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Autoconhecimento e transcendência


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"Conhece-te a ti mesmo!"
Sócrates


A alegoria da caverna de Platão nos traz a informação de que nem sempre é confortável termos acesso à lucidez, uma vez que se torna cômodo permanecermos na ignorância, ou naquilo que reconhecemos como verdade.
Se estivéssemos acostumados a viver dentro de uma caverna, tendo acesso apenas à visão das sombras projetadas nas suas paredes, ao sairmos de lá, com certeza a luz faria doer nossos olhos, não é mesmo? Porém, em recompensa, nós ganharíamos a possibilidade de contemplar novos horizontes, conheceríamos as coisas na sua realidade concreta e não somente através das imagens refletidas.
Assim é com o autoconhecimento: podemos viver uma vida inteira alheios a nós mesmos, no mundo de sombras ou mesmo de máscaras, ilusões, idéias errôneas a respeito de nós, ou podemos fazer a corajosa escolha de fazer uma viagem das sombras em direção à luz.
O homem que decide sair da caverna é o homem que está disposto a romper os laços que o prendem àquilo que é conhecido, mas muitas vezes desconfortável. O homem que busca o autoconhecimento é aquele que percebe que existe algo além daquele mundo de sombras que ele está vivendo; é aquele que se propõe ir em direção à sua verdade, à sua missão de vida, ir ao encontro de Deus.

Assim como Platão, São João da Cruz também nos fala da sombra, da escuridão: a noite escura da alma. Para São João da Cruz, só podemos encontrar a luz depois de atravessarmos a noite escura. Não podemos negar as noites escuras, mas podemos aprender a lidar com elas.
Enquanto humanos, somos imperfeitos, inacabados, estamos em processo de crescimento, por isso, dificilmente teremos a coisa pronta, perfeita, acabada. Aceitar isto já é uma maneira de caminhar em direção à realidade humana, que contém em si os dois pólos, e de alguma forma um se faz necessário para que se tenha consciência do outro.

A Filosofia Perene diz que a importância do autoconhecimento tem sido enfatizada ao longo dos tempos pelos santos e doutores das tradições religiosas, porém, como diz Aldous Huxley: "se a maior parte de nós permanece ignorante de si mesma, é porque o autoconhecimento é doloroso, e preferimos os prazeres da ilusão". Huxley acrescenta que o medo e a preocupação residem no âmago da personalidade, e que o medo não pode ser transcendido pelo esforço pessoal, "mas somente pela absorção do ego numa causa maior que seus próprios interesses".

O autoconhecimento se torna necessário para que possamos entrar em contato com nosso eu real, pois é lá que se encontra o imanente. O desconhecimento de si mesmo leva a um comportamento irreal, que nos distancia da nossa essência divina. Aldous Huxley, fala das verdades metafísicas que o homem busca conhecer: o homem que deseja conhecer estas verdades deve trilhar primeiramente um caminho para dentro de si, um caminho rumo ao autoconhecimento, pois "o reino de Deus está dentro de nós" .
Ao mesmo tempo, este caminho rumo a Deus pode também ser trilhado através do outro, pois Ele está fora de nós, no todo, no outro, na natureza, no cosmos. Mestre Eckhart diz que o Deus "que está em todas as criaturas é o mesmo que está acima delas, pois aquilo que é Uno deve ser mais que a mera soma das coisas". A Filosofia Perene enfatiza a mortificação, a morte do ser, para que possamos experimentar aparência e realidade como unos e idênticos: "O homem pode, se assim o desejar, morrer para seu ser separado e temporal, e chegar à união com o Espírito Eterno"., pregando aqui a morte do ego como forma de transcender.

No decorrer de nossa vida, nos apoiamos na visão de ego, que Jung denomina como aquilo que nos dá o senso de identidade e personalidade. Só que este ego pode facilmente se inflacionar, criando uma auto-imagem distorcida  e, então, podemos nos apoiar numa falsa idéia a respeito de nós mesmos.
Para Jung, é necessário o crescimento do ego no sentido de integrar material novo no consciente através da expansão do conhecimento de si.
A transcendência do ego é necessária para que possamos vivenciar a "verdadeira realidade", a base divina, nossa essência. Para isto é necessário recorrermos à humildade, irmos de encontro à nossa própria pequenez, tendo a consciência de que isto não significa esconder nossas qualidades e virtudes, mas simplesmente não vivermos apoiados nestas qualidades inflacionadas, como sendo as melhores que existem.

O ego é atraído pelo apego, e este apego é o causador de todo sofrimento. O ego busca o prazer e se apega a este prazer, passando, então, a fazer qualquer coisa para mantê-lo, ao mesmo tempo em que repudia e tenta excluir da consciência os aspectos indesejados de si mesmo, que vão constituir a sua sombra.
Leloup, citando Dürckheim, fala do ‘largar de mão, que é o desapego das coisas do ego. "A eclosão do Ser essencial pressupõe, em primeiro lugar, o aniquilamento do ego profano; sua supremacia exige o abandono da dominação desse ego". Leloup afirma que o ‘largar de mão substitui uma atitude ego-centrada por uma atitude teo-centrada.

Frances Vaughan reflete como nossa identificação com o ego nos faz criar uma fachada para nos adaptarmos ao mundo. Esta adaptação pode gerar uma sensação de perda do self, uma sensação de não saber quem se é. Será necessária a transcendência desse ego para que a verdadeira identidade transpessoal possa se manifestar.
"A consciência que transcende as limitações do ego pode ser vislumbrada primeiramente nas experiências de pico transpessoais ou na meditação profunda. Para Ken Wilber, é necessário transcender o ego, o que não significa destruir o ego, mas sim, conectá-lo a alguma coisa maior. Não devemos nos esforçar por nos livrarmos do ego, ao contrário, devemos, sim, habitar nele plenamente, usá-lo como grande veículo para nos conduzir a uma verdade maior.

Vera Saldanha, com a Terapia Integrativa Transpessoal trabalha a morte e renascimento do ego, visando uma ampliação do nível da consciência... Deve haver um "redimensionamento da importância do ego [que] deve diluir-se, para possibilitar momentos de conexão mais ampla com o Universo".
O resgate do self transpessoal nos traz a informação de que o eu espiritual tem como base o amor e a compaixão, estes são os valores que o sustentam, e esta é a grande meta do autoconhecimento.

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Conteúdo desenvolvido por: Mirtes Carneiro   
Mirtes Carneiro CRP06/111130 Psicóloga e Psicanalista Rua Caetés, 646 - Perdizes - SP Tel: (11) 3865-0531 www.mirtescarneiro.com.br
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