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As Cartas de Cristo (Carta 6 - Parte 13) - A verdade sobre a Última Ceia (2)

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Pararam de conversar e olharam para mim.
“Vamos, comam”, eu disse. Como em um sonho, silenciosamente tomaram um pedaço de pão, passaram-no aos outros e todos comeram a sua parte.
Então peguei uma grande taça de vinho e disse para beberem e passarem aos outros. “Este vinho é o símbolo de meu sangue. Eu vim para dar a vocês a VERDADE. A Verdade sobre Deus – a Verdade sobre a vida. Porém, eu fui rejeitado. Meu sangue correrá por vocês”.
Novamente, em silêncio, beberam da taça e a passaram entre si. Suas faces estavam tensas, mas não disseram nada. Era óbvio que todos estavam comovidos pelas minhas palavras, que não agradava a eles.
Eu sabia que Judas tinha recebido dinheiro para apontar-me aos soldados do Sumo Sacerdote, quando o momento chegasse. Também sabia que a noite da Páscoa seria aquele momento. Então disse a Judas: “Vá logo e faça o que tem que fazer”. Judas me olhou longamente e vi a dor e indecisão em seus olhos. Ele estava repensando o assunto, porém o meu tempo havia chegado e eu queria terminá-lo de uma vez. “Vá”, disse com dureza. Judas levantou-se e saiu da sala.
Os discípulos ficaram surpresos pela maneira como eu falava e perguntaram o que Judas iria fazer. “Vai dizer ao Sumo Sacerdote onde me encontrar. Vão crucificar-me – exatamente como eu falei para vocês”.
Observei, com certo cinismo doloroso, as expressões de seus rostos – dúvida, sobressalto, terror. Logo, brotou uma torrente de perguntas ressentidas. O que iria acontecer a eles? Eles tinham deixado suas casas e famílias por mim. Se eu fosse crucificado como um delinquente comum, eles perderiam uma vida de liberdade e segurança. Eu então disse que iriam me abandonar. Com veemência negaram tal coisa – mas o fizeram.
Estava demasiado cansado para discutir com eles. Eu tinha me tornado tão forte, tão seguro no conhecimento de que o “Pai” estava em mim – e comigo – a todo instante, que eu podia me dar ao luxo de perdoar a deslealdade deles. E, ao final de tudo isso, seria liberado de meu corpo e poderia ascender aos reinos de Luz, que eu tinha frequentemente sentido, mas nunca visto em plenitude com a visão terrena. Era um pensamento que me trazia profundo consolo e uma feliz sensação de expectativa.
Então sorri para eles e disse: “É bom que tenham feito o que pedi, em lembrança de mim e de minha morte, que está por vir. Continuem partindo o pão e bebendo o vinho juntos, recordando que sempre os amarei e que ficarei com vocês em espírito, até que se reúnam comigo aonde vou. Não tenham medo, vocês serão guiados, serão inspirados, serão fortalecidos e falarei claramente com vocês”.
A minha única advertência é esta: no futuro, muito do que tenho ensinado a vocês será esquecido. Muito do que disse será descartado pelo pensamento humano, ou distorcido pelos mitos humanos. Logo houve pânico e um clamor: “Como será isso?” Sorri e levantei as mãos: “Falo do que acontecerá em um futuro distante. Enquanto isso sejam fiéis a tudo o que ensinei e não duvidem de nada do que eu disse.”
Chegou então a hora de ir ao Monte das Oliveiras, o lugar onde os soldados do Sumo Sacerdote iriam me buscar. Meus discípulos queriam ainda me fazer perguntas, porém eu tinha chegado ao fim do meu discurso para os homens. Eu apenas desejava preparar-me, em total silêncio, para a minha provação, entrando em espírito em um estado de segura e consistente sintonia e comunicação com o “Pai”.
Caminhamos para o jardim e me retirei para a minha rocha preferida. Sentei-me protegido do vento e envolvi-me na túnica. Fechei os olhos e pouco a pouco senti que entrava em uma grande serenidade de espírito e um poderoso silêncio. Logo, o Poder em Si desceu, tomando minha mente e meu coração. Preencheu-me com tal amor supremo que eu soube que estava sendo apoiado, sustentado no amor e que poderia manter meu amor por todos, não importando o que me acontecesse. Isso era tudo o que importava no momento em que minha hora havia chegado.


Essa é a verdade por trás do partir o pão e beber o vinho em minha honra, de minha vida e meus ensinamentos. E como você que está lendo esta Carta sabe, tudo o que meu “Pai” me revelou em minha última noite na Terra, se cumpriu. Como eu falava do “Pai”, do “Filho” e do “Espírito Santo”, a Igreja decidiu no Concílio de Niceia que eu me referi a “Três Pessoas em Uma”. Consequentemente, as pessoas rezam ao “Pai” para pedir benefícios, imploram ao “Espírito Santo” para que os instrua espiritualmente e rezam ao “Filho” para salvá-los de seus pecados.
Você pode “ver” o quanto as crenças são “terrestres e humanamente concebidas”?
Graças ao sentimentalismo e à promessa de uma “viagem gratuita ao céu nos calcanhares do Salvador”, as crenças tornaram-se uma estrutura religiosa humanamente concebida para consagrar o império da Igreja dentro dos impérios terrenos – Roma, Áustria, Espanha. As crenças foram o pretexto para a tortura sistemática, a morte na fogueira e a execução dos dissidentes. Elas também inspiraram as guerras entre nações.
Porém, a “percepção espiritual” e a “criatividade” também surgiram de algumas dessas crenças e contribuíram muito para a existência nestes dois milênios. Essas crenças motivaram a construção de catedrais e igrejas, monastérios e conventos, dando às pessoas um propósito estável, a habilidade de expressar seus dotes artísticos e fornecendo trabalho para os menos talentosos. Elas também permitiram a milhões de consciências acessarem os reinos mais elevados de belos pensamentos e amor. Além disso, foram o ímpeto por trás do misticismo e a iluminação das almas espirituais que chegaram a ver a Realidade que estava oculta por trás das crenças.
Enquanto tudo isso se passava, as crenças também criaram as condições para o desenvolvimento de hierarquias de superioridade religiosa com imensa pompa e riqueza. Estes são edifícios criados com os “impulsos do ego”, concebidos pelo ser humano e, portanto, totalmente falsos de um ponto de vista espiritual.

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