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A criança que fui, a criança que sou


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"A criança que fui chora na estrada. Deixei-a ali quando vim ser quem sou. Mas hoje, vendo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui onde ficou". Fernando Pessoa

A vida nos obriga a acelerar o passo sem olharmos para trás, para as partes de nós que deixamos espalhadas pelo caminho.
O nosso cotidiano nos exige, o dia a dia nos cobra, e apressamos a vida como correndo atrás de algo que certamente sempre se encontra a alguns passos à frente.
Desejos que nunca são alcançados ou, se os são, acabam perdendo a graça, por estar justamente no desejo, na procura, na busca por alcançá-los.

De vez em quando, lançamos um olhar displicente para o passado com o propósito de descobrir onde jazem os sonhos que uma vez tivemos, que uma vez alimentamos. Aqueles genuínos sonhos de infância ou dos primeiros anos da nossa mocidade, em que a única coisa que desejávamos era amar e ser amados.

Num canto da estrada, num cantinho de nós mesmos, esquecida entre detritos de esperança, está ela, a nossa criança, de cachinhos dourados ou de tranças enormes, carente, amedrontada pelo abandono que lhe impusemos... Sim, abandonamo-la para corrermos atrás de outras coisas que a idade adulta nos exigia, muito diferentes daqueles anseios inocentes de nossa alma criança, sem máscaras, sem grandes ambições de ser ou de ter, quando ainda nosso ego não tinha sido alimentado e o orgulho e cobiça de poder não tinha tomado a dianteira nas nossas vidas.

O que ela queria, afinal? O que ela continua querendo? Os desejos de criança são tão simples, tão modestos, tão inocentes, que parecem para nós, adultos, insignificantes ao ponto de nem prestamos atenção para eles.
O que a nossa criança quer? O que ela buscava e continua a querer?
Algumas poucas palavras bastariam para definir aqueles sentimentos e desejos inocentes, simples do coração, de nossa parte mais pura que continua esperando, simplesmente esperando ser amada, ser aceita, ser acolhida e acarinhada.

Chega um momento na nossa vida que é preciso determos o passo e retroceder no tempo e no caminho, à procura dos vestígios de nosso passado que deixamos esparsos junto à nossa criança, sozinha, carente de nós mesmos, de nosso amor e aceitação. Poderíamos, então, resgatar aquilo que parece ter ficado distante, mas que ainda está lá, e também aqui, somente esperando.
Olhemos nos seus olhos, abracemo-la em pensamento, fazendo com que nosso íntimo a receba na inocência primeira de nossa alma, na pureza de sermos capazes de olhar a vida com olhos de assombro e de aceitação.

Para o mestre espiritual Osho, quem se distancia da liberdade e da alegria, tão comuns na infância, fica longe de si mesmo e é levado a viver conforme os padrões alheios.
Infelizmente, o espírito-criança é um dos conteúdos mais reprimidos do ser humano.
A vida tende a brecar as experiências descontraídas, os impulsos brincalhões já nos primeiros anos de vida.
Aí nos perguntamos onde a vida ter-nos-ia conduzido se não tivéssemos esquecido essa parte de nós, se ela tivesse ficado conosco ao longo da nossa vida adulta.
Percebemos que nunca  é tarde para resgatá-la, promovendo a partir desse resgate uma grande alquimia interior, capaz de nos transformar num ser novo, porque descobrimos que isso é tudo que precisamos para nos curar, para nos libertar das neuroses, sanando as dores e temores que foramos arrastando pelo caminho do faz de conta das nossas vidas .

Necessitamos desmantelar as nossas resistências, abandonar as  máscaras e a nossa rigidez, para dançarmos uma melodia de novo frescor e de esperança.
Sabe-se que na  infância e na velhice somos capazes de viver a nossa inocência. Como se a nossa vida fosse um grande círculo que termina onde começa. Como se todos os desejos, procuras e padrões de comportamento da vida adulta se desvanecessem, e voltássemos a um único, primeiro e último anseio, a pureza de nosso coração, onde a inocência permaneceu intata, inalterada, a esperar por nós.


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