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OLHE À SUA VOLTA

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Outro dia me peguei meio saudosista e, então, resolvi deixar de lado o passado e olhar à frente dos meus dias.

Decidi observar melhor as novas gerações, a galera teen, a geração Red Bull, as tribos do êxtase e o pessoal das “Raves”.
O problema é que, quando se fala de futuro, não dá para puxar os freios e não relembrar como foi o nosso passado.

Lembro-me que cultivávamos um certo romantismo, as festas não aconteciam além das garagens regadas a algumas doses de cuba-libre, carregadas com muito rum e pouca coca-cola. O LP no aparelho 3 em 1 era um rock progressivo do Gênesis ou um “Pink Floyd”, fazendo-nos sonhar em um dia termos uma moto daquelas do filme “Easy Rider”.
Ilustração à parte e retornando aos dias de hoje, me deparo ouvindo um “Hip Hope” originário dos guetos nova-iorquinos e, como não poderia deixar de ser, influenciando os nossos guetos, sejam paulistas ou cariocas, de onde jovens, sem o mínimo de identidade, cultura ou raça, se travestem de “American Youngs”, com calças largas de grife americana, tênis coloridos e músicas retratando nas letras, a cruel realidade das ruas da periferia, sempre com a mesma retórica, injustiça, pobreza, violência, drogas e, tome “tum-tum-tum” nos nossos ouvidos.

Voltando novamente ao passado, traço aqui um paralelo com a música negra dos anos 80, em que as letras retratavam amores perdidos ou amores encontrados sempre com muito romantismo.

Pois é, caminhando pelas estradas de hoje, o que não se vê mais no nosso jovem é o romantismo. Deixando de lado a música negra e entrando um pouco no mundo do rock, as bandas atuais todas vestidas de negro, bandanas de cruzes, caveiras, anéis de pirata e tatuagens de dragões, exaltam o “trash” musical, cultivam a porrada e a pichação dos nossos muros e fachadas. Esse é o jovem que encontramos nos grandes centros, tribos carecas neonazistas, hostilizando as minorias em pleno século XXI. Onde estão as baladas dos garotos de “Liverpool”, todas românticas com uma certa dose de rebeldia?

Não quero ser aqui, aquela pessoa retrógrada, que não assimila e nem se adapta aos tempos de hoje, longe disso, mas sempre que falamos de futuro, de culturas e de juventude, temos que usar como norte, o nosso passado.

Lembrar do tempo do velho calção de banho e do dia pra vadiar, da coisa mais linda, mais cheia de graça, esses sim eram tempos românticos.

Mas, para os que acham romantismo “pieguismo”, naquela época existiam também os jovens que pensavam além daquele tempo, que diziam: “ Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora e não espera acontecer”, jovens que preferiam "ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.
Hoje tudo é novo, a tecnologia roubou a ansiedade pela espera da carta da nossa amada, roubou a sensação do olho-no-olho, do abraço apertado, roubou o prazer do almoço à mesa com nossos pais aos domingos.

Hoje, os nossos adolescentes estão nas “LAN Houses”. Antes da tecnologia, sentávamos na varanda para ler o jornal de domingo e ao nosso redor as crianças brincavam, não existiam os “games”.
Adoro tecnologia, não vivo mais sem o celular, o Palm Top, o sistema Wireless. Adotei a banda larga, ouço MP3, mas nada, nem de longe, supera o bate papo no “Happy Hour”, a caminhada, a ida ao jornaleiro, coisas simples que não exigiam tecnologia nenhuma.

Coisas como quintais, por exemplo. Quem nunca comeu pitanga no pé, nunca pulou o muro do vizinho pra catar ameixa, não conhece o sabor dessa experiência.

Quem nunca quebrou uma vidraça ou perdeu a bola que o vizinho furou, não sabe o sabor desse medo, não sentiu isso na pele e por isso talvez, a tatuagem, a roupa preta, essa falsa rebeldia, não diga nada, porque não viveram de verdade, não possuem um norte.

Hoje tudo é “fast”, a lasanha leva dois minutos para ir à mesa, a pizza já vem pronta, a “bike” tem marcha para fazermos menos força, os tecidos retêm o suor, a feijoada é “light” e o leite, desnatado.

Procuro não ser saudosista, mas me faz falta o alfaiate, a loja de armarinhos do seu Farid, o amolador de facas, o especialista em canetas tinteiro, o doutor dos isqueiros, tudo tinha conserto, as coisas duravam. Quem não tem ainda guardado, o relógio de ouro do avô e o colar de pérolas da avó?

O futuro traz coisas ótimas, mas esquecemos o romantismo, a maneira simples de viver e de conviver. O futuro nos torna preconceituosos, frios, calculistas, prepotentes, arrogantes, maleducados e ignorantes.

Mas precisamos lembrar que quando partirmos, já estaremos no passado e de nada adiantará termos sido tão egoístas.

Nelson Sganzerla - nelson@incorp.com.br

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