Ninguém nunca vai saber. Que existimos. Que pisamos as ruas com os pés descalços de pressa e sonho. Que dançamos -sim, dançamos- com alegria desmedida, sob a chuva das cidades que não nos viram.
Ninguém nunca vai saber. Que fitamos o mar pela moldura fugaz da janela de um trem. Que respiramos o silêncio suspenso no ar de uma cafeteria qualquer, como se o mundo coubesse entre goles de espera.
Ninguém nunca vai saber. Que estivemos ali. De pé, no terraço da vida, aguardando os outros chegarem, com os olhos cheios de mundo e as mãos cheias de nada. E mesmo assim, nós vivemos.
- Nino Pedretti, "Ninguém Vai Saber"
Publicado em:
As opiniões expressas neste artigo são da responsabilidade do autor. O Site não se responsabiliza por quaisquer prestações de serviços de terceiros, conforme termo de uso STUM.