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O que é o amor?



Foi numa terça-feira chuvosa, na minha manicure, que descobri o que é o amor. Ela, uma moça pequena, de seus 50 e poucos anos, sussurrava com uma cliente, sua mais recente desilusão amorosa. O rapaz mais jovem, que vem encontrando há mais de um ano, tinha pisado na bola. Está certo, não era uma pisada muito grave, visto que ela nem ao mesmo oficializou um compromisso com o dito cujo. Mas ela é uma mulher e mulheres são assim.

Lá pelas tantas começou a questionar: mas o que é ter um compromisso sério, Andrea? Ela, uma mulher mais vivida e certamente mais experiente do que eu, não tinha a resposta para essa pergunta? Meu Deus! Prestes a perder a fé na humanidade decidi parar e pensar. E pensei, pensei. E descobri que do alto da pilha de livros que já li sobre relacionamentos, eu também não sabia.

Ela continuou dizendo que achava que o fato dele ter ao menos se importado em poupá-la de um vexame (a história em si não vem ao caso) era um sinal de respeito e carinho. Fez uma cara de menina carente quando disse isso, já não mais cochichando, mas contando para todos os presentes no local. Ela realmente se sentia amada por um homem que se importava com ela. Naquele momento, ele demonstrou que se preocupou com o fato de magoá-la e ela aceitou isso como um elogio. Confesso que num primeiro momento relutei, achando que ela estava somente se conformando com o mínimo que o rapaz estava oferecendo a ela. Mas depois, pensando bem, vi que não era bem isso.

As pessoas vivem se exigindo mutuamente. E no caso de relacionamentos amorosos isso parece mais verdade do que nunca. As célebres frases cantadas aos quatro ventos, principalmente pelo coro feminino do planeta, são “Onde você estava?”, “O que estava fazendo?” e, claro, “Por que eu não estava junto?”. De certa maneira, minha cabeleireira também pensou assim por alguns instantes. Mas logo me deu uma resposta que mudou a minha vida: "Mas não importa. O importante é que ele se importou comigo."

Importar-se com o outro. Num mundo onde ninguém mais se importa com ninguém nem com muita coisa, realmente parece algo importante. A minha manicure não está interessada em ter uma aliança no dedo ou um papel passado em seu nome. Ela está interessada em ser feliz. O comprometimento dela é com ela mesma, com sua própria felicidade. E, no momento, o que a faz feliz é ficar com aquele homem, mesmo sabendo que, de fato a sociedade não vai gostar muito da idéia.

Ela contou que muitas das suas amigas condenam o romance, dizendo que ele não é um cara sério. Mas eu retruco a pergunta que ela me fez “E o que é um cara sério?”. Vendo a alegria dela nos olhos quando ele ligou 10 minutos depois, eu soube: um cara sério está nos olhos de quem vê. O sentimento dela é sério. Passar momentos de extrema felicidade com esse homem é sério. E, principalmente, o amor que ela sente é sério. É muito sério. A ponto de ela estar sacrificando seus sonhos de menina, mesmo aos 50 e poucos anos, por essa felicidade.

E as ilusões de menina? São sérias? Achar que vai se casar com um único homem e ser feliz para sempre é uma coisa séria? Fazer uma festa de casamento cheia de pompas e circunstâncias é uma coisa séria? Assinar um papel é uma coisa séria? Viemos de uma geração que respeitava mais o ter do que o ser e, felizmente, isso está mudando. Não interessava a ela se ele não a carregava para cima e para baixo com um rótulo “esposa” ou qualquer coisa que o valha. Ela estava interessada, bem mais interessada, naquela profusão amalucada de sentimentos os mais estranhos que tomam conta da gente quando ele liga. Ela estava interessada no toque da pele deles dois, nas mãos se encostando lentamente, das bocas juntas num beijo longo enquanto o coração dispara.

Essa menina, ainda cultiva seus sonhos, mas de uma outra maneira. E o que ela sonha hoje não é com uma aliança de compromisso, mas com uma aliança de alma, de verdade e do verdadeiro respeito. Isso é o amor. Com ou sem esse rótulo. Com ou sem essa margem de segurança de que o outro estará deitado do seu lado no outro dia. Porque tudo, tudo mesmo, pode acontecer com o outro. E nada é garantia de absolutamente nada.

Então, cheguei à conclusão de que as verdadeiras ilusões estão em assinar um papel sem sentido e sem sentimento. As verdadeiras ilusões estão em tentar prender o outro como um troféu, no meio da bugiganga. E a festa de casamento até pode acontecer, se nessa relação tiver um compromisso verdadeiro de respeito, de auto-respeito de ambas as partes, e de respeito pelo outro acima de tudo. De amizade, de conversa e de um estarem juntos sem amarras e sem apegos.

Amar é para poucos. Mas para todos. De todas as idades, de todas as profissões. Basta que nos permitamos isso. Basta que saibamos o que é o verdadeiro amor.

E que seja eterno... enquanto dure!

Texto revisado por Cris

Publicado dia 26/7/2007

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Autor: Andrea Pavlo   
Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa.
E-mail: contato@andreapavlo.com | Mais artigos.

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