de relacionamentos truncados, difíceis, que não “atam e nem desatam” entre pais e filhos, cônjuges, irmãos, parentes, chefes , colegas de trabalho, etc.
Esse portão imaginário funciona como um portal que separa o passado do presente, o mundo espiritual do mundo físico.
Em verdade, o meu consultório é um Portal da Espiritualidade onde o paciente tem a oportunidade de acessar o seu passado através da regressão de memória para se libertar das amarras (bloqueios emocionais) que o prendem ao seu passado, ‘revivenciando’ a origem de seu problema.
O Portal propicia também ao paciente, um contato amplo e direto com os espíritos superiores - mentor(a) espiritual - que irá lhe revelar aquilo que é necessário saber em relação aos seus problema e sua resolução, bem como de acontecimentos futuros - se for necessário - e de seu propósito de vida.
É importante salientar aqui, que nem sempre nessa terapia o paciente regride ao seu passado, ao atravessar o portal. Em muitos casos, seu(sua) mentor(a) espiritual o poupa de regredir por várias razões, mas a causa principal está no fato de achar que o paciente não tem ainda estrutura emocional suficiente para ‘revivenciar’ acontecimentos traumáticos, portanto, bastante dolorosos. Sabe que se ele revivenciar o seu passado, ao invés de ajudá-lo, poderá, pelo contrário, prejudicá-lo com a regressão de memória. Portanto, muitos mentores espirituais preferem fazer revelações ao paciente, dizendo-lhe as causas de seus problemas, ao invés de deixá-lo revivenciar o seu passado traumático.
Veja o caso de uma paciente que ilustra bem essa preocupação acima referida.
A paciente me procurou por conta de sua baixa auto-estima, dificuldade de dizer não às pessoas, e medo de confiar nelas e de criar vínculos afetivos.
Caso Clínico:
Baixa Auto-Estima
Mulher de 25 anos, casada.
A paciente veio ao meu consultório por não ter confiança em si (insegurança), baixa auto-estima (sentimento de desvalorização e incapacidade), dificuldade de se vincular afetivamente às pessoas (mesmo com o marido) e muito medo de enfrentar a vida, de fracassar. Tinha também dificuldade em dizer não, de desagradar as pessoas. Não conseguia se vincular afetivamente a ninguém por não confiar nele. Não se permitia afeiçoar-se às pessoas. Teve um aborto espontâneo após o primeiro filho, e isso a incomodava muito, pois sentia muita culpa por ter perdido a criança. Queria entender também por que sua mãe a abandonou quando ainda era criança. Isso fez com que guardasse muita mágoa dela.
Ao regredir a paciente me disse:
“Ao atravessar o portão (Portal), vejo uma luz dourada. É o meu Mentor Espiritual! (pausa). Ele me diz que é comum a gente passar por problemas e achar que é ruim, mas que é para eu tirar uma lição, extrair uma aprendizagem de cada problema.
Ele diz que eu posso superar todos os meus obstáculos, mas, para isso, eu preciso aprender a ver os aspectos positivos nos acontecimentos dolorosos da vida. Diz ainda que eu tenho muito que aprender e ensinar também. Fala que eu tenho medo de enfrentar a vida e fracassar porque em vidas passadas, nascido como homem, num episodio dramático liderei um grupo de pessoas e todas morreram massacradas.
Ele esclarece que, na verdade, eu não queria liderar a revolução, mas acabei comandando a pedido daquelas pessoas que confiavam muito em mim. Por isso, na vida atual, continuo tendo dificuldade de dizer não às pessoas, de desagradá-las. Diz que ainda me sinto culpada pela morte de todos”.
- Pergunte ao seu mentor espiritual de onde vem a sua baixa auto-estima - peço à paciente.
“Ele diz que vem mesmo dessa revolução nessa vida passada. Fala que ao morrer nessa revolução fiquei totalmente desfigurado (pausa)”.
- O que foi que aconteceu para você ficar desfigurada? - sugiro que a paciente pergunte ao seu mentor.
“Os inimigos me capturaram e me torturaram porque eu era o líder do grupo. Eles queimaram o meu rosto, deceparam a minha cabeça e todos os meus membros, ou seja, depois de me torturarem, me esquartejaram (paciente chora).
O meu mentor diz que essa revolução eu liderei contra o meu próprio pai, que era o Rei. Eu não concordava com a brutalidade dele, pois ele torturava os seus opositores e depois os matava.
Diz ainda que eu tenho uma baixa auto-estima, uma auto-imagem negativa na vida atual porque naquela vida passada meu rosto ficou todo deformado ao ser queimado.
O Rei, que era o meu pai, na vida atual é o meu marido (pausa)”.
- Pergunte ao seu mentor por que vocês vieram agora como marido e mulher? - peço à paciente.
“É para nós - desta vez - resgatar o verdadeiro amor. Vindo como cônjuges, vamos poder exercitar, expressar o amor”.- Pergunte-lhe de onde vem sua desconfiança nas pessoas na vida atual - peço à paciente.
“Nessa revolução, um amigo me traiu. Tudo o que planejava com o grupo, ele ia e falava para o meu pai. É por isso que o meu pai nos armou uma emboscada e me capturou (pausa). O meu mentor me fala que eu preciso aprender a perdoar as pessoas, ser mais tolerante, mas que tudo nessa vida tem o tempo certo para acontecer. Agora ele me abraça, sinto uma sensação de paz, aconchego e tranqüilidade. Diz ainda que vou ser muito feliz, mas primeiro vou ter que aprender a controlar meus impulsos. Quando fico com raiva, quero xingar as pessoas, principalmente o meu filho. Fala para eu ter paciência com ele, para eu nunca bater nele, pois ele já é um espírito elevado (pausa).
Diz também que não preciso me sentir culpada por ter perdido aquele bebê (aborto espontâneo). Ele foi abortado porque precisava somente daquele curto espaço de vida para se purificar (pausa; a paciente começa a chorar copiosamente).
- Pergunto-lhe por que ela está chorando...
“O meu mentor espiritual me diz que aquele bebê que eu perdi era ele. Me fala que sabe que eu sofri muito naquela ocasião. Diz ainda que se sente muito grato por mim porque eu o amava (pausa). Ele fala que minha mãe me abandonou porque eu também a abandonei numa vida passada.
Ele está agora se despedindo e pede para quando for me deitar à noite, me conecte com ele através da meditação.
Diz que se eu me conectar mais com ele, vai poder me ajudar.
Diz também que nunca vai me dar respostas para tudo porque se eu tiver respostas para todas as questões da vida, não vou mais precisar viver nesta jornada. Fala que muitas vezes preciso resolver os problemas por mim mesma, mas que nos problemas mais difíceis, ele estará sempre do meu lado para me orientar”.
- Pergunte-lhe por que ele só veio a se manifestar na quarta sessão de regressão - peço à paciente.
“Ele diz que nas primeiras sessões eu ainda estava confusa, insegura, sem saber se podia confiar no senhor (referindo-se a mim como terapeuta). Isso dificultou a minha comunicação com ele, pois a minha desconfiança impediu de me entregar ao processo terapêutico. Mas diz que agora estou reaprendendo a confiar nas pessoas. Ele fala que agora eu confio no senhor”.
Após passar por mais 4 sessões de regressão, a paciente estava se sentido mais autoconfiante, estava se valorizando mais, se vinculando às pessoas, exercitando sua capacidade de amar, em especial com o marido e o filho.
Estava exercitando também sua capacidade de impor limites, aprendendo a dizer não às pessoas.








in memoriam