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Perda afetiva: a dor da alma

Atualizado dia 5/25/2015 11:00:20 AM em Almas Gêmeas
por Flávio Bastos


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"A perda é um fantasma que aterroriza o que detém na sua contemplação". (Shettini)

Perda é o ato ou efeito de ser privado de algo que possuía. Afeto é o sentimento e emoção que se manifestam das mais variadas formas. Quando perda e afeto se associam numa experiência pessoal, o resultado costuma gerar crise de maior ou menor intensidade emocional, que envolve o indivíduo durante dias, semanas, meses ou anos. 

Na trajetória existencial do espírito imortal, o sentimento de perda afetiva acompanha o homem desde tempos remotos, pois, nesta caminhada, foram numerosas as perdas ocorridas em sequência que deixaram suas marcas na memória. Porém, apesar do histórico multimilenar associado a experiências de perda afetiva, o ser humano ainda não aprendeu a minimizar os seus efeitos sobre o emocional. A cada nova experiência, o indivíduo se depara com o impacto do momento e revive a dor sentida em situações pretéritas, embora o palco dos acontecimentos seja outro.

No contexto vital, a separação e o amor continuam sendo conceitos vagos e complexos, cuja experiência deixa uma marca indelével nas mentes e corações dos envolvidos. Não aprendemos quase nada com a dor da perda e o desafio do amor, à medida que levamos de uma vida para outra um padrão emocional-comportamental repleto de pensamentos fixos e sentimentos arraigados ao passado.

Este "estado de coisas" revela em seus bastidores, que deixamos de aprender com a experiência de sofrimento, e que devemos, portanto, nos aprofundarmos neste conceito para compreender o significado do amor em nossas vidas. Significado que passa pela superação dos sentimentos de dependência, apego e posse, que interferem nas relações do indivíduo consigo próprio e com o mundo ao seu redor.

Neste sentido, o gregos estudaram o amor e perceberam a sua escala evolutiva em forma de estágios: Porneia é o amor-matéria. O outro é visto como um objeto para ser usado e descartado. O segundo estágio é o Eros, que é o amor sentimental, a busca da felicidade a dois, sendo a forma de amor mais comum no atual momento evolutivo da humanidade. O terceiro estágio é o Philia, o amor da maturidade e da reciprocidade. É quando não se nutre mais a ilusão que o outro pode nos preencher, pois a felicidade é uma decorrência natural de nossa completude, de nossa realização pessoal e vocacional. O último estágio é o Ágape, o amor incondicional, sem escolha. É o amor divino.

Em termos práticos, a experiência que envolve o amor e(ou) a afetividade, tem demonstrado que pouco adianta tratarmos o efeito do sentimento de perda afetiva, se não nos aprofundarmos na investigação de suas causas. Se somos a consequência do que fomos, a psicoterapia deve envolver a "alma" no seu sentido amplo, ou seja, espiritual, filosófico e científico. Caso contrário, permanecemos com uma visão limitada sobre os acontecimentos que geram experiências de sofrimento, pois cada caso é intrínseco a um histórico individual de muitas experiências e vivências.

Nesta lógica, a restrição de conceitos tem reduzido a dor psíquica a um evento isolado de um contexto significativamente mais amplo, que poderia abreviar o processo de autoconhecimento na direção da cura, ou melhor, da autocura porque é a partir de si mesmo com ou sem a ajuda do outro, que o ser humano resolve os seus problemas mais íntimos.

Impotente diante da dor da perda, o indivíduo continua na sua busca por respostas, sem, no entanto, visualizar uma luz que estimule a sua capacidade de discernir em meio ao caos emocional, uma vez que a sua alma ainda não foi tocada no aspecto mais profundo de sua inconsciente expectativa: a compreensão do amor.

Portanto, a ajuda deve tocar a alma do indivíduo em crise de perda afetiva, cujo mecanismo revela a complexidade da dor associada à incompreensão do amor. Se o auxílio não contemplar a associação dor-amor numa práxis ou ação terapêutica, as dúvidas permanecerão atreladas ao estado de coisas que acompanha o indivíduo nas vivências físicas. Isto é, o seu modelo emocional-comportamental tende a permanecer inalterado assim como a sua percepção em relação ao amor.

A percepção apurada em relação ao amor é a peça do mecanismo que altera o estado de coisas de uma vida. E neste sentido, a ciência está aquém das exigências de uma mente em conflito, pois o amor não depende e não se apega a situações efêmeras. Falta à ciência do comportamento humano, a sutileza e a profundidade que encontra-se na Filosofia e no Espiritualismo reencarnacionista, no sentido de vincular passado e presente numa perspectiva de futuro.

Elos de ligação que iluminam o conhecimento do amor enquanto significados inseridos no megacontexto existencial do ser dotado de inteligência, Livre-Arbítrio e extraordinária capacidade de expansão da consciência. Condição para dirimirmos as nossas dúvidas e entendermos os infortúnios que ainda passam incompreendidos por mantermos um nível de sintonia emocional atrelado à experiência de sofrimento.

Contudo, a perda afetiva, seja por morte, abandono ou separação, é um experiência dolorosa, entre tantas outras na vida, e que, de um modo ou de outro é possível sobreviver a todas elas. Através da ajuda terapêutica, buscando e recuperando a autoestima, o terapeuta se apresenta como instrumento para que o indivíduo possa experimentar seguramente o sofrimento auto-imposto e, a partir da constatação de seu modo de existir, possa confrontar-se e entender-se.

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Conteúdo desenvolvido por: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva (TRE), Psicoterapia Reencarnacionista e Terapia de Regressão, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose, e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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