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A experiência da separação, pelo lado de quem parte


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Todos nós sonhamos com relacionamentos duradouros, mas o que acontece na realidade é que atualmente as pessoas estão se separando mais do que no passado. Antigamente, por diversos fatores, as pessoas ruminavam mais suas frustrações nos relacionamentos, e mesmo não estando felizes, permaneciam com seus parceiros “até que a morte os separasse”. Muitas vezes pagando um preço altíssimo, que chegava a afetar até sua saúde física ou psíquica.

Nos tempos atuais as pessoas não ruminam tanto as frustrações, questionam mais, elas perderam um pouco o medo de rever suas escolhas e refazer suas vidas. A família moderna passou por profundas transformações, vemos hoje casais já na segunda, até na terceira tentativa de parceria, filhos de casamentos anteriores convivendo com os nascidos da nova união, além de mulheres e homens tocando a vida sozinhos com seus filhos.

Alguns casais se separam de comum acordo, por perceberem que a convivência não é mais possível. Nestes casos, ambos chegam à mesma conclusão, há muita dor e sofrimento, mas o processo tende a ser mais suave, e fica mais fácil manter um relacionamento amigável após a separação. Outros casais se separam por iniciativa de um dos parceiros, geralmente o que está mais forte psiquicamente naquele momento, que tem a coragem de perceber consciente ou inconscientemente, que a relação expirou. Pode haver a presença de uma terceira pessoa, ou não. Nestes casos fica um pouco mais difícil manter a amizade, surgem sentimentos de abandono e ressentimentos.

Neste artigo abordaremos uma das várias possibilidades de vivenciar uma separação conjugal, que é a de quem toma a iniciativa, à revelia do outro.

O que fica passivo na ação, o que “sofre” a perda, quase sempre está mais frágil, é aquele que não tem a coragem de abrir os olhos e ver que não há mais a magia no encontro, que a parceria perdeu o sentido, que não há mais prazer em estar juntos e que o projeto de casal não está construindo mais nada. Este apega-se ao outro, e enfrenta grandes temores de entrar na transformação que uma separação pode trazer.

Mas o drama de quem enfrenta seus próprios medos para tomar uma decisão de romper uma relação não é um caminho fácil. Estar do lado passivo em uma separação traz muita dor, traz sentimentos de abandono, traz perplexidade e um choque sem precedentes. Mas estar do lado ativo, por sua vez, traz muita culpa, muitas dúvidas e é necessário ter muita força para fazer a ação acontecer, vencendo a inércia da passividade e muitas vezes até da recusa do outro em se separar. É certo que muitos casais enfrentam crises, nessas ocasiões o fantasma da separação paira ameaçadoramente sobre a relação, e alguns conseguem superar essas crises, saindo da turbulência fortalecidos como casal e como indivíduos.

Tomar a iniciativa da separação e manter-se firme neste propósito, sabendo que é o melhor para todos (incluindo os filhos), exige consciência e visão do que não está visível e do que não é falado, além de cuidado e carinho com o outro, que está no papel passivo perante a ação de separar-se.

Muitas vezes, entre a tomada de consciência de que é melhor separar-se e a ação em si, há um longo e penoso percurso a ser percorrido, para que se tenha a certeza do que deve ser feito e se explore todas as possibilidades de resolver os conflitos. O diálogo entre os pares é outro grande desafio a ser vencido. É necessário haver muita sinceridade e transparência, não ter medo de tocar nas feridas, há feridas que são evitadas por anos a fio na convivência e que neste momento vêm à tona e precisam ser purgadas. Toda separação envolve vários aspectos a serem separados, mas este é um tópico que desenvolverei em outro artigo.

Um cuidado especial a ser tomado é perceber a tênue linha que separa o cuidado com o outro que não quer aceitar a separação e o receio em lidar com a própria culpa de estar tomando a iniciativa de desmontar um relacionamento falido. Pode ocorrer do parceiro que quer sair da relação prolongar indefinidamente esse período de consolidação da sua decisão, por ficar esperando que o outro “autorize” que ele saia. O que ele não percebe é que essa autorização ou concordância pode não vir nunca, aliás, na maioria destes casos o outro prefere a posição mais confortável de estar sendo abandonado e se sentir vítima da situação. E como vítima, ele não pode concordar com o que está acontecendo. Culturalmente, a vítima recebe muito mais solidariedade e mais simpatia de todos.

Sobre este aspecto, podemos citar Carl G. Jung na sua obra “Psicologia e Alquimia”: vivemos concretamente, na realidade, o que está intimamente relacionado com o que temos dentro de nós. Assim é, que não há maneira de se relacionar com algo, sem colocar a nossa interioridade como intermediário. Sob esta visão, neste caso de separação, a necessidade de aprovação do outro para ser deixado, está ligada à dificuldade do próprio indivíduo em tomar suas próprias decisões e assumir as conseqüências delas, medo em lidar com a culpa, por isso ele precisaria da aprovação do outro para ir embora.

É necessário nos perguntarmos sempre o que é que queremos, do fundo de nossa alma.
Depois de explorar todas as possibilidades de reajustes do casal, se a vontade de sair da relação permanece, é hora de tomar uma decisão e agir, apesar da desaprovação do outro.

Toda decisão madura pressupõe riscos. Precisamos nos desapegar das opções que não escolhemos e vivenciar corajosamente o caminho escolhido, sem arrependimentos. Só assim estaremos abertos para a vida, só assim poderemos viver plenamente!

 

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Conteúdo desenvolvido por: Cristina Ragazzi   
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