Síndrome do Pânico
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 17/06/2002 12:04:33
CASO CLÍNICO
Eu quero trazer aqui um caso verídico que atendi em meu consultório.
É o caso de uma mulher de 35 anos, solteira, cujos problemas que a trouxeram para a regressão eram a síndrome do pânico, falta de ar, ansiedade, angústia, medo da morte e diarréias constantes.
Há 2 anos tinha diarréias que duravam de 3 a 5 dias, todo o mês.
Procurou médicos especialistas em gastroenterologia, endocrinologia, psicólogos e psiquiatras sem nenhum resultado.
Clinicamente não tinha nada; fizera todos os exames necessários sem acusar nada.
Os ataques de pânico e, principalmente, a falta de ar se davam em locais onde havia muito aglomerados de gente (metrô, cinema, shows). Nesses locais, ela se sentia oprimida com a “agressividade” e “estupidez” das pessoas.
Na 1ª sessão de regressão vê a cena do seu pai a abraçando numa rua, muitas pessoas, a mãe com seu irmão no colo, gritando desesperada e muitos soldados empurrando a multidão. As pessoas correm, os guardas gritam, escuta um tiro mais atrás. Ela não sabe o que está acontecendo. Abraça mais o pai. Tinha medo de perder seus pais.
Tem alguma coisa lá na frente. É um caminhão. Vai formando ao seu redor um enorme círculo de pessoas. Algumas pessoas gritam. Ela diz que tem medo de chegar na frente onde está o caminhão.
A multidão vai empurrando. Seu irmão está quieto e com o olhar assustado. Vê crianças perdidas dos pais, gritando. Chegam mais perto do caminhão. Os soldados estão separando as pessoas. Acabam também a separando de seus pais e de seu irmão. Os pais ficaram atrás com seu irmão. Ela entrou em pânico pelo fato de se separar deles e de ter que subir no caminhão. Chora bastante e entra em desespero por não vê-los mais.
Ela diz ter 17 anos e o ano é 1944. Os soldados estão vestidos de uniforme liso, botas altas, pretas, iguais das suas armas. Alguns usam capacetes e outros não. Se vê como branca, loira, olhos claros e vestida com blusa branca e casaco pesado. Peço na regressão para que ela avance, prossiga na cena. Em seguida, se vê num salão grande, com muitas garotas da idade dela. Não está mais com seu casaco, está descalça. Tem uma mulher fazendo vistoria. Vão chegando mais outras garotas. Estão todas assustadas. Essa mulher fica olhando fixamente para elas e escolhe algumas delas para saírem daquele recinto. Ela não queria que a escolhesse, mas acaba sendo também escolhida.
Todas saem daquele recinto em fila. Ela fica pensando nos seus pais e no irmão. Queria estar junto deles. Tinha outros dois irmãos. Eles não estavam quando os soldados os tiraram a força de dentro de sua casa. Os guardas começam a gritar. Elas tiram as roupas no corredor e saem nuas em direção a um salão menor, cujas paredes eram de cor escura e cinza. Há uma menina do seu lado que se agarra nela, chegando a machucá-la. Ela quase arrasta essa menina quando os soldados ordenam para que elas andem. As pessoas ficam amontoadas nesse novo recinto. Eles fecham a porta e todos ficam na penumbra, gritando. Ela sente sua pele e das pessoas geladas. Eles ligaram alguma coisa. Começa a sair uma fumaça. Sente muita sede. O cheiro é muito forte, ardido. Aí todas gritam mais ainda, se agarram e se machucam com as unhas. Ela sabe que vai morrer e que nunca mais irá ver seus entes queridos. Ela quer encontrar a parede do recinto. A menina que estava o tempo todo do lado dela, já não está mais. Tenta subir na parede, mas não consegue, pois ela é muito lisa. Ela vai escorregando para o chão. Ela se debate. Nesse momento, no divã onde está deitada fazendo a regressão, seu corpo e suas mãos ficam contraídos e seu rosto fica todo desfigurado. Em seguida, ela me diz que parou de respirar. No momento da morte, veio na sua frente a imagem de seu querido irmãozinho. Ela me diz: “Queria tanto cuidar dele!” Pergunto se ela identifica alguém na vida atual que seja a reencarnação dele. De imediato identifica o seu sobrinho, filho de sua irmã. Agora entende o porquê de nutrir por ele tanto carinho.
No final da sessão, consegue fazer uma analogia em relação o que acontecera com ela em vidas passadas e o seu problema nesta vida de falta de ar e a sensação de pânico e de se sentir “agredida” dentro do metrô. Em vidas passadas, as pessoas estavam se agredindo, se amontoando naquele recinto, o mesmo acontecendo nesta vida ao ser empurrada no vagão do metrô. O amontoado de pessoas no horário de rush, disputando o mesmo espaço, a falta de ar e a penumbra da luminosidade do vagão, fizeram com que ela revivesse nesta vida a mesma sensação de pânico e de medo que sentira dentro da câmara de gás que a matou na encarnação passada.
Após ter identificado na regressão a causa de seu problema, observada agora sob um novo ângulo e mais bem compreendida, a paciente se libertou das “amarras” de seu passado. Posteriormente, ao se submeter a mais 6 sessões de regressão, ela teve alta e nunca mais sentiu aqueles sintomas que tanto a incomodavam.








in memoriam