Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece

Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece

Autor Osvaldo Shimoda

Assunto Vidas Passadas
Atualizado em 29/09/2006 11:42:16


Este é um velho e conhecido ditado hindu que sempre utilizo ao explicar para os meus pacientes que não é por acaso a vinda deles ao meu consultório.
Aliás, a palavra "acaso" não existe, pois o prefixo "a" significa sem e "caso" vem de causa. Portanto, acaso significa sem causa, o que é uma inverdade, pois tudo na vida tem um nexo causal, isto é, tudo é regido pela Lei da causa e efeito.
Mesmo que não saibamos a causa que gerou um acontecimento em nossa vida, existe com certeza algo que ocasionou um efeito (acontecimento).

Na vida, o que realmente importa é se estamos abertos, receptivos para a verdade.
O grande Mestre Jesus dizia que "A Verdade Vos Libertará". Realmente, a verdade liberta, mas apenas para aqueles que estão prontos, maduros para entrar em contato com ela. Nesse sentido, a Terapia Regressiva Evolutiva (TRE), como instrumento de autoconhecimento e cura, propicia, através do mentor espiritual de cada paciente, revelações da causa de seus problemas.
Mas, para isso, o discípulo (paciente) precisa estar disponível para sintonizar com o seu Mestre (mentor espiritual) e querer efetivamente passar pela Terapia Regressiva Evolutiva para que neste contato haja confiança e receptividade.

A humildade é uma condição prévia para saber algo do passado, pois cada existência (encarnação) é acompanhada do esquecimento (barreira da memória que ocorre em forma de amnésia e não nos deixa recordar nossas vidas passadas). Porém, este esquecimento é providencial, é um presente de Deus para facilitar as lições de vida, os resgates cármicos que precisamos aprender por conta de erros cometidos no passado. Se para muitos é insuportável a lembrança de fatos acontecidos em sua infância, que são reprimidos e lançados no inconsciente (desvendado por Freud), o que dizer de lembranças de atrocidades que todos cometemos em vidas passadas?
Desta forma, é imprescindível que o paciente tenha um mínimo de humildade para admitir sua ignorância e, com isso, se abrir para o aprendizado mais profundo de sua vida. Caso contrário, o orgulho da mente racional do ego do paciente, que se manifesta através das argumentações de dúvidas, incredulidade e ceticismo em relação à existência de seu mentor espiritual, irá impedi-lo de entrar em contato com o que o seu mentor teria a lhe dizer em relação aos seus problemas durante a sessão de regressão.

É importante ressaltar aqui, que na Terapia Regressiva Evolutiva, o paciente intui em pensamento - palavras, frases - o que o seu mentor lhe diz.
Portanto, nessa terapia é exigido muito do paciente que ele confie na sua intuição, isto é, no seu 6º sentido - que é o sentido de sua alma, do seu espírito.
Portanto, em estado alterado de consciência (em alfa), o paciente, através de seu espírito, de sua alma, vai conversar com o seu mentor espiritual. Mas, para acessar a sua alma, é indispensável que ele não deixe que a mente racional de seu ego (dúvidas, incredulidade, medos, ceticismo) interfira, colocando em cheque a existência de seu mentor espiritual, achando que é tudo uma "fantasia", produto de sua "imaginação fértil".
Mesmo ao regredir em vidas passadas, alguns pacientes me perguntam se tudo o que trouxe na sessão de regressão não foi fruto de sua imaginação.
Como eu posso saber se o que falei para você na regressão não foi fruto de minha imaginação? - muitos me indagam.
É a dúvida mais comum desses pacientes.
Portanto, quanto mais racional e cético for o paciente, mais tenderá a encontrar dificuldade de se entregar no processo regressivo.

Por conta disso, que num artigo anterior (Indicação, Contra-indicação e Limitação) escrevi que a Terapia Regressiva Evolutiva é contra-indicada para pacientes muito céticos, incrédulos, que não acreditam em vidas passadas, reencarnação, vida após a morte, mundo espiritual, etc.
Infelizmente, a nossa cultura racional, cartesiana, tecnicista, reprime esta preciosa função - a intuição - que acaba sendo atrofiada na maioria das pessoas, e, de modo especial, nos homens (a maioria dos pacientes que me procuram são mulheres).
Albert Einstein dizia que duas coisas são infinitas: O universo e a estupidez humana.
Isto ajuda a explicar por que os grandes homens foram tão pouco compreendidos e tão estupidamente julgados, quando não crucificados.

Em verdade, na maioria dos casos, a vinda do paciente ao meu consultório teve influência de seu mentor espiritual.
Ao perguntar-lhe o porquê de tê-lo influenciado a me procurar, muitos respondem que foi a única forma que encontraram para se comunicar com o paciente.
Veja o caso de uma paciente que veio ao meu consultório por conta de um problema no trabalho criado pelo próprio mentor espiritual.

Caso Clínico:
Competência profissional não reconhecida no trabalho
Mulher de 25 anos, solteira.

A paciente veio ao meu consultório se queixando que, apesar dos seus chefes valorizarem o seu trabalho, a sua competência profissional, não a reconheciam financeiramente, promovendo-a para um cargo de mando. Disse-me também que era muito visada pelos colegas de trabalho que a humilhavam querendo competir com ela por sentir inveja de seu desempenho profissional. Portanto, não se sentia acolhida e aceita no seu ambiente de trabalho. Queria entender por que desde criança sentia falta, saudade de alguém, mas não sabia de quem (chegava a chorar copiosamente). Tinha também muito medo de errar, de fazer algo errado. Era muito dura consigo mesma quando cometia um erro, a ponto de não se perdoar jamais.
Queria entender também porque tinha conflitos, brigas constantes com sua mãe e a irmã mais velha (a paciente é a caçula da família).

Ao regredir, relatou-me:
"Vejo um lago, estou lavando o rosto feliz, meu cavalo toma água. Agora está vindo um rapaz galopando em seu cavalo. Ele desce para lavar o rosto também. Estou rindo porque ganhei a corrida. Ele tem cabelos castanhos claros, rosto bem delineado e forte, mais alto do que eu. Parece que vestimos uma roupa parecida, de montaria.
Sou branca, minhas mãos são delicadas, uso botas, meus cabelos são ruivos.
Devo ter uns 20 anos e o rapaz é mais velho, deve ter uns 30 anos... Ele é o meu marido. Moramos numa casa bonita, num castelo de pedras. É um lugar bonito, de muita vegetação, de muito verde. Nós governamos esse lugar. Existem muitas moradias, muitos habitantes.

Meu pai morreu e eu assumi o lugar dele. Fui preparada para ficar no lugar dele porque sou a irmã mais velha; somos em duas. A minha irmã dessa vida passada, eu a identifico como sendo a minha irmã mais velha da vida atual. E a minha mãe dessa vida passada, a reconheço como sendo a minha irmã do meio.
Agora explica o porquê na vida presente a minha irmã do meio sempre quis me proteger, tomar conta de mim. Ela agia como se fosse a minha mãe. Claro, ela foi a minha mãe dessa vida passada. Era uma senhora muito tranqüila.
Mas quase não cuidou de mim nessa existência passada, foi o meu pai que cuidou de minha educação porque queria me preparar para o dia em que morresse.

Meu pai é um senhor de barba, cabelos curtos, uns 40 anos. Veio a falecer de uma febre alta por conta de um ferimento, de uma doença que não sei precisar o que era.
Minha mãe gostava muito dele, cuidou dele quando estava doente. E quando ele morreu, precisei me casar. O meu marido era de uma propriedade vizinha, e quando nos casamos ampliamos o domínio e juntamos as nossas propriedades.
Ele era um marido maravilhoso, tinha muita paciência comigo e sempre lutava pelas nossas terras. Era muito corajoso.
Eu o amava muito, mas não podia mostrar em público os meus sentimentos. Era muito perigoso, tinha muita gente que queria ocupar o meu lugar (paciente faz uma analogia dizendo que na vida atual sempre teve dificuldade, se sente constrangida em demonstrar afeto em público, pois se sente vulnerável, fraca). Se eu demonstrasse que o amava, seria um ponto de vulnerabilidade.

Por isso, a gente não demonstrava em público nenhum afeto entre nós e mesmo com a minha família, podia ser perigoso para eles também. Tínhamos que ser formais, fortes, passar uma imagem de seriedade e respeito.
Tive um filho que morreu, não tive certeza se ele morreu de doença ou foi assassinado, envenenado.
A minha irmã menor vivia tramando; ela era muito fútil, fazia alianças com quem não devia. Ela queria o meu lugar, me causava muita tristeza (paciente relata que na vida atual as duas sempre tiveram uma relação conflituosa pelo fato de sua irmã fazer intrigas, fofocas, mentiras a respeito dela para os outros).
Ela tinha muita inveja de mim, pois achava que ela era que devia governar. Junto com o seu companheiro, tramavam muitas coisas para me prejudicar.

- De que forma? - Pergunto à paciente.
"A minha irmã fez várias intrigas, fofocas, dizendo-me que o meu marido estava me traindo com outra mulher.
Acabei acreditando nessa trama inventada por ela e briguei, duvidei da palavra dele (paciente começa a chorar).
Ele ficou muito triste, magoado por não acreditar nele; nossa vida mudou muito depois desse episódio. Ele andava desgostoso, infeliz, e, com isso, foi ferido numa batalha e veio a morrer ".

- Veja o que ocorreu após sua morte? - Pergunto à paciente.
"Eu sentia muito a falta dele (paciente chora copiosamente).
Não sabia mais viver sem ele, cometi alguns erros de governo, de julgamento. Ele não estava mais para me ajudar como fazia antes. Eu me sentia muito fragilizada, desamparada sem ele. A minha irmã conseguiu me afastar alegando para o conselho que eu não estava no meu juízo perfeito e acabou assumindo o meu lugar dizendo ao povo que eu estava em tratamento. Ela não podia me matar porque isso poderia provocar uma revolta grande do povo.
Entrei numa depressão profunda no meu quarto, comia muito pouco e acabei morrendo".

- Veja o que acontece após sua morte? - Peço-lhe.
"Estou num jardim, no Astral (mundo espiritual), choro muito.
As entidades espirituais de luz estão à minha volta, falam que eu não deveria chorar, que vou ter uma outra oportunidade de voltar, de reencarnar e encontrar o meu marido. Mas o meu coração dói, não devia ter acreditado na minha irmã, não queria que ele tivesse morrido magoado.
Queria que ele me perdoasse, queria poder consertar o que fiz, voltar na época em que fomos muito felizes (paciente entende agora porque na vida atual é tão dura consigo mesma, não se perdoa quando comete um erro, tem tanto medo de errar)".

- Você chegou a revê-lo no plano espiritual após sua morte? - Pergunto à paciente.
"Não. Eu tentei encontrá-lo, mas não consegui. Na verdade, eu reencarnei na vida atual para reencontrá-lo. Mas tenho muito medo de não reconhecê-lo, de que talvez ele não tenha me perdoado.
Eu sei que ele está aqui na vida atual reencarnado (pausa)".

- Volte novamente para aquele jardim no astral - Peço à paciente.
"Estou caminhando junto com o meu mentor espiritual. Ele não fala nada.
Ainda sinto saudades de meu marido. Meu mentor pede para eu ter paciência que um dia eu vou encontrá-lo, mas tenho que ter muita paciência. Diz que as coisas não acontecem no tempo que eu quero, mas no tempo que precisa acontecer. Fala para eu ter fé no meu destino.
Confirma que eu reencarnei na vida atual para procurar o meu marido e diz que já estivemos próximos várias vezes, mas a mágoa que carregamos nos afasta. Esclarece que se um ou outro não resolver essa mágoa, não vamos nos encontrar de novo na vida atual".

- De que forma você pode tirar essa mágoa? - Pergunte ao seu mentor espiritual.
"Ele fala para eu orar a Deus e pedir para ajudá-los a limpar essa mágoa. Ele me diz que a vida é cercada de milagres, mas nós não paramos para percebê-los porque somos muito racionais, só enxergamos o nosso próprio cérebro.
Diz para eu escutar mais a voz de meu coração, de minha alma.
Explica que quando eu perceber que a minha vida é cercada de luz, não vou mais chorar, ficar triste, assim tudo vai ficar mais fácil.
Diz que em várias existências eu mandei muito e que agora, na vida atual, preciso aprender a obedecer. Não devo reclamar de títulos, cargos porque eu já tive muitos em vidas passadas.
Fala que título é só título, mas o mais importante é a aprendizagem que se obtém com o cargo que ocupamos.
Esclarece que em outras vidas, tive vários títulos, que eu mandei e que nem sempre fui boa. Às vezes cometi injustiças, mas não foi por querer. Diz que tudo é uma questão de circunstância, pois as pessoas ao tomarem uma decisão vêem apenas um aspecto da situação e acabam sendo injustos. Fala que no passado, muitas pessoas invejavam os meus cargos.
E essas pessoas são hoje os meus colegas de trabalho. Diz para eu não dar atenção às coisas pequenas, afinal, não está faltando nada em minha vida, não estou passando por necessidade.
Então, qual é o problema? - ele me pergunta. Ressalta que o que importa é lembrar das pessoas que me ajudaram. Diz ainda que o fato de eu brigar constantemente com a minha mãe tem como origem quando estava no útero dela.
Explica que como minha mãe perdeu dois filhos antes de mim, ela não queria mais engravidar. Então, quando estava no útero dela fiquei com raiva dela porque queria nascer para reencontrar o meu marido da vida passada e me perguntava: "E se ela não me deixar nascer?".
Desta forma, achava que ela iria atrapalhar o reencontro com o meu marido. Pensava que ela estava sendo muito egoísta, que só pensava nela.
Por isso, ele esclarece o porquê de eu sempre brigar com ela.
Mas ele diz que a minha mãe não tinha nada contra mim, não foi nada pessoal o fato dela não querer ter outro filho. Na verdade, ela estava traumatizada por perder dois filhos seguidos antes de mim.
Diz que a minha mãe sente falta de meu carinho e que eu posso conviver melhor com ela até para não levar essa situação numa vida futura. Diz ainda que a minha vinda ao consultório não foi por acaso.
Que há bastante tempo era para eu ter vindo aqui. Por isso, precisou criar um problema maior na minha vida (problemas no trabalho) para que eu tivesse um motivo, uma justificativa maior para procurar o senhor (referindo-se a mim como terapeuta).
Foi a única forma que encontrou para acelerar algumas coisas na minha vida.
O meu mentor pede que compreenda que ele tem paciência comigo, mas tem coisas que não dá para esperar que eu aprenda sozinha".

- Pergunte-lhe se há necessidade de continuarmos o nosso trabalho? (Esta era a 4ª sessão de regressão).
"Diz que está muito feliz pela quantidade de coisas que eu aprendi na terapia, e que foi só um começo. Pede para eu fazer uso do que aprendi. Acha que foi o suficiente o que ele me passou e que outros conhecimentos virão no futuro, mas por enquanto é o suficiente.
Fala que a chave de tudo é o coração porque ele sabe as respostas. Explica que ouvir o coração é uma figura de linguagem, mas, na verdade, é escutar a minha alma, ou seja, ouvir o meu eu verdadeiro e não o ego. Diz que o meu eu verdadeiro, a minha alma, é o que me liga ao universo, ao nosso grande Pai.
Ele finaliza dizendo que está sempre comigo me ajudando, pede para agradecer ao senhor (referindo-se a mim como terapeuta), para continuar com esse trabalho maravilhoso (Terapia Regressiva Evolutiva) que tem ajudado muitas pessoas a encontrarem os seus caminhos".

Após a sessão de regressão, a paciente me disse que estava se sentindo muito bem, mais livre, mais solta e alegre.
Quero ressaltar aqui, que o contato com o mentor espiritual costuma proporcionar efeitos terapêuticos bastante positivos na vida dos pacientes, por conta de sua sabedoria - o mentor conhece muito bem o paciente por acompanhá-lo em várias encarnações - e de seu profundo amor.




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Shimoda
é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
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