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A Verdade

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Por muitas vidas vi passar o frígido inverno e a verde primavera. Aprisionado em minha pequena alcova, eu não via a árvore inteira e todo o céu para mim, era aquela a Verdade.
Com a ação destruidora do tempo, minha janela cresceu.
E contemplei então um ramo com muitas folhas e uma vasta expansão do céu, com muitas nuvens. Esqueci a folha verde solitária e aquela nesga de imensidão azul. Jurava que não existia a árvore, nem o céu imenso. Para mim, era aquela a Verdade. Cansado da prisão, da estreita cela, revoltei-me contra minha janela, com os dedos a sangrar.
Arranquei tijolo após tijolo, contemplei então a árvore inteira, seu tronco majestoso, seus ramos numerosos, suas miríades de folhas e uma imensa parte do céu.
Jurava que não existia outra árvore, nem outra parte do céu era aquela a Verdade. Aquela prisão já não me retém. Sai a voar, através da janela.
Oh, amigo! Agora contemplo todas as árvores e a vastidão do céu sem limites. E embora eu viva em cada folha e em cada nesga do vasto céu azul. Embora eu viva em cada prisão, a espreitar por estreitas frestas, sou livre.
Não! Nada mais me prenderá! ESTA é a verdade.

(A Busca),Krishnamurti

Recebido de Soraya Souza

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