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A TEORIA DA GOIABA

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Bicho de goiaba também é goiaba, ou seja, o desejo, a dor, a aversão, o prazer, a felicidade, o orgulho, a vaidade, a inveja e até mesmo os momentos de iluminação fazem parte do pacote do Eu Sou.

De preferência, não devemos matar nada, nem mesmo o tal de Ego, que muitos espiritualistas e até alguns não espiritualistas consideram os vilões da coisa toda.

Pelo simples motivo de que tudo o que existe tem uma função, acho que o melhor a fazer é aceitar a goiaba com todos os bichos que ela tiver, e fazer bom proveito.


Ah! Tá bom! Você vai dizer que não gosta de goiaba com bicho.

Bom, então não coma a goiaba. E desista de qualquer progresso no campo espiritual.

Se preferir, pegue uma faca bem afiada, corte a goiaba em fatias muito finas, como se ela fosse uma amostra de tecido a ser examinada num microscópio, e remova cuidadosamente as minúsculas fatias do bicho, que, com certeza, irá encontrar. Pode ser legal, mas vai levar um tempão até você se sentir seguro, e começar - enfim! - a comer a goiaba.

Mas, existe um outro caminho.

Vá comendo a goiaba, bem devagarinho, com mordidas bem pequenas.

Cada vez que morder, antes de mastigar, olhe bem para o lugar onde mordeu. Pode ser que um bichinho surja, bem ali. Mantenha o pedaço que mordeu, na boca, sem mastigar. Examine-o com a língua, e se sentir alguma coisa se mexendo, cuspa no prato. Encare o bicho. Separe-o e coma o resto.

A idéia não é matar o bicho, mas aprender a identificá-lo, conhecê-lo bem, para reconhecê-lo, com facilidade cada vez maior, já que você gosta de comer goiaba, mas não gosta de comer bicho.

É claro que agindo assim, você corre o risco de desenvolver uma estranha simpatia, até mesmo afeição, por bichos de goiaba, por todos eles, ou por alguns. Vai desejar que eles se desenvolvam, se transformem em algo menos rastejante e repulsivo, mas, o melhor de tudo, é que vai compreender que mesmo esses seres merecem ser amados, e têm a sua utilidade. Vai descobrir, por exemplo, que sua repulsa por eles, motivou-o a desenvolver toda uma técnica para detectá-los, e que graças a essa técnica, você aprecia muito mais o sabor, a textura e a consistência da goiaba. Vai experimentar uma alegria, uma sensação de alívio, e até de prazer, cada ver que você consegue encontrar um bicho, seguida por uma estranha desconfiança, de que, talvez, não tenha conseguido identificar alguns deles, mastigando os coitados, pensando que eles eram goiaba. Até porque, em última análise, eles são.

Conhecendo bem o bicho, você vai acabar desenvolvendo uma enorme habilidade de descobrir onde ele costuma se esconder.

Um dia, você vai perceber que as goiabas muito bichadas têm uns furinhos na casca e vai passar a evitá-las.

Seguro de que progrediu muito, você vai se permitir ser menos rigoroso em sua técnica.

Então, quando estiver bem confiante, comendo a sua goiaba com garantia total de isenção de bichos, você dá uma boa mordida numa delas. Uma com casca bem lisinha, sem furinhos. E se vê cara a cara com o maior bicho de goiaba que jamais encontrou em toda a sua longa trajetória de identificador de bichos de goiaba. E volta a ser tão ou mais minucioso quanto era no começo.

É assim que eu vejo a sombra em nós. Ela é parte integrante de nós, da vida que pulsa em nós, do mundo em que estamos nos manifestando, aqui e agora.

A tranquilidade, a paciência, a observação e o discernimento são ferramentas eficazes, se queremos mesmo localizar, identificar e conhecer nosso dark side, e aprender com ele.

Mas, evidentemente, existem muitas outras maneiras de resolver a questão.

Uma delas é comer a goiaba depressa, com bicho e tudo. Afinal, somos todos um, não é?

Podemos fazer isso. Fazemos isso muitas vezes, mas, acho que, desse jeito estamos perdendo a melhor parte da festa da goiaba.

Uma outra, a única que desaconselho, mas que não posso deixar de citar, é dar as costas à goiaba, afirmando, no tom mais superior e convincente do mundo: - Ah, é? Tá com bicho? Deixa prá lá. Eu nem gosto de goiaba, mesmo!

Bom, acho que me empolguei. Mas, para mim, a coisa é desse jeito. Ou quase.

Maria Guida

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