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Reflexões sobre o Viver e a Vida


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Pode o pássaro ser feliz preso numa gaiola e vendo tudo por detrás de grades, mesmo que douradas? E as grades da raça humana estão tão longe de serem douradas! Talvez seja por isso que o recém-nascido, em sua ainda imaculada intuição, quando se dá conta de onde, por seu incauto desejo veio parar, põe-se a gritar e a chorar. Quem sabe, de medo e de contrição. Que talvez também afetem a mãe, pois em alta percentagem dos casos, a mãe é acometida de depressão pós-parto, atribuída a um desequilíbrio hormonal com componente psicológico. Depressão que sente em relação à vida e que se manifesta por tristeza, desânimo, ansiedade, choro, insônia, agressividade e sentimento de rejeição ao recém-nascido.

Do mesmo modo que, aos poucos, o surto dessa depressão vai passando e a mulher retorna ao seu estado habitual, o tempo, carrasco cruel e inflexível, sempre se encarregará de amadurecer quem achara que nascera para ser feliz. A infelicidade é uma doença crônica que pode ser aliviada temporariamente, mas não curada - não enquanto os mortos-vivos se esforçarem para parecer mais vivos do que mortos. Assim, a vida costuma evoluir com alguns períodos de ilusória felicidade e com muitas crises de dor, tristeza e depressão. E as causas da infelicidade são muitas.

É a fome, a miséria, os acidentes, as brigas, as mortes, as guerras, os suicídios, as doenças, a ignorância. São os viciados em álcool, em drogas, em cigarros, em sexo, em loterias e jogos de azar. Os doentes de inveja e de ciúme. Os fanáticos por religião, por política e por esportes. Os preguiçosos, os entediados, os corruptos, os bajuladores, os degenerados, os iludidos, os enganadores, os cruéis e os intolerantes. Os pervertidos de toda espécie, os abusados física e mentalmente, os irados, os mentirosos, os trapaceiros, os avarentos, os dependentes, os vingativos, os medrosos, os presunçosos, os libidinosos, os sádicos, os mal-amados. Os ressentidos e melindrosos, os complexados e os fofoqueiros. Os prepotentes, os soberbos, os covardes e os traidores. Os perenemente insatisfeitos com tudo e com todos. E tudo isso nos remete à célebre frase: “Quem dentre vós não tiver pecado, que atire a primeira pedra”.

Toda essa herança é recebida tão logo o ser decidiu usar uma vestimenta para adentrar na terceira dimensão, atraído pelos deleites da carne e dos sentidos. Atraído pelo “pão e circo” que embotam a alma e a mente e mantêm hipnotizados os rebanhos de cativos. Afinal, no rebanho, é só seguir o líder. É só seguir os formadores de opinião, pois “formadores de opinião” são necessários para que haja um direcionamento daquelas que, ingenuamente, julgamos serem nossas próprias escolhas. Até as emoções que querem que você sinta são cuidadosamente orquestradas pelos poderosos feitores da senzala global a quem você entrega o seu cérebro.

E a vida, vivida na inconsciência, só pode ser mantida em relativa ordem social por meio do medo. E é com medo que a patética raça humana cumpre seu diário viver. À mercê do medo da dor, do sofrimento, das doenças. Medo da morte que se inicia com o nascimento e que, inexoravelmente, vai nos levar novamente, enquanto prisioneiros, ao eterno ponto de partida - uma nova velha vida, até a hora libertadora do finalmente renascer para o Universo.

Até lá, estamos todos mergulhados na névoa que entorpece os sentidos, correndo atrás de objetivos que, quando alcançados, terão de ser substituídos por outros para mantermos a sensação de estar fazendo algo que vale a pena e que glorifica o viver, dando-lhe sentido. Assim prosseguindo até surgir a percepção de que não há absolutamente nada importante a ser conquistado. Tudo não passa de um jogo. Um jogo em que o sexo, o poder, o dinheiro, a ganância, a ilusão e as paixões estão emaranhados em nossas entranhas, mantendo-nos entorpecidos e ancorados no denso vazio do nada, onde as formas nada mais são do que manifestações esfuziantes e temporárias.

Considerando que há uma luz no coração de cada ser humano e que há uma luz que brilha em cada alma, felizmente para nós, quando finalmente descobrirmos que todos os projetos terrenos são efêmeros, como revelado por Celso Charuri, médico e filósofo, vamos sentir então a necessidade de encontrar e participar do Projeto Eterno que visa a conquista de um paraíso onde todos reencontrarão a Liberdade e a Paz. E as únicas competências requeridas para participar do Projeto Eterno são a prática do Desapego e a prática do Amor. Práticas essas que nos levam à percepção interna de que “Somos Todos UM”.

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Conteúdo desenvolvido por: Renato Mayol   
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