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A LENDA DA VITÓRIA RÉGIA

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A tribo estava em festa. O nascimento da indiazinha, cuja pele se diferenciava de todos pela cor, branca como a luz da lua, foi comemorado na taba, como uma benção de Tupã. Com o nome Jaçanã foi batizada e consagrada pelo pajé como filha de Tupã, o único a quem poderia amar.

Seus olhos jamais deveriam fixar-se em qualquer jovem mortal, de qualquer tribo existente. Cada vez mais bela, de uma formosura que jamais se vira ou ouvira falar, Jaçanã tornou-se moça.

Diariamente, satisfeita com a sua resplandescente beleza, mirava-se nas águas do Rio Amazonas.

Certa manhã, foi surpreendida em sua contemplação por um jovem e belo índio da tribo vizinha, que parou fascinado ante a sua beleza. Naquele mesmo instante o guerreiro sentiu que seu coração pertencia à Jaçanã. A virgem sagrada, que também tinha um coração de mulher, apaixonou-se pelo índio.

Os maiorais da tribo notaram profunda modificação em Jaçanã. O pajé, percebendo os sintomas do amor em seus olhos, ordenou que fosse vigiada com rigor.

Uma tarde, Jaçanã, ante a impossibilidade de concretizar o seu amor, resolveu fugir com o bravo guerreiro e procurar abrigo na tribo vizinha.

Surpreendida e aprisionada, foi condenada à morte pelo pajé. E começaram os preparativos para o seu sacrifício...

O jovem índio procurou-a como louco por toda a floresta e, enfim, acercou-se da taba, para certificar-se do que se passava. Seus olhos encheram-se de desespero, quando viu prisioneira a sua amada. Sem medir conseqüências tentou salvá-la, mas seus passos foram detidos por certeira lança, que lhe atravessou o coração.

O corpo do guerreiro, já sem vida, tombou ante os olhos de Jaçanã. Nada mais lhe restava no mundo.

Assim, resignada, deixou-se conduzir por índios fortes e impiedosos que, comandados pelo pajé, a lançaram às profundezas das águas do Rio Amazonas.

Após o sacrifício, virgens da tribo atiraram brancas penas de garça sobre as águas, simbolizando a pureza de Jaçanã.

Jaci, a Deusa da Lua, que tudo presenciava do alto do céu, penalizada com a sorte da moça, fez com que ela ressurgisse do fundo das águas transformada em alva flor, como as penas das garças que cobriram a sua sepultura de águas.

Assim nasceu a Vitória-Régia, nas águas do Rio Amazonas.

Autor Desconhecido

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