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Em cada perda, um recomeço

por Tania Paupitz

Publicado dia 27/3/2008 em Almas Gêmeas

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Se formos pensar sobre a nossa vida afetiva, vamos observar que ela é um eterno recomeço, pois desde que nascemos estamos sempre vivenciando e aprendendo novas formas de nos moldar às várias perdas que sofremos no decorrer de nossas vidas, desde a perda de pessoas queridas, de situações e relacionamentos vivenciados, dentro deste vasto universo onde nos encontramos.

Os recomeços são sempre maneiras que encontramos de aprender e, sobretudo, tentar descobrir novas formas e alternativas de fazer o “diferente”, ou seja, de fazer a diferença numa relação afetiva ou em alguma situação que estamos vivendo.

Não raro, cometemos equívocos, principalmente quando vivenciando relacionamentos complicados ou conflitantes onde um dos parceiros procura demonstrar sua força através de um "machismo/feminismo" algumas vezes exacerbado, recheado de arrogância, vaidade e orgulho, o que na maioria das vezes causa o desgaste e o final de uma relação.

O amor precisa de mutualidade. Se você dá apoio para si mesmo, com certeza também receberá de volta esse apoio. É necessário que as coisas estejam em equilíbrio e isso ocorre quando você se nutre, ama, resguarda e protege. Por isso, nunca desista de si mesma, de seus projetos, seus sonhos só porque seu parceiro a faz se sentir desconfortável estando neles. É preciso que haja, acima de tudo, o respeito dentro de uma relação equilibrada.

Uma vida a dois necessariamente não significa que ela deva se tornar uma só, já que cada parceiro tem suas próprias necessidades, interesses e escolhas pessoais que acima de tudo devem ser respeitadas e aceitas por ambos envolvidos, dentro de um relacionamento.

Dentro de uma relação afetiva é importante usarmos nosso bom senso e inteligência. Sermos gentis, generosos, ternos, carinhosos, se tivermos a recíproca de nosso parceiro. Não nos sentirmos culpados quando ele, pelo contrário, não tem nenhuma consideração por nossos sentimentos.

Quando a relação termina, os nossos alarmes soam e é hora de procurarmos descobrir que tipo de escolhas estamos fazendo, se são erradas-conflitivas e/ou dependentes. Algumas vezes ficamos repetindo a lição várias vezes, até aprendermos que a falta de autoestima leva o medo de estabelecer essa relação equilibrada e muitas vezes a pessoa vem a escolher uma situação equivocada.

No fundo, a pessoa imatura diz: quero que me amem, me valorizem, mas não sou digna disso; então, busco no outro alguém que me rejeite ou me abandone mais tarde. Assim, vive um círculo vicioso de emoções e sensações que na sua maioria não são dela; vivendo centrada no outro, vira uma dependente afetiva a ponto de o seu humor oscilar em função do que o outro lhe diga ou faça. Envolvemo-nos tanto com o outro que acabamos perdendo a nós mesmos, ou seja, deixamos de lado nossa própria identidade, não sabemos mais o que gostamos de fazer, ou aquilo que nos deixa felizes, em paz com a nossa alma.

Ficar sozinho, recomeçar e enfrentar a dura realidade após as muitas ilusões que nossa mente criou, pode ser uma coisa positiva se tivermos a coragem de mudar o foco e aprender que cada experiência traz consigo um novo aprendizado. Somente quando nos defrontamos com nossas carências afetivas é que de fato estamos preparados para saná-las, pelo menos tomando consciência de que elas estão ali e precisamos acordar para o fato de que depende somente de nós esse resgate afetivo/emocional.

Recomeçar é sempre um processo difícil, principalmente quando temos que nos refazer interiormente, juntando os pedaços, colando o que sobrou, porque dificilmente voltaremos a ser inteiros novamente. É como um vaso que se quebra em mil cacos. Porém, colar o que sobrou requer paciência e persistência e, acima de tudo, a consciência de termos aprendido alguma coisa a respeito daquela experiência. Esse recomeço implica, acima de tudo, uma viagem para dentro de si mesmo verificando o que sobrou, procurando encontrar dentro de si apenas o que é nosso, separando aquilo que se encontrava anteriormente misturado ao outro. É um retorno à nossa origem, nossa verdadeira essência, à nossa alma que ficou, com certeza, perdida em algum momento do tempo e do espaço.

Muitas pessoas, quando um relacionamento termina, se questionam: ”Mas, eu dei tudo de mim, fiz tudo por ele, dei minha vida, entreguei meu coração... e ele me abandonou ou traiu minha confiança!”. Daí advêm os questionamentos, a sensação de vazio, o fracasso e a pergunta que não queremos fazer para nós mesmos: “E EU, o que dei para mim?” ou "O que fiz por mim durante todo esse tempo? Em que momento esqueci de mim, para ir em busca do outro? Em que momento deixei de lado minhas vontades pessoais para satisfazer as do outro? Será que não percebi que para estar bem e realizado com o outro, preciso me abastecer, me nutrir... e acima de tudo me valorizar?"

Os recomeços servem exatamente para nos fazer perceber e compreender que existem grandes diferenças entre relacionamentos saudáveis e não saudáveis. Enquanto o primeiro prima pelo respeito, diálogo aberto/franco, carinho, companheirismo, intimidade, fidelidade, etc., o outro visa sobretudo a competição, a luta por tentar ser o dono da verdade e, como sempre, a vaidade e o orgulho fazendo prevalecer normas e cobranças.

O relacionamento não saudável é aquele onde projetamos nossos anseios, ilusões e expectativas sobre o outro, buscando avidamente apoio, segurança, afeto, proteção, carinho e a certeza de que seu amor será eterno. É nesse momento que nos perdemos e acabamos virando prisioneiros do outro e, por ironia do destino, de nós próprios.

Tem um trecho do livro de Deepak Chopra, O Caminho do Amor, que descreve bem essa trajetória de nossas relações afetivas... “Por melhor ou pior que se sinta quanto a um relacionamento, a pessoa com quem você está nesse momento é a pessoa “certa”, porque ela é o espelho de quem você é por dentro. Quando luta com seu parceiro, está lutando consigo mesma. Cada defeito que vê nele toca uma fraqueza negada em você mesma. Cada conflito em que se envolve é uma desculpa para não encarar um conflito interior... Quando você verdadeiramente encontra o amor, encontra a si mesmo".

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Sobre o Autor: Tania Paupitz   
Tânia Paupitz é Artista Plástica e Professora de Artes, há 30 anos, sendo sua marca registrada as cores fortes e vibrantes, influência dos estudos de vários artistas Impressionistas como Pissarro e Van Gogh. Cursos de Pintura para Pintura em Óleo ou acrílica sobre tela -iniciantes ou não. www.taniapaupitz.com.br wathsapp - 48 999723446
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