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COMO NASCE A COMPAIXÃO?

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Era uma vez um gato siamês cheio de personalidade. Seu nome: Ashton. Na família, papai era o Kalidas, muito nervoso. Mamãe, dona Sarika, muito faladeira.
A salvação da casa era mesmo um menino iluminado: o precoce e alegre Manish de sete anos. Garoto inteligente e amoroso! Por essa razão, Ashton escolheu Manish como seu parceiro.
Certo dia, Kalidas cismou de remover a liteira do Ashton para o andar térreo da casa.
Ora, desde bebê, o gatinho estava acostumado a defecar em sua liteira no andar superior, onde Manish cuidava dele com todo carinho.
Ashton sentiu aquela necessidade imperiosa de defecar e foi correndo para o andar de cima. Lá chegando não encontrou sua liteira. Ficou confuso e protestou defecando em vários lugares do recinto.
Quando Kalidas viu aquilo, ficou enfurecido... Procurou o gato, esfregou as fuças do pobre nos excrementos, esbravejou bastante e atirou o gato na parede.
Dona Sarika chorou com toda aquela maldade e desandou a falar que não parava mais.
Manish chegou da escola bem no momento em que a arena pegava fogo: gritava o pai e gritava a mãe.
O menino, muito calmo, pegou o gato, disse palavras amáveis, acariciou, fez a limpeza, apresentou o novo lugar da liteira e, por fim, foi conversar com seu pai.
Estranhamente dona Sarika parou de falar.
Notável, o garoto não se identificou em momento nenhum com a energia nervosa do pai e muito menos com o discurso alterado da mãe. Bem tranqüilo, ele disse ao Kalidas:

- Papai, ele é só um animal. Não raciocina como os seres humanos. Ele não é um animal racional. Ele é um bichinho irracional. Isto significa que ele não raciocina. O que se pode esperar de um irracional, a não ser um comportamento irracional? Todo animal faz coisa de animal e continua sendo um animal.

Kalidas, que já tinha serenado seu ânimo, ficou envergonhado e temeroso que o filho ficasse magoado com ele ou que, a partir dali, passasse a ter medo do próprio pai. Afinal, o Kalidas tinha até se graduado numa universidade. O problema era que, de vez em quando, tinha aquele repente de nervosismo e exagerava.
Com o semblante sério, aproximou-se do filho e perguntou:

- Manish, você me perdoa?

O menino sorriu e respondeu:

- Papai, você é humano, mas também tem um corpo animal. Não raciocina como um ser racional quando está nervoso. Nestes momentos, você é como um bichinho irracional. Isto significa que você não está raciocinando na hora do nervoso. O que se pode esperar de um irracional, a não ser um comportamento irracional? Todo animal faz coisa de animal e continua sendo um animal. A sua vantagem é que, depois da crise, você volta a ser humano e ainda pode se tornar cada vez mais humano.

Kalidas engoliu seco e saiu de cabeça baixa. Queria esquecer o episódio. Ligou a televisão para se distrair com o noticiário.
Manish foi atrás do pai levando Ashton no colo. Dona Sarika, agora calada, acompanhou o filho.
O apresentador estava narrando um crime violento. Kalidas se envolveu com a notícia e exclamou:

- Não dá para entender o ser humano. Como uma criatura tem coragem de fazer isto?

Manish respondeu:

- Pobre assassino, papai. Tem feitio de gente, mas é apenas um animal. Quando o lado animal prevalece sobre o lado racional, temos apenas um animal. Não se pode esperar de um animal um comportamento racional. Quando você vai compreender isto?

Kalidas se espantou:

-Meu filho, você não acha que está levando longe demais essa história de animal?

Manish respondeu:

- Não, papai. Quando eu crescer e toda a minha geração governar o mundo, nós vamos implantar outro tipo de educação e trataremos aos animais - racionais ou irracionais - com a mesma compaixão. Assim como tomamos cuidado com as feras perigosas e os animais peçonhentos, porque já os conhecemos, também saberemos distinguir os animais perigosos e peçonhentos que nascerem com feitio de gente. Eles serão preservados, tanto quanto preservaremos as serpentes e os tigres. Se os humanos irracionais estão na natureza, eles também devem ter alguma utilidade, que não seja somente a de fazer o mal aos seus semelhantes. Vamos descobrir por que eles existem e qual a função deles no mundo. Quando descobrirmos, também encontraremos a solução para eles. Afinal, eles são animais desequilibrados. São humanos apenas na aparência. Na verdade, eles estão como feras descontroladas e ainda sem solução. Não é terrível para todos nós? Também é terrível para eles.

Kalidas arregalou os olhos, Ashton ficou todo arrepiado, dona Sarika se iluminou e Manish apenas sorriu acalmando seu gato.

A compaixão nasce da compreensão. Talvez, não seja tão simplista quanto a visão de Manish. Talvez, Manish tenha toda a razão e isto revele que o lado racional ainda não compreendeu o lado animal. Se não houver compreensão, não pode haver compaixão.

A propósito: Manish em sânscrito significa "senhor da mente".

Histórias de Yuk-Humi.
Trecho extraído da obra "O PADRÃO HUMI - Volume 8 - Ciência Divina".
de M. Nilsa Alarcon e J. C. Alarcon.
JCA e MNA - Editores.
www.padraohumi.com.br


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