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Homenagem a Dorotéia

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Dorotéia, Doró, Dorô, chegou como quem não quer nada. No começo da nossa FIO*, todos se
encantaram com você, principalmente ao descobrir que era mãe de lindos filhotes. Manteve-os escondidos no mato... Houveram várias chuvas.

Os cachorrinhos estão mortos... diziam nossos colegas trabalhadores, já procuramos segui-la duas vezes e a Dorotéia nos logrou.

A vida tem dessas coisas, uns gostam e outros não de animais...

Nós a encontramos. Eu, aluna do 1º ano de Direito, cachorreira que só eu... foi amor à primeira vista.

Quase todos a adotaram. Eu chegava pela manhã na FIO* e você vinha ao meu encontro, recebia meus carinhos até o dia que eu apertei seus mamilos e saiu leite...
Avisei ao pessoal que os filhotes estavam vivos... e a Dorotéia, amamentando-os.

Seguiram–na novamente e encontraram seus lindos filhotes.

Você, pêlo curto, claro, com manchas marrons, olhos verdes claros, olhando a gente com tanto carinho.

Os trabalhadores abrigaram-na no barracão com todo carinho. Só havia uma fêmea igualzinha a você e os outros eram escuros. Foram bem cuidados. Cada interessado adotava um filhote. Foram levados um por dia, para que você não achasse falta.
Cheguei uma manhã na faculdade e você, ao me encontrar, olhou-me e chorou com seus ganidos como mãe desesperada, que ficou sem o filho(o último já tinham levado na tarde anterior). Eu lhe agradei pois entendi seu drama, na esperança que eu soubesse onde estava seu filhote... confortei-a como pude... O tempo foi passando, você era nossa mascote, as funcionárias davam-lhe banho e alimentação; você chegou a dormir na sala dos Doutores Professores.

Era educada e aprendeu rapidinho onde era seu lugar... Ia ao encontro do ônibus ou qualquer condução que sabia trazer seus amigos e funcionários...
Um passava a mão na sua cabeça, outros no corpo e a Rose se apegou de amores por você... De repente, apareceu a Lessie, também ia o Totó sempre visitá-la e caíam na brincadeira pelos gramados. A colega Lessie era criança e peralta, por isso não poderia continuar morando na faculdade. Trouxe a Lessie para a minha casa.

Dorô, comprei uma injeção anticoncepcional para você; a Rose não teve coragem de aplicá-la. Uma de suas amigas resolveu levá-la para casa, lá no Jardim São Carlos; na primeira oportunidade, você fugiu e levou três dias caminhando, chegando na FIO*, à noite. Foi uma festa, os estudantes fizeram aquela algazarra e deram-lhe de comer... Você para nós, inauguradores da FIO*, virou mascote e ficou.

Há duas semanas passadas, comprei outra injeção pois já estava na época de outra dose de anticoncepcional para aplicá-la.

Doró, o destino sempre nos prega surpresas, segunda-feira perguntei pela sua saúde e responderam que você estava bem e à tarde voltaria para faculdade.

Embora eu não seja veterinária e não entenda do assunto, com tantos cachorros que tenho, minha primeira Dorotéia foi castrada e morreu de câncer nas mamas.

Dia 20/05, faltei às aulas e apareceram colegas e alunos como eu, em meu portão cobrando sua presença, se eu havia mesmo a levado para a veterinária e se você havia morrido.
Eu neguei e hoje na esperança de que tudo não passase de um trote, procurei notícias e foi confirmada sua ausência para sempre.

Doró, desta vez o destino nos logrou, às vezes atinge os entes mais queridos e chegados até mesmo os animais de estimação como você.
Sabe Doró, estou escrevendo, mas estou chorando... para mim e muitos outros alunos está faltando alguma coisa.
Hoje, na FIO*, estava um ar estranho, mas todos que a estimavam se sentem chateados. A Rose, então, deu pena de tanta tristeza na face, evitando de falar em você, mas com o coração apertado, doído.
Para mim e muitos alunos, não está sendo uma semana comum. Você começou seus estudos conosco - como eu sempre lhe dizia - mas, infelizmente, não sabemos quem chegará ao final do curso. Resta-nos um consolo... Doró, você foi querida, amada, boa mãe, mas não conseguiu terminar como todos queríamos...

Você é minha primeira história nas Faculdades Integradas de Ourinhos. Espero que não haja outras desse tipo.
Será que DEUS deixou um lugar para os animais ficarem após a morte? Se existir, meu desejo é ficar no mesmo local, junto a você após a minha.

Sua amiga cachorreira

Nota: FIO: Faculdades Integradas de Ourinhos
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