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A Morte e Eu



Hoje eu vi a morte, mas ela não me viu, ou fingiu que não viu.

Tinha sobre as costas uma capa negra como a escuridão das profundezas da Terra, e a cada um dos seus passos, os ventos a sacudia com a força das tempestades de verão.

Na mão esquerda trazia uma espada reluzente e fina, e o seu fio era como um raio de sol que entra pela fresta da janela e ilumina a face daqueles que ainda sonhavam com a madrugada, sem saber que lá fora a luz segue o seu caminho por entre vales e desertos.

Na mão direita trazia o livro da morte, de cor escura como cinzas de um vulcão, que se apagou quando o amor morreu, e encheu toda a Terra de raios e trovões.

Mas ela parou por uns instantes, abriu o livro, e nele havia o nome de muitos, escrito em sangue, e seu vermelho misturava-se ao pôr do sol e o folhear de suas paginas era como o bater das asas das aves do céu.

Ela por um instante ficou calada como uma presa fica diante do predador, depois deixou cair de seus olhos gotas de lágrimas, como se esta fosse sua última missão.

De repente, fechou o livro como se houvesse encontrado nele o personagem que procurava. Andou de passos largos, dobrou a esquina e sumiu entre os últimos raios de sol e o derramar da escuridão, e foi atrás de alguém, que por certo não sou eu.


Publicado dia 7/4/2009
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