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A EXISTÊNCIA DE DEUS - parte III



III.2. ARGUMENTOS (PROVAS) A FAVOR DA EXISTÊNCIA DE DEUS

III.2.1. Idéia do “quinque viae” de Tomás de Aquino ou princípio do “impulsionador primário” - uma força desencadeou o movimento e o sustenta. O mundo seria, essencialmente, “matéria em movimento” e precisamos chegar à declaração da origem do movimento. O movimento mais elementar é aquele que se verifica no interior do átomo e envolve os elementos constitutivos do átomo. Existe movimento na formação, desenvolvimento e crescimento das coisas, governado por uma inteligência, pois senão tudo não passaria do mais absoluto caos. Em Col 1.17, esse poder é atribuído a Cristo (o Logos); em Atos 17.28, essa força é atribuída a Deus Pai.

III.2.2. Argumento cosmológico ou da causa e efeito – precisamos supor que existe uma causa, uma origem primária de todas as coisas materiais, maior do que qualquer dos seus efeitos. Há uma causa, eterna, inteligente, de todas as coisas. “Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus”. (Hb 3.4). Deus é a causa “maior” que seus efeitos, pois é perfeito.

III.2.3. Argumento da contingência ou possibilidade – tudo quanto conhecemos através de nossa experiência é “contingente”, ou seja, depende de alguma outra coisa para explicar sua existência. Ao longo desse caminho, de uma coisa dependendo de outra, nunca chegaríamos a uma coisa originária. Ao longo do caminho de retrocesso, em algum lugar, se encontra aquela vida necessária, que não depende de qualquer outra coisa para sua existência, mas antes é sua própria causadora e existe independentemente de tudo mais. A esse ser independente denominamos Deus. Esse tipo de vida, independente, imortal e necessária foi conferida ao Filho de Deus.”Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido” (Jo 6 .65).

III.2.4. Argumento axiológico – ao observarmos as qualidades morais existentes, percebemos graus de perfeição. A idéia de grau subentende a necessidade de um grau máximo. Esse ente mais real se chama Deus, que é o ápice de todos os graus de perfeição. Esse argumento guarda semelhança com o argumento moral.

III.2.5. Argumento teleológico – Tudo quanto é vida possui propósito, finalidade, além de um esquema muito complexo de funções, o que demonstra um estupendo desígnio. A ordem que impera no universo físico é exata e maravilhosa. Deve haver um Grande Planejador, um Intelecto Supremo, capaz de por em movimento uma criação magnífica que nos desperta a observação: é Deus, e Sua inteligência é amplamente demonstrada no mundo por Ele criado. “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criada”...(Rm 1.19-20)

III.2.6. Argumento moral – o elevado senso de moralidade que algumas pessoas possuem pode ser melhor explicado se supormos que esse senso se assemelha ao do grande Ser Moral, e não que tal moralidade provém meramente de fatores biológicos ou físicos. Um elevado senso moral deriva da influência de um Deus santo. Existe na mente humana a intuição de que deve haver uma retribuição apropriada às ações morais dos homens, deve haver um Juiz capaz de dispensar retribuições na forma de bênção ou punição. “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado”. (Jo 16.8-11); “(...) o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade”. (Jo 16.13)

III.2.7. – Argumento do teísmo pragmático – é melhor ser alguém religioso, não somente pela crença na existência de Deus, mas em relação à prática religiosa, o ateísmo não oferece qualquer futuro a quem quer que seja e nem reivindica isso. É melhor lançarmos nossa sorte com a Religião, com a existência de Deus e da alma. Se, ao morrermos, nada existir, senão o vazio, ou se descobrirmos que estávamos equivocados, nada perderemos com isso. Por outro lado, o argumento baseado na felicidade do crente, que assinala a profunda felicidade e senso de confiança que têm os crentes em Deus, a alegria e a segurança que a fé teísta confere aos seus possuidores, mostra-nos que é melhor acreditarmos na existência de Deus. E aí já temos outro argumento, o da melhor crença.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Poderíamos encher inúmeras páginas com diversos outros argumentos a favor da existência de Deus. Em sua Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, R.N.Champlin destaca 20 argumentos, alguns expostos acima, além dos 5 Argumentos de Tomás de Aquino.

Em agosto de 2007, foi lançado o livro do cientista britânico Richard Dawkins, Deus, um Delírio, a favor do ateísmo. O escritor Alister McGrath, professor da Universidade de Oxford, em sua obra O Delírio de Dawkins, a ser lançada em outubro, pela Editora Mundo Cristão, mostra que só no ano de 2006, três grandes cientistas publicaram obras relevantes, evidenciando a existência de Deus. Owen Gingerich, notável astrônomo de Harvard, por exemplo, em sua obra God’s Universe, declara que o universo foi criado com intenção e propósito, opondo-se à teoria de Dawkins. O cosmologista Paul Davies concorda: “houve um ‘designer’ do universo”. O biólogo americano Francis Collins , diretor do Projeto Genoma Humano, responsável pela descoberta do século, o mapeamento do DNA, lançou a obra Language of God, na qual argumenta que as maravilhas e as ordenanças da natureza apontam para Deus. Nessa mesma obra, o cientista descreve como abandonou o ateísmo para se tornar um cristão.

Para Valtair Miranda, mestre em Ciências da Religião e coordenador de Teologia do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, com quem concordamos, a atitude de Dawkins é reducionista, limitada por um ou mais aspectos. “O fenômeno religioso é impossível de ser esgotado por um único método de análise. Há algo nele fora dos limites da compreensão humana”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A grandeza de Deus e o esforço do homem para conhecê-lo. IN link, acesso em 10/08/2007, 17:05.
ALVES, Oziel. Deus não existe! IN Revista Enfoque. IN link, acesso em 17/09/2007, 23:51.
Bíblia Almeida Corrigida e Fiel. 1994. Domínio Público. IN link, acessos em 22, 23, 24 e 25/09/2007.
CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 2. 7ª ed. São Paulo: Hagnos, 2004.
COELHO, Marcelo. A Ciência contra Deus. IN Jornal Folha de São Paulo, Folha Ilustrada, p. E8, São Paulo, 25 de agosto de 2007.
DOUGLAS, J.D. org. O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. João Bentes. Editor da edição em português Russell P. Shedd. 3ª ed. rev. São Paulo: Vida Nova, 2006.
LUTZER, Erwin. 7 Razões para Confiar na Bíblia. Trad. Yolanda Krievin. São Paulo: Ed. Vida, 2001.
PEREIRA, Patrícia. A Espiritualidade em Debate. IN Revista Filosofia, Ciência e Vida, ano I, nº 12, São Paulo: Editora Escala, 2007.
UCB Virtual - Universidade Católica de Brasília. Ciência da Religião. Licenciatura em Filosofia / Universidade Católica de Brasília – UCB Virtual. Brasília: EAD, 2007.
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Publicado dia 25/9/2007
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Autor: Monika Alves de Almeida Picanço   
Teóloga, jornalista, radialista, professora. Pós-graduada em Filosofia. Licencianda em Letras. Palestrante. Cantora e compositora. Mestranda em Teologia Histórica e em Ciências Sociais da Religião. Autora dos livros Redescobrindo o Ser Ético: http://migre.me/exvRM Reflexões Teológicas Vol. 1: http://migre.me/exw2i Contatos: monika@vivos.com.br
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