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O que é Maleabilidade

O que é Maleabilidade
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É a capacidade de manter a autenticidade sem perder o jogo de cintura.
Maleável é quem se amolda a qualquer situação. A palavra veio do latim malleus, "martelo", donde derivou malleabilis, "martelável".
O termo era usado para definir qualquer metal que, depois de submetido a temperaturas insuportavelmente altas, ia tendo sua forma alterada "pelas marretadas sem dó do ferreiro" sem jamais trincar ou quebrar. Nada muito diferente de um dia rotineiro numa empresa. Daí, a pergunta: você é martelável? Como, por exemplo, o Augusto...

- Que tal um cafezinho, chefe?
- Eu não tomo café, Augusto.
- Sabe, eu também não, que coincidência! Aquela cafeína em nosso organismo...
- Não é pela cafeína, é pelo gosto...
- Que, aliás, é horrível! Gosto de café fica na boca o resto do dia.
- Mas você não veio falar comigo só para me oferecer um café...
- Não, claro que não. Eu estou interessado em sua avaliação sobre meu trabalho.
- Bom, agora eu não tenho tempo...
- Nem eu. Tenho um trabalho urgentíssimo para terminar.
- Então, outra hora a gente conversa.
- Certo. Alguma recomendação?

Há quem diga que o Augusto é maleável, embora a maioria o veja como ele realmente é: um tremendo vaselina. Tudo depende daquilo que chamamos de "limite pessoal de tolerância". Como a maleabilidade não possui regras claramente definidas, cada um de nós cria os próprios parâmetros. Mais ou menos como quando dirigimos numa rodovia: não importa a nossa velocidade, nós sempre achamos que quem corre mais do que nós é inconsequente. E que quem anda mais devagar é lerdo. A mesma coisa ocorre com a maleabilidade: em nossa percepção, qualquer funcionário mais maleável que nós é um puxa-saco explícito. E os menos maleáveis que nós são cabeça-dura.

Como nossa avaliação pessoal tem raríssimas chances de vir a ser elevada à categoria de regra universal, o que conta, mesmo, é média da opinião alheia. Conheço muita gente que diz: "Não me dão oportunidades porque eu não sei ser político".
Na verdade, essa gente está perdendo um tempo precioso vagando numa zona cinzenta que fica entre "qualidades pessoais" e "necessidades profissionais", em que a autenticidade pode facilmente ser rotulada como teimosia ou falta de jogo de cintura.

A história das empresas mostra que quem sabe ser maleável vai muito mais longe. E a melhor maneira de testar a própria maleabilidade é fazendo um elogio " sincero e merecido " para alguém que a gente não aprecia. Um colega pernóstico, um chefe intragável ou um subordinado chato. Quem consegue ser espontâneo e não soar falso numa hora dessas aprendeu o caminho das marteladas.

Diante de Pilatos, Jesus optou por não ser maleável. Ele teria escapado do calvário se apenas tivesse dito: "Não, eu não sou rei de nada. E belíssima toga a sua, caro Pôncio". Mas Jesus tinha um propósito divino e nobre: salvar o mundo. Nós, que só queremos salvar nossas carreiras, não precisamos nos condenar por nossas próprias palavras. Ou pela falta delas.

Max Gehringer é consultor, palestrante.
Este texto foi originalmente publicado na revista Você S/A, edição 70, de maio de 2004. www.vocesa.com.br


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