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Paz Sem Voz é Medo*

Paz Sem Voz é Medo*
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Tu sabes,
conheces melhor que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem:
pisam as flores,
matam o nosso cão
e não dizemos nada.
Até que um dia
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


Trecho do poema "No Caminho com Maiakovski", de Eduardo Alves da Costa, poeta brasileiro.

O poema embora escrito em outro tempo, 1964, é bastante ilustrativo do que acontece nos dias de hoje. Onde tangidos pelo medo ou indiferentes, a maioria de nós observa a violência e a banalização da vida seja pela TV, pela janela da sala ou da vida, inertes.

Seja por receio ou covardia, cada um vai tecendo a sua própria prisão, vai se moldando a um figurino ultrajante e indigno. Por medo do traficante ou de um criminoso qualquer que mora ao lado, na mesma rua no mesmo bairro ou cidade, cala-se e se omite na esperança de ser poupado de um infortúnio qualquer, como se o mal só acontecesse com os outros Esquece-se que a qualquer momento o filho, ou alguém próximo, pode ser vítima de alguma violência. Que qualquer um pode ser arrebatado pelas drogas ou ser seduzido pelo “ganho fácil” de algum ilícito. Que tudo é possível também de lhe acontecer nesse circulo que une o individualismo exacerbado, o comodismo, o decréscimo da sensibilidade humana, a conivência – passiva ou ativa, a impunidade e a ineficiência do estado: uma bala perdida, um assalto, um seqüestro relâmpago, um atropelamento criminoso, uma omissão de socorro médico, um desvio de verba da merenda escolar. Tudo é possível!

A continuar como está não há trincheira que lhe possa proteger do que está por vir. A indiferença é cruel, é traiçoeira! Mais dia menos dia ela se voltará, implacável, contra quem a alimenta. Pura ilusão acreditar que você calado não será atingido. Você já foi atingido e ainda não percebeu. Você faz parte da corrente do medo, dos sem cidadania, dos sem voz, daqueles que acreditam tolamente que a paz se conquista calando a consciência. A paz sem voz é medo, não existe conforto na indiferença.

*Frase extraída da letra da música “Minha Alma – a paz que eu não quero” de Marcelo Yuca, interpretada pelo Rappa.

Willes da Silva
Psicoterapeuta

Contato: (35) 3212-5653
Email: [email protected]
Site: www.viverconsciente.com.br

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