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Assunto que não acaba

Assunto que não acaba
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Dizem que nós, mulheres, falamos muito. Dizem. E aí a gente fala durante meia hora pra argumentar que não é bem assim, que não falamos tanto quanto dizem. Brincadeira… Nem todas as mulheres falam pelos cotovelos. Mas uma coisa é certa: falando muito ou falando pouco, nunca nos falta assunto.
Uma vez ouvi o psiquiatra Içami Tiba dizer que fica impressionado ao ver duas mulheres se despedindo: a despedida não acaba nunca. É verdade. Outro dia, minha amiga Cristina veio me deixar em casa depois de um jantar que durou três horas. Conversamos mais meia hora na porta do meu prédio e olha que já era quase meia-noite. De vez em quando, uma dizia: “Olha só que perigo, a gente parada aqui, com essa rua vazia…”. A outra concordava e voltava ao assunto. Cristina costuma me ligar aos domingos, pra dizer que ela e o marido vêm me buscar pra almoçar e nós, que vamos nos encontrar dali a pouco, ainda conversamos mais uns 15 minutos depois de combinar o programa.

As irmãs Nídia e Patrícia também são assim. Elas moram na mesma cidade e se visitam algumas vezes por semana. As visitas são demoradas, mas, assim que chega em casa, Patrícia costuma pegar o telefone e ligar pra irmã. O marido, claro, não entende. Como é que pode, depois de passar duas horas juntas, elas ainda terem o que dizer uma à outra? “Mas a gente tem”, garante Patrícia. “Tem sempre alguma coisa que a gente se esqueceu de falar e acaba lembrando no caminho de casa”. Eu acredito.

Quando duas mulheres conversam, o assunto se estende. Quando são mais de duas, além de se estender, ele ramifica. É o que chamo de conversa no estilo bacia hidrográfica: tem um rio, que é o assunto principal, e depois vêm os afluentes, os braços de rios… Explicando melhor: num grupo de quatro amigas, uma começa a dizer alguma coisa. A segunda ouve mais ou menos, dá uma opinião qualquer e começa um segundo assunto. A terceira finge que ouve, fala com a quarta sobre outra coisa e a quarta, por sua vez, retoma o assunto da primeira. Dali a pouco, estão todas falando ao mesmo tempo sobre quatro assuntos distintos. Agora me diga: algum homem, em sã consciência, é capaz de entender essa “dinâmica” feminina? Nunca, jamais, em tempo algum.

Nossa relação com as palavras é única. E, assim que escrevo isso, lembro-me de uma frase que meu irmão Ronan disse uma vez (e que eu amo): “As palavras são o único brinquedo que eu guardei da minha infância”. Numa casa onde faltavam muitas coisas materiais, nós crescemos amparados, confortados e alimentados pelas palavras. Minha mãe nunca foi de abraçar ou beijar os filhos: fazia carinho com as palavras. E suas palavras nos esquentavam nos invernos araxaenses, diluíam nossos medos, nos nutriam.

Acho que nós, mulheres, sabemos bem do que são capazes as palavras. É verdade que às vezes a gente se excede. Quase todas nós podíamos falar menos um pouquinho… Mas ai de nós sem essas sílabas que vamos alinhavando pela vida afora. Ai de nós sem essas letras que costuramos pra traduzir os sentimentos. Que nos perdoem (eles, os homens) por nossos excessos. Sem nossas longas falas e nossas bacias hidrográficas, ficaríamos órfãs de sentido.

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